Criada Uma Comissão Mista Entre Angola e Portugal Afim de Realizarem Encontros Diplomáticos

Foto de Francisco Bernardo/JAImagens]

Os governos português e angolano criaram na sexta-feira em Luanda uma Comissão Mista que obriga a encontros diplomáticos regulares dos dois países para analisar as relações bilaterais e projectos de cooperação.

O documento foi assinado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva, que chegou na sexta-feira a Luanda para uma visita de trabalho de três dias, e pelo seu homólogo, Georges Chikoti.

Segundo Augusto Santos Silva, o protocolo vai permitir o relançamento de novas áreas de cooperação. Já o chefe da diplomacia angolana sublinhou que há muito trabalho feito e muito ainda fazer, com vantagens para os dois países.

Augusto Santos Silva destacou a realização de vários contactos ao nível dos secretários de Estado das Relações Exteriores, cuja intensidade dos trabalhos mostra bem “a densidade e a excelência das relações”. Contudo, esses contactos devem ter resultados concretos, sublinhou o ministro, citando as áreas económica, científica e tecnológica e a formação diplomática. Relativamente à área económica, o ministro disse que Portugal se revê nos objectivos de Angola.

“No nosso ponto de vista, as boas relações económicas são as que geram benefícios para ambas as partes. Portanto, a desigualdade nas relações, seja uns a exportarem muito mais que os outros ou investirem mais ou retirarem vantagens, deve ser evitada. Pelo contrário, deve haver parcerias de relacionamento económico mutuamente vantajosas”, frisou.

O governante português acrescentou que o programa de diversificação económica e a aposta na agricultura, no sector agroindustrial e agroalimentar, constitui um campo de cooperação muito importante.

A cooperação científica, tecnológica e do mar é outra da área em que os dois países têm trabalhado, salientou o chefe da diplomacia portuguesa, dando o exemplo da confirmação por Angola da a presença na Conferência Internacional, em Abril, nos Açores, em que será feito o lançamento do Centro de Investigação sobre questões de clima, oceano e espaço, promovido por Portugal.

“Sabemos também que vai haver cooperação entre os dois países no que diz respeito à museologia da ciência e já há muita cooperação entre os nossos dois países , no que diz respeito ao ensino superior”, disse.

O ministro disse esperar que a futura visita do primeiro-ministro português a Angola permita a assinatura com o de um programa executivo de cooperação bilateral entre os dois países, “faltando apenas afinar aspectos relativamente secundários do programa que já está em curso”.

Sobre a cooperação na área da formação dos diplomatas, Augusto Santos Silva considerou que está “em bom caminho”, salientando que essa tem sido uma questão tem vindo a ser colocada na relação entre os dois ministérios.

“Do nosso ponto de vista, [há] toda a disponibilidade para colaborar nessa área muito importante da formação diplomática” e o objectivo é “integrar todos os vários domínios de parceria de cooperação que existem entre os nossos dois Estados, num mecanismo de contacto com o formato de uma Comissão Mista”, disse.

Parcerias público-privadas estão em cima da mesa

O interesse de Angola e Portugal em fortalecerem as relações político-diplomáticas pode passar por uma maior aproximação no sector dos negócios e mesmo pelo desenvolvimento de parcerias público-privadas.

Para Georges Chikoti, a visita de Augusto Santos Silva “uma demonstração do interesse inequívoco” dos dois países na “contínua dinamização das relações bilaterais e na identificação de novas oportunidades de parcerias mutuamente vantajosas”.

“Neste contexto, o estado actual das nossas relações político-diplomáticas e de cooperação deve ser cada vez mais fortalecido, sendo por isso necessário a promoção e o incremento do diálogo político ao mais alto nível com vista à criação das condições objectivas para a aproximação do sector dos negócios e desenvolvimento de parcerias privadas ou público-privadas”, disse o ministro das Relações Exteriores, na recepção à comitiva portuguesa.

 Rede Angola

 

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