A Consultora FGE Considera Que o Preço do Petróleo Pode Voltar aos 30 Dólares o Barril

A consultora global do sector do gás natural e do petróleo FGE considera que o preço do barril de petróleo pode voltar aos 30 dólares norte ­americanos se a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) não aprofundar os cortes na produção diária.
Para Fereidun Fesharaki, presidente do conselho de administração da FGE, uma das mais importantes consultoras para o sector do petróleo e do gás, considera que a razão para esta perspectiva negativa para o preço do barril está no excesso de produção dos países fora da OPEP e do grupo liderado pela Rússia que se juntou no esforço de cortes na produção de 1,8 milhões de barris por dia (bpd).

Este especialista não mostra dúvidas ao afirmar, citado pela CNBC, que “existe actualmente excesso de crude no mercado” e aponta o dedo aos EUA, Líbia e Nigéria, cujas produções em crescendo estão a inundar os mercados, pressionando em baixa o preço do barril.

A Líbia e a Nigéria ficaram de fora dos cortes por causa das crises económicas e instabilidade que atravessam mas estão a aproveitar esse facto para aumentar de forma substancial as suas produções, beneficiando duplamente, com mais vendas e preços mais altos conseguidos com o corte dos restantes membros da OPEP.

Fesharaki, que é um dos mais considerados especialistas nesta matéria-prima, defende que a OPEP vai ter de cortar pelo menos mais 700 mil barris por dia além dos actuais 1, 8 milhões se quiser manter os preços e evitar o afundanço imediato para os 30 ou 35 dólares por barril.

Mas o seu pessimismo, na perspectiva dos países exportadores, não se fica por aqui e Fereidun Fesharaki acrescenta que mais 700 mil bpd cortados à produção da OPEP servem apenas para evitar uma queda abrupta do preço este ano, mas “se a OPEP quiser evitar quedas no preço em 2018, vão ser precisos mais e substanciais cortes”.

Perante este cenário, que pode ser trágico para as economias mais dependentes do petróleo, como ainda é, apesar dos anúncios de vontade de diversificar a economia, o caso de Angola, o PCA da FGE nota que o futuro dos mercados do petróleo vão depender de “até onde pode e quer ir a Arábia Saudita nos cortes”.

Defendendo, todavia, que os 9 milhões bpd, de uma produção estimada em quase 11 milhões, é o limite do esforço possível para a Arábia Saudita, o maior produtor do mundo, linha que se não for claramente ultrapassada, os preços vão reflectir isso em pesada baixa.

Esta análise de Fereidun Fesharaki aponta para um desconsideração do acordo da OPEP assinado em Novembro de 2016 com países não membros como a Rússia, o Cazaquistão ou o México, e mais Novembro, que previa cortes de 1,8 mbpd até Junho deste ano, tendo sido prolongado para Março de 2018, notando que, para além do calendário alargado, vai ser necessário aprofundar significativamente os cortes.

Outra coisa que parece ser garantido para Fesharaki é que a actual crise no Golfo, com o corte de relações entre o Qatar e os restantes petro­ estados liderados pela Arábia Saudita, não vai ter qualquer impacto durável nos mercados do petróleo porque não afecta nem o seu consumo nem o fornecimento.

ANGONOTÍCIAS

 

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