Artigo de Opinião do Jornal de Angola O Ensino e as Infra-Estruturas

O grande número de alunos que corre o risco de ficar fora do sistema de ensino por falta de salas de aula e de professores deve obrigar as autoridades competentes a tomar as medidas que vão no sentido de se encontrarem soluções, mesmo provisórias e precárias, para que muitas crianças e jovens tenham acesso à escola.

Deu para perceber, com a grande procura de vagas nos estabelecimentos de ensino públicos, que muita coisa há ainda por fazer ao nível de infra-estruturas e da contratação de professores, com vista a termos cada vez menos cidadãos fora do sistema do ensino. O problema agrava-se porque há muitos pais e encarregados de educação a retirar os seus filhos ou educandos dos colégios privados , porque não estão mais em condições para suportar as despesas com as propinas.
Qualquer pai ou encarregado de educação quer ver os seus filhos ou educandos na escola. Eles sabem que a formação é importante para assegurar um bom futuro para eles. Ter formação é, em qualquer parte do mundo e em condições normais, essencial para se conseguir um emprego.
Os problemas com o ensino são conhecidos e é preciso fazer rapidamente alguma coisa para os resolver. Quando numa instituição de ensino só há 400 vagas para oito mil candidatos, isso deve merecer reflexão das autoridades. Estamos independentes há quase 43 anos e importa que se trabalhe no sentido de o ensino poder responder à grande procura de conhecimento que se assiste no país.
Hoje, em Angola, há um número elevado de angolanos que quer estudar. Muitos angolanos com mais de quarenta anos de idade querem continuar a estudar , porque entendem que podem melhorar as suas condições de vida, se aumentarem os seus conhecimentos e obterem um canudo. É bom que os angolanos queiram aumentar os seus conhecimentos. Muitos cidadãos não puderam acabar os seus cursos médios ou superiores devido à guerra, que no nosso país durou muitos anos. Um país deve ter recursos humanos com diferentes e elevadas competências . Que o Estado esteja entretanto preparado para este fenómeno de procura crescente de vagas nas escolas públicas, em todos os níveis de ensino. O Estado deve ter a obrigação de elevar o nível de educação na sociedade, em prol do desenvolvimento e do progresso social.
Os países que investiram muito em educação estão hoje a beneficiar dos retornos desse investimento, que se traduzem em elevada produtividade e qualidade de vida. É verdade que não basta termos uma quantidade enorme de estudantes no sistema de ensino. Tem de se velar também pela sua qualidade, para os quadros poderem corresponder aos desafios decorrentes do longo processo de desenvolvimento do país.
Perante a crescente procura de vagas nas escolas públicas, importa que se faça um diagnóstico para se saber o que temos afinal em termos de infra-estruturas, para se satisfazer as necessidades dos cidadãos ao nível da obtenção do conhecimento no ensino formal.
É imperioso que se conheça a actual capacidade das infra-estruturas escolares disponíveis, para se saber se estão em condições de satisfazer a procura de vagas. Para já, é necessário que se conclua a construção e/ou reabilitação de escolas públicas. Não faz sentido que numa altura em que milhares de jovens correm o risco de ficarem fora do sistema de ensino haja estabelecimentos de ensino por concluir ou reabilitar. É imperativo que se faça um esforço financeiro e de reavaliação das actuais necessidades do quadro docente, no sentido de se mitigar os actuais problemas, prementes, do sector da educação.

Jornal de Angola

 

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