Antiga Estação dos Caminhos de Ferro de Moçâmedes Transformada em Museu

Um museu de equipamentos ferroviários está em fase de formação na cidade do Lu­bango, numa iniciativa do Governo Provincial da Huíla, em parceria com o departamento de História do Instituto Superior de Ciência de Educação (ISCED), e a empresa dos Caminhos-de-Ferro de Moçâmedes (CFM).

O anúncio foi feito ontem pelo chefe do departamento provincial da Acção Cultural da Direcção da Cultura, na Huíla, Pedro Mussunda, no quadro das festividades alusivas aos dias dos Mártires da Repressão Colonial e da Cultura Nacional, celebrados a 4 e 8 de Janeiro.
O museu está a ser insta­lado no perímetro da antiga estação dos Caminhos-de-Ferro de Moçâmedes, situada no bairro Hélder Neto, cidade do Lubango.
A antiga estação dos Caminhos-de-Ferro de Moçâmedes foi inaugurada no dia 28 de Setembro de 1905 e tem cunho histórico na criação da cidade do Lubango, capital da província da Huíla.
Segundo o responsável, no mesmo espaço da antiga estação, no dia 31 de Maio de 1923, escalou o primeiro comboio que desceu a Serra da Chela.
Pedro Mussunda sublinhou que a estação representa o marco histórico da província da Huíla. “Foi no edifício da antiga Estação do Caminho-de-Ferro de Moçâmedes, que a 31 de Maio de 1923, o então Alto-Comissário para Angola, general Norton de Matos, subscreveu a assinatura do decreto que elevou à categoria de vila, a antiga cidade Sá da Bandeira, numa altura em que o comboio apitou pela primeira vez a partir de Moçâmedes a caminho das terras altas da Chela”, escreveu Pedro Mussunda.
Na sua óptica, a criação do museu no espaço onde estão as locomotivas, carruagens, vagões e outras máquinas, vai tornar-se um lugar de in­teresse público, permitindo que turistas nacionais e es­trangeiros conheçam e desfrutem da relíquia histórica dos Caminhos-de-Ferro de Moçâmedes e da criação da cidade do Lubango.
Pedro Mussunda defendeu que os antigos vagões, carruagens e locomotivas não devem ser considerados ferro velho.
“Esses equipamentos não devem ser enviados para a siderurgia, evitando a sua transformação. Os equipamentos deverão permanecer no local, por narrarem a história do surgimento da empresa dos Caminhos-de-Ferro de Moçâmedes, no Lubango.
Paralelamente ao Museu Ferroviário, vai ser criado o Museu de História Natural.
“Em conformidade com o director do gabinete de comunicação e institucional do CFM, há uma parceria com o ISCED, para tornar o local mais atraente.

Vantagens
Pedro Mussunda referiu que os museus não devem ser considerados casas para ar­mazenar objectos, mas locais de investigação científica, onde os visitantes realizam estudos e encontram ferramentas para pesquisas. “São essas vantagens que o local vai proporcionar aos estudantes, investigadores e para todos os que visitarem o local futuramente”, garantiu. 
O responsável destacou a criação do Museu de História Natural como “um ganho, não só para os investigadores, mas também para a sociedade, por permitir que as várias etapas da história do país sejam divulgadas e valorizadas, para que as futuras gerações saibam a importância desses lugares”.
Segundo Pedro Mussunda, existe um plano do Ministério da Cultura que visa a restauração de monumentos da província da Huíla. “Estamos à espera de alocação de recursos financeiros para que muitos desses lugares comecem a receber obras que visam a sua preservação e conservação”, salientou.

Jornal de Angola

 

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