As Coisas Estão a Mudar em Moçambique, Vai Seguir-se “um Tempo Extraordinário”.

O presidente do Banco da África Ocidental (BAO) considerou hoje que “as coisas estão a mudar em Moçambique”, antecipando que ao actual período de turbulência vai seguir-se “um tempo extraordinário”.

“Olho para Moçambique vendo um tempo de mudança, as coisas estão a mudar. Estamos num tempo de turbulência, que é este que estamos a viver agora e por mais dois ou mais meses, mas depois virá um tempo extraordinário para Moçambique”, disse Diogo Lacerda Machado, informa a agência Lusa.

Falando aos jornalistas à margem do ciclo de conferências sobre a África lusófona, cuja edição dedicada a Guiné-Bissau decorreu hoje em Lisboa, o banqueiro vincou, referindo-se às investigações sobre as circunstâncias em que foram contraídos empréstimos ocultados das contas públicas, que “o que resultar desses relatórios e revisão e exame do que se passou é um dos elementos determinantes dessa mudança”.

Para o administrador e vice-presidente não executivo do Banco Mais, “os moçambicanos saberão fazer as destrinças que têm de ser feitas, e seguramente também os parceiros internacionais, e entenderão que tudo o que se souber é para ficar sabido e apreciado nos termos que resultarem dos relatórios, e que depois as autoridades moçambicanas vão extrair eventualmente daí as conclusões que têm de extrair no exercício dos seus deveres e poderes”.

Isso, continuou, “faz parte dos sinais de mudança a caminho de um tempo extraordinário de crescimentos muito acima da média moçambicana e em contraste com os últimos três ou quatro anos em Moçambique”.

Diogo Lacerda garantiu que o Banco Mais, antigo Banco Tchuma, não está exposto à dívida pública de Moçambique nem detém qualquer participação nos empréstimos escondidos.

O caso das dívidas ocultas envolve empréstimos contraídos pelas empresas ProIndicus, Mozambique Asset Management (MAM) e Empresa Moçambicana de Atum (EMATUM) e avalizados pelo Governo moçambicano, em 2013 e 2014, no valor de 1,4 mil milhões de dólares – a que se juntam mais 727,5 milhões da emissão de títulos de dívida soberana que resultaram da reconversão das obrigações corporativas emitidas pela Ematum.

Os empréstimos foram avalizados sem o conhecimento da Assembleia da República e dos doadores internacionais.

A descoberta das dívidas levou o Fundo Monetário Internacional (FMI) e os principais doadores internacionais a suspender a sua ajuda ao país, condicionando o reatamento dos apoios à realização de uma auditoria internacional independente, que está em curso.

Em Janeiro, o Estado moçambicano optou por não pagar os quase 60 milhões de dólares relativamente ao pagamento da prestação deste ano dos títulos de dívida soberana no valor de 727,5 milhões de dólares, emitidos em Abril do ano passado.

Já em Março, a Proindicus falhou o pagamento de uma prestação de 119,2 milhões de dólares do empréstimo de 622 milhões, fazendo Moçambique cair novamente em incumprimento financeiro junto dos investidores.

As renegociações devem acontecer depois da conclusão da auditoria internacional independente em curso.

África 21 Digital

 

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