Autoridades Angolanas Mandam Queimar Cerca de 1,5 Toneladas de Marfim

As autoridades queimaram cerca de 1,5 toneladas de marfim, quantidade que no mercado negro podia valer perto de um milhão de euros, para garantir o compromisso do país em acabar com a actividade.

A iniciativa, promovida para assinalar o dia mundial do Ambiente, aconteceu na segunda-feira, no Parque Nacional da Quiçama, arredores de Luanda, e o marfim destruído, entre dentes em bruto e algumas peças trabalhadas, foi apreendido em diversos pontos do país entre 2016 e 2017.

De acordo com o Ministério do Ambiente, as apreensões de marfim foram feitas sobretudo no aeroporto 04 de Fevereiro, em Luanda, ponto principal da saída deste comércio ilegal, sobretudo para os países asiáticos, mas também no sul, na província do Cuando Cubango, que tem as maiores concentrações de elefantes em Angola.

“Com este ato, Angola assume o firme compromisso de continuar a desenvolver acções para preservar o Ambiente e também dizer ao mundo não à morte de elefantes, não ao comércio ilegal de animais e não à corrupção”, disse a ministra do Ambiente, Fátima Jardim, durante a destruição deste marfim.

Actualmente, cada quilograma de marfim bruto pode valer até 730 dólares no mercado negro, ainda assim uma queda para metade face aos valores praticados até 2014, justificada por investigadores internacionais com as consequências do arrefecimento no crescimento económico na China.

Ainda assim, a preços actuais, a destruição agora concretizada equivaleria, se este marfim chegasse ao mercado, a quase 1,1 milhões de dólares (980 mil euros).

Para combater o comércio ilegal e o próprio tráfico de marfim, o Ministério do Ambiente encerrou em junho de 2016, em Luanda, as 44 bancas de marfim do mercado de artesanato do Benfica, considerado um dos maiores espaços de venda do género em África, com mais de uma centena de vendedores.

Há precisamente um ano, a 01 de Junho de 2016, as autoridades francesas detectaram em Paris um homem proveniente de Angola com 142 quilogramas de marfim e que viajava com destino ao Vietname, demonstrando que aquele país africano continua na rota internacional deste tráfico.

De acordo com a informação disponibilizada pelos serviços aduaneiros franceses, a detenção aconteceu no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, quando o homem transportava 26 dentes de marfim escondidos em seis bagagens.

Não foi revelada a nacionalidade do cidadão, que segundo os serviços aduaneiros foi entretanto condenado, em julgamento sumário, a 03 de Junho, a 18 meses de prisão e 142.480 euros de multa, além do confisco do marfim – cujo comércio é ilegal -, uma das maiores apreensões do género no país.

A 02 de Fevereiro de 2016, também a polícia e serviços alfandegários vietnamitas apreenderam no aeroporto Noi Bai, em Hanói, seis malas contendo 180 quilogramas de marfim, na posse de três cidadãos provenientes de Angola.

A polícia confirmou na altura que a apreensão das presas de elefante foi feita no aeroporto da capital vietnamita à saída dos passageiros – cuja nacionalidade não foi revelada – do voo da Vietnam Airlines, entre Luanda e Hanói, com passagem pela Malásia.

Dados de organizações internacionais apontam que a China representa mais de 70% da procura mundial de marfim.

Existem actualmente cerca de 450.000 elefantes no continente africano, calculando-se em mais de 35.000 os que são mortos anualmente.

As autoridades angolanas já contabilizaram mais de 3.000 elefantes, apenas no Cuando Cubango, onde começou a inventariação da espécie no âmbito do Plano de Acção Nacional do Elefante.

Angola tem 162.642 quilómetros quadrados de áreas protegidas, o que corresponde a 13 por cento do território nacional, entre parques nacionais e regionais, reservas naturais integrais e parciais.

Lusa

 

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