Angola, Vamos Ver se os Sacrifícios Vão Valer a Pena

A consolidação orçamental vai obrigar os angolanos a “suportar sacrifícios”, alertou na semana passada o ministro das Finanças, Archer Mangueira, lembrando que o País enfrenta um “quadro macroeconómico difícil”, decorrente da prolongada baixa da cotação do petróleo.

Trocando por miúdos, vem aí a austeridade, o contrário do recomendado pelos manuais de economia para economias na situação da angolana. Segundo as propostas de economistas como John Maynard Keynes, quando uma economia está a crescer pouco ou mesmo em recessão, as autoridades do país devem adoptar uma combinação de políticas monetária e orçamental expansionistas.

No primeiro caso baixando os juros, no segundo aumentando os gastos públicos. A ideia é estimular a procura e com ela a pró- pria economia. Como fizeram os Estados Unidos, por exemplo. Em Angola está-se a fazer o contrário. Um pouco à moda da política austeritária europeia. Não só os juros aumentaram como o Governo anunciou um plano intercalar assente em cortes nas despesas públicas. Ou seja, as políticas monetária e orçamental angolanas são pró-cíclicas, arriscando afundar ainda mais uma economia que esteve em recessão em 2016 e deverá crescer até 2022 a uma taxa que é metade do crescimento da população.

As opções austeritárias do Governo angolano em matéria de políticas monetária e orçamental podem parecer tanto mais estranhas quando se sabe que Angola precisa urgentemente de diversificar a sua economia e isso passa por mais crédito e mais barato e mais investimento em infra-estruturas. Apesar das medidas austeritárias anunciadas pelas autoridades contrariarem os manuais de economia, não quer dizer que a política económica do Governo tivesse alternativa.

Acredito mesmo que não tem. Se as autoridades utilizassem as políticas monetária e or- çamental para ajudar a anémica economia angolana arriscavam agravar o clima de instabilidade macroeconómica do país – com agravamento dos défices gémeos – orçamental e externo – aumento da inflação e forte desvalorização da moeda. Acontece que embora não seja condição suficiente, a estabilidade macroeconómica é condição necessária para o crescimento sustentável. Mas se é verdade que, como disse Archer Mangueira, “temos de ter consciência que não há parto sem dor”, não é menos certo que os sacrifícios só valerão a pena se deles nascer uma nova economia menos petrodependente. (Expansão)

Angola 24 Horas-Por Carlos Rosado de Carvalho

 

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