A Ponta da Baía Farta é um Atropelo de Peixes Que Deslizam nas Águas Frias da Corrente de Benguela

A ponta da Baía Farta é um atropelo de peixes que deslizam nas águas frias da corrente de Benguela. Praia de renome, o centro pesqueiro da província é uma mistura de projectos novos e ruínas do que já foi.

Um pequeno barco quebra a rebentação da Baía Azul e vai por lá adentro, em direcção à ponta da Baía Farta. Lançamos canas de pesca e desenrolamos linhas onde as moreias, mais cedo ou mais tarde, se vão enganchar. O tempo passa e o peixe morde a cada poucos minutos. A sul de Benguela o mar é generoso até para os mais inexperientes. Estamos em águas fartas. E a enseada cheia de vida ali ao lado.

A pequena Baía Farta tem mãos fortes de pescador. As redes espalhadas pelo areal são o símbolo perfeito desta terra de mar abundante, fama que nunca esmoreceu com o passar do tempo. Não há como não ir à Baía Farta numa visita a Benguela.

O lugar é pitoresco e com marcas profundas das antigas pescarias e indústrias de transformação de peixe – muitas delas desactivadas, outras em funcionamento e algumas a caminho de reviver. O areal que rodeia a baía é lugar de trabalho de centenas Fotode famílias.

Foto de Pedro Cardoso

Um passeio pela praia é um desfile de barcos de pesca artesanal com nomes criativos e cores, muitas. E até de barcos típicos construídos com ramos entrelaçados, ainda hoje usados.

Foto de Pedro Cardoso

Tudo aqui gira à volta da faina, riqueza absoluta que fez este lugar. Existe uma frota pesqueira mais moderna, que atraca nos pontões da baía. À volta dos barcos, pequenos cardumes agitam-se, frenéticos. Em bancas expostas ao sol tórrido, o peixe seca-se e desidrata-se para depois ser vendido pelas peixeiras locais. São milhares de toneladas de pescado, as que saem daqui. Agulha, atum, peixe-espada, pungo, pargo, linguado, roncador e até pequenos tubarões. Riqueza marinha que se pode provar em algumas barraquinhas da cidade.

Contam que a Baía Farta começou a desenvolver-se a partir de 1910, quando dois irmãos vindos dos Açores descobriram o potencial deste mar. Nos 50 anos seguintes, as poucas redes de pesca deram passo a uma indústria enorme e estruturada. Pouco a pouco, a Baía Farta cresceu e transformou-se num dos principais centros pesqueiros do sul de Angola. A 13 de Dezembro de 1965 o então posto administrativo pertencente a Benguela transformou-se em concelho. Rico e farto como as suas águas.

Foto de Pedro Cardoso

Desses tempos vem a traça da cidade, nem sempre preservada como deveria ser. Um passeio pelas ruas que, invariavelmente, dão no mar, é um encontro com edifícios do tempo colonial, como a Igreja ou o velho Cinema.

E há, claro, as praias. Baía Farta tem várias, fantásticas: Cuio, Baía dos Elefantes, Baía Azul (mesmo ali ao lado), Caota e Caotinha. As salinas da Macaca, Calombolo e Chamume são roteiros menos conhecidos mas igualmente imperdíveis.

Tem também o vigilante Morro do Sombreiro, mais a norte. E em direcção ao interior, o Parque da Chimalavera meio-caminho para o Dombe Grande. Destinos que podem ser facilmente percorridos num fim-de-semana prolongado por estas bandas. A Baía Farta fica a uns escassos 25 km de Benguela, numa estrada que percorre o litoral e está em bom estado.

A visita a esta cidade pode ser várias coisas: uma simples volta pelas ruas costeiras e pelo areal ou contemplação prolongada do vaivém de gentes, barcos e redes. Pode ser uma manhã de pescaria (mais ou menos amadora) de cana e linha na mão ou ponto de partida para conhecer o litoral até Benguela e o interior marcado pelo rio Coporolo. Uma visita interessante que mistura gente, sol, mar, sal e muita esperança no futuro que este mar pode trazer.

Rede Angola/Pedro Cardoso

 

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