O Dia a Dia em Cangandala Para Assegurar a Continuidade da Palanca Negra Gigante. Completa Reportagem Fotográfica

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Trabalho do Dr.Pedro Vaz Pinto, sobre a defesa da Palanca Negra Gigante/Composição AngolaBela

Relatório Palanca 3º Trimestre 2016

Caros amigos,

Esta newsletter referente ao terceiro trimestre na realidade reporta a Julho e Agosto, já que Setembro será transferido para o quarto trimestre. Entre Julho e Agosto levámos a cabo um ambicioso censo aéreo e operação de captura no Luando e Cangandala, e isto apenas mais do que justifica este relatório. Esta operação já vinha a ser planeada há vários meses e apenas foi possível concretizar com apoio específico internacional recebido da Fondatión Segré e da ExxonMobil Foundation, juntando aos financiamentos locais dos quais se destacam como principais contribuintes actuais a Sonangol e a Angola LNG.

Determinante para o sucesso desta operação, e à semelhança dos exercícios realizados em 2009, 2011 e 2013, foi o apoio consistente recebido das Forças Armadas Angolanas. Particularmente das FAN (Força Aérea nacional) que disponibilizou os tambores de Jet A1, e do exército em Malanje que forneceu logística adicional de grande importância. Este exercício foi enquadrado no âmbito do Plano de Acção para a Conservação da Palanca Negra Gigante, desenvolvido numa colaboração entre a Fundação Kissama e o Ministério do Ambiente.55_as-faa-representadas-pelo-gen-sousa-participaram-e-deram-importante-contributo

As FAA representadas pelo Gen. Sousa participaram e deram importante contributox135_

Como habitualmente, o Dr Peter Morkel foi o veterinário escolhido, e claro está que nós (incluindo as palancas) não poderíamos estar em melhores mãos.73_o-dr-morkel-examinando-uma-hernia-umbilical

O Dr. Morkel examinando uma hérnia umbilical74_administrando-o-antidoto

Administrando o antídotox113_o-dr-morkel-preparando-um-novo-dardo

O Dr. Morkel preparando um novo dardo66_tentando-refrescar-um-macho-que-esteve-imobilizado-mais-tempo-que-o-habitual

Tentando refrescar um macho que esteve imobilizado mais tempo que o habitual

Uma vez que Barney O’Hara se reformou e vendeu o seu helicóptero, tivemos de encontrar uma alternativa na Namíbia, onde contratámos outro Hughes 500 pilotado por um experiente e talentoso Frans Henning.09_o-piloto-frans-henning-e-o-helicoptero-estacionado-na-mata

O piloto Frans Henning e o helicóptero estacionado na mata97_por-do-sol-sobre-o-acampamento

Pôr-do-sol sobre o acampamento91_-um-problema-com-o-filtro-forcou-a-uma-aterrizagem-no-mato-para-reparacoes

 Um problema com o filtro forçou a uma aterrizagem no mato para reparações92_improvisando-um-novo-o-ring

Improvisando um novo O-ring23_operacao-de-reabastecimento

Operação de reabastecimento

A equipa estava definida. Técnicos do Ministério do Ambiente e administradores locais também participaram activamente ao longo de toda a operação. 38_lacos-de-cabo-de-aco-e-de-arame-recuperados-por-fiscais-e-staff-do-ministerio-do-ambiente-na-cangandala

Laços de cabo de aço e de arame recuperados por fiscais e staff do Ministério do Ambiente na Cangandala

A Ruth e o David Schaad ajudaram generosamente a equipa durante o acampamento no Luando, e o meu filho Afonso também se juntou e aproveitou a aventura.96_o-meu-filho-afonso-pescando-no-rio-quimbango

O meu filho Afonso pescando no rio Quimbango40_debaixo-do-chapeu

debaixo do chapéu…77_pescando-no-rio-luando

Pescando no Rio Luando

O objectivo para a operação de captura 2016 seria, ao longo de três semanas, obter um censo actualizado da população de palancas na Reserva do Luando, e colocar até 16 coleiras de GPS e 5 de VHF em palancas negras gigantes, na Cangandala e Luando. Um objectivo complementar era o de avaliar o máximo de hotspots previamente identificados (através de imagens de satélites) no Luando, incluindo charcas, anharas críticas, ao mesmo tempo que se monitorava e agia sobre a caça furtiva, sempre que se justificasse.56_a-minha-tenda-coroada-com-coleiras-de-transmissao

A minha tenda coroada com coleiras de transmissão

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Palancas-ruanas em corrida18_manada-de-palancas

Manada de palancas!20_duas-velhas-coleiras-visiveis-neste-grupo

Duas velhas coleiras visíveis neste grupo22_jovens-machos-numa-corrida-artistica

Jovens machos numa corrida artística36_uma-boa-manada-de-palancas-ruanas

Uma boa manada de palancas-ruanas

As condições ambientais este ano não estavam fáceis para os propósitos desta operação, particularmente na Cangandala, já que as chuvas abundantes da última época atrasaram as queimadas ao longo de 2016 e a cobertura de árvores, mato e capim estava muito mais luxuriante que em anos anteriores.01_-fogo-preventivo-para-p

 Fogo preventivo para proteger a câmara

68_queimadas-sazonais-na-planicie-do-luandoQueimadas sazonais na planície do Luando

59_outra-manada-de-palancas-negras-gigantesManada de palancas negras gigantes60_antes-do-dardoAntes do dardo61_crias-no-meio-protegidas-pelas-femeasCrias no meio protegidas pelas fêmeas62_manada-de-palancasManada de palancas65_uma-grande-manada-de-palancas-ruanasUma grande manada de palancas-ruanas

No PN da Cangandala não havia necessidade de fazermos um inventário da população de palancas, uma vez que elas permanecem bem monitorizadas no terreno. Também a situação de caça furtiva não é brilhante na Cangandala mas ao menos está razoavelmente sob controlo, para além do facto de, com um par de excepções, todas as palancas negras gigantes estão contidas dentro do santuário vedado. Dessa forma os voos na Cangandala foram feitos principalmente com o objectivo de capturar pelo menos um par de jovens machos para colocar-lhes coleiras de VHF. As condições de voo na Cangandala revelaram-se bastante desafiantes por causa da espessa cobertura da copa das árvores, mas eventualmente conseguimos localizar a manada de “solteiros” composta de quatro jovens machos. Depois de algum esforço e algumas arriscadas perseguições pudemos imobilizar dois deles, o Apolo (o irmão imediato do Mercúrio, e terceira palanca nascida no santuário, em 2011), e um jovem macho de 3 anos agora chamado Xyami. Ambos foram libertados com coleiras VHF como planeado.

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Dando o antídoto ao jovem macho Xyami

Foram depois feitos voos adicionais de patrulha fora do santuário e, contra todas as expectativas, desta feita tropeçámos no Ivan o Terrível! Que bela surpresa que isto constituiu. Nunca o tínhamos conseguido observar desde que o largámos no santuário em 2011, e tudo o que conhecemos do seu comportamento deriva das suas mais ou menos regulares aparições no registo das câmaras ocultas. 41_a-enigmatico-e-criptica-chikumaA enigmático e críptica chikuma42_tratava-se-de-uma-femea-reprodutora-e-com-o-ubere-cheio42_Tratava-se de uma fêmea reprodutora e com o úbere cheio46_este-grande-macho-exigiu-dois-dardosEste grande macho exigiu dois dardos

47_perfil-de-machoPerfil de macho

04_ivan-o-terrivel-alguns-dias-antes-da-recapturaIvan o Terrível alguns dias antes da recaptura32_o-ivan-foi-encontrado-e-levou-com-o-dardo

O Ivan foi encontrado e levou com o dardo!33_a-ferida-da-armadilha-do-ivan

A ferida da armadilha do Ivan

Mas desta vez o fantasma não se conseguiu esconder e reagimos prontamente – ele foi capturado e agora libertado com uma coleira GPS!34_ivan-com-a-sua-nova-coleiraIvan com a sua nova coleira

Ele parece ter recuperado do incidente de caça furtiva de que foi vítima no final de 2013 e que quase lhe custou a vida. O seu ferimento parece ter sarado e muito embora tenha ficado coxo, pelo menos recuperou a maior parte da sua musculatura original. Tínhamos já antes discutido o que fazer com o Ivan na eventualidade de o encontrarmos, e tinha-se acordado que seria demasiado arriscado coloca-lo novamente dentro do santuário… ele já provou ser um louco imprevisível e pelo menos agora parece ter assentado e estar resignado fora, assim que melhor será deixá-lo, e de ora em diante segui-lo de forma remota – e que interessante tarefa isto será!35_-ivan-ainda-um-exemplar-magnifico

Ivan ainda um exemplar magnífico

Outra surpresa na Cangandala foi depararmo-nos com um jovem macho de pacaça que foi bem visto e fotografado. Contudo, uma inspecção posterior das fotos revelou um facto chocante: a pobre pacaça tinha um laço de arame à volta do pescoço!06_uma-pacaca

Uma pacaça07_um-olhar-mais-proximo-revela-um-cabo-de-arame-no-pescoco

Um olhar mais próximo revela um cabo de arame no pescoço

Para além do óbvio elemento revelador de caça furtiva e do sofrimento do animal, este registo trouxe mais dois elementos novos: foi a primeira vez que constatámos arame de aço como material para armadilhas de laço (o mais usado costuma ser cabos de aço de motorizadas), e a primeira vez que nos deparámos com laços de pescoço em vez de laços de pata.49_uma-armadilha-de-laco

Uma armadilha de laço

Claro que existe uma boa razão para isto, já que o trabalho, interrompido e temporariamente abandonado, de construção da vedação definitiva ao redor dos limites do parque vem utilizando fiadas de arame de aço em vez de rede tipo bonnox, desta forma providenciando um abastecimento ilimitado de arame para armadilhas; e o recurso a laços de pescoço pode ser simplesmente uma adaptação aos novos materiais disponíveis e à presença de pacaças. E como se esperava, nos dias seguintes os fiscais fizeram patrulhas nas zonas que foram assinaladas e recuperaram dezenas de armadilhas feitas com o arame de aço roubado da vedação.x136_muloge-e-fiscais-apresentando-armas-e-armadilhas-apreendidas-aos-cacadores

Muloge e fiscais apresentando armas e armadilhas apreendidas aos caçadores

No Luando a operação foi um grande sucesso. Antes do exercício tínhamos três manadas confirmadas na reserva, às quais podíamos acrescentar duas mais que tinham permanecido em dúvida (ambas não tinham sido localizadas nos últimos cinco anos, e uma destas presumíamos de qualquer forma ser muito pequena). Ao longo desta operação conseguimos localizar as três manadas melhor conhecidas mas também os dois grupos “perdidos”, totalizando assim cinco manadas. Não apenas isto mas, para grande surpresa nossa, o último grupo que julgávamos ser quase insignificante, na realidade revelou-se a maior das manadas de palanca negra gigante! Constata-se que este grupo tinha sido muito subestimado em 2009 e 2011 e que devíamos ter investido mais energia na sua procura em anos recentes. Continha por alturas da nossa captura em Agosto de 2016, 31 animais mas o número espera-se que possa ainda crescer nas semanas seguintes, até que todas as fêmeas tenham parido e se juntado à manada. As restantes manadas totalizaram 26, 21, 19 e 18 palancas (nesta contas incluem-se as crias presentes, mas exclui-se os machos territoriais). Por outro lado, a existência de uma sexta manada é agora muito mais improvável, já que muitas horas foram investidas em sobrevoos de áreas adjacentes de habitat propício e sem resultados.

 Um dado interessante ao analisar a estrutura dos grupos, foi que todas as manadas incluíram entre 8 e 10 fêmeas reprodutoras e 4 a 6 crias (quase metade das fêmeas estavam ainda prenhes), mas o que parece determinante para explicar as diferenças entre as manadas é o número de juvenis (1-2 anos)

 A manada maior tinha muitos e as duas manadas menores tinham muito poucos animais de 1 e 2 anos. Estes dados são bastante consistente com as nossas conclusões anteriores de que são os animais jovens os mais vulneráveis a armadilhas de tipo laço e reflecte-se nas classes etárias observadas nos diferentes grupos de acordo com os níveis de caça furtiva que sofrem. Estes animais juvenis são confiados, aventurosos e não particularmente fortes pelo que se tornam nas vítimas ideais. As manadas menores têm vindo a recrutar menos de dois imaturos por ano para a classe adulta e isto torna-se insustentável à medida que a manada progressivamente envelhece e vai-se reduzindo em número. Não surpreendentemente foi precisamente na área destas duas manadas que se registaram mais casos rela

Em cada uma das cinco manadas foram marcadas com coleiras duas fêmeas, e pelo menos uma destas com coleira GPS. No total foram colocadas nas fêmeas do Luando oito coleiras GPS e duas VHF. Foram também imobilizados nove machos, e em sete deles colocadas coleiras GPS. Entre estes machos alguns sobressaíram, incluindo Lucas, com cornos acima das 59 polegadas, e ainda Ngola com cornos a não superarem as 56 polegadas, mas provavelmente o macho mais bem constituído, poderoso e bem proporcionado que alguma vez manuseámos. O Ngola aparenta ser ainda mais forte que o Ivan, uma verdadeira obra-prima da natureza, o mais perfeito e escultural ícone e um digno representante deste antílope superior! E o Ngola foi encontrado acompanhando a maior das manadas.

 Durante esta operação foram registados muito menos sinais de caça furtiva em comparação com 2009, 2011 e 2013. Isto pode reflectir uma redução na incidência de furtivismo, mas também pode resultar do atraso no cacimbo de 2016, e o facto de que os caçadores-furtivos locais parecem ter aprendido que a presença do helicóptero significa sarilhos e imediatamente reagem removendo temporariamente as armadilhas e escondendo os acampamentos. De salientar que apenas encontrámos armadilhas activas nos primeiros dias de voo, e subsequentemente apenas encontrámos materiais meio-escondidos e acampamentos abandonados à pressa.37_um-acampamento-activo-de-cacadores-furtivos

Um acampamento activo de caçadores-furtivos99_uma-queimada-feita-por-cacadores-furtivos

Uma queimada feita por caçadores-furtivos78_-indicios-recentes-de-caca-ao-redor-duma-charca

 Indícios recentes de caça ao redor duma charca

Infelizmente os efeitos da caça furtiva nas palancas é ainda demasiado evidente, e não apenas reflectida na demografia e estrutura etária das manadas.

 Um dos primeiros animais que imobilizámos este ano no Luando foi a pobre Nádia, a jovem fêmea (nascida em 2011) que tínhamos tentado capturar a pé em Outubro de 2015 quando, baseados nos dados de GPS, suspeitámos que estava ferida tendo sido vítima de uma armadilha. Infelizmente esta suspeita confirmou-se de forma de forma vívida: ela coxeava e estava em más condições físicas, e tinha uma horrível ferida na sua pata dianteira direita. O Dr Morkel teve de improvisar uma intervenção cirúrgica de forma a remover o laço de cabo de aço que lhe constrangia a circulação sanguínea na pata e ameaçava gangrena e amputação.28_o-dr-morkel-improvisando-uma-intervencao-cirurgica

O Dr.Morkel-improvisando-uma-intervenção-cirúrgica25_avaliando-os-dentes-para-estimar-a-idade

Avaliando os dentes para estimar a idade26_como-suspeitavamos-desde-o-ano-passado-a-nadia-caiu-numa-armadilha-de-laco

Como suspeitávamos desde o ano passado, a Nadia caiu numa armadilha de laço!27_ela-teve-sorte-em-sobreviver-duma-ferida-tao-horrivel-e-dolorosa

Ela teve sorte em sobreviver duma ferida tão horrível e dolorosa29_o-cabo-de-aco-finalmente-removido-da-pata-da-nadia

O cabo de aço finalmente removido da pata da Nádia30_ferida-ja-tratada

Ferida Já Tratada31_nadia-libertadaNadia libertada

Ela deve ter passado por um sofrimento indescritível ao longo dos últimos meses. Ao menos esperamos ter-lhe mitigado o sofrimento e providenciado chances razoáveis para o seu restabelecimento. Miraculosamente ela estava lactante, significando que teria tido uma cria recentemente. Isto apenas terá sido possível porque ela deve ter sido fertilizada alguns dias apenas antes de ter caído na armadilha. É duvidoso que a cria venha a sobreviver considerando a má condição física da mãe, mas pelo menos a Nádia pôde manter o seu ciclo reprodutivo normal mesmo no seu pior ano.

 Mas estes não foram casos isolados, para além da Nádia e do Ivan, três machos manuseados também apresentaram ferimentos graves nas patas causados por laços, e em dois desses casos foi mais uma vez necessário remover cuidadosamente os cabos que lhes constrangiam as patas. Como em exercícios de captura anteriores, a taxa de animais feridos por armadilhas manteve-se acima dos 20% de todos os animais imobilizados, o que é um valor alarmante especialmente se levarmos em conta que devem representar apenas a ponta do iceberg. 71_macho-em-corrida

Macho em corrida72_sentindo-se-pedrado

Sentindo-se pedrado75_exibindo-se-para-a-camara

Exibindo-se para a câmara76_e-la-vai-ele-a-hernia-nao-parece-afecta-lo

E lá vai ele, a hérnia não parece afectá-lo

Dois machos marcados em 2009 e 2013 foram localizados este ano e estavam bem de saúde. Outras coleiras que deveriam estar ainda activas em machos não foram localizadas, excepto uma que correspondeu a um animal morto. Esta coleira levou-nos ao esqueleto do macho João, um animal de 10 anos marcado em 2013, e as condições verificadas sugerem que deve ter morrido há vários meses atrás. Ao inspecionarmos os ossos a causa da morte tornou-se evidente ao encontrarmos um fémur partido, que apresentava ligeiros sinais ligeiros de pós-crescimento.43_uma-coleira-activa-levou-nos-ao-esqueleto-dum-grande-macho

Uma coleira activa levou-nos ao esqueleto dum grande macho00_o-femur-partido-aponta-para-um-incidente-de-caca-com-armadilhas

O fémur partido aponta para um incidente de caça com armadilhas

Isto significou que foi uma perna partida, com fractura total do fémur, que levou à morte do macho. Tudo considerado, o cenário mais provável é que também ele, foi mais uma vítima duma armadilha de laço ou um “ferro”.10_lucas-pouco-antes-da-captura

Lucas pouco antes da captura16_desfilando-em-frente-do-helicoptero11_lucas-um-macho-enorme-com-cornos-de-59

Lucas um macho enorme com cornos de 59”12_lucas-magnifico

Lucas magnífico13_mas-ele-coxeava-por-causa-duma-velha-ferida-causada-por-um-laco

Mas ele coxeava por causa duma velha ferida causada por um laço14_segurando-lucas

Segurando Lucas15_um-simbolo

Um símbolo

Não houve desta feita nenhuns registos recentes da presença de leão no Luando, em função do que nos foi transmitido pelos pastores e locais.x109_os-pastores-bernardo-gabriel-e-manuel-sacaia-e-afonso-no-acampamento

Os pastores Bernardo, Gabriel e Manuel Sacaia, e Afonso no acampamento

Apesar disso um dos machos marcados, um jovem macho chamado Fernando, para além de ter uma pata ferida causada por uma armadilha provavelmente quando ainda teria menos de 3 anos de idade,83_macho-fernando

Macho Fernando84_macho-relativamente-jovem-e-ferido

Macho relativamente jovem e ferido85_mais-um-cabo-de-aco-removido-desta-feita-da-pata-de-um-macho

Mais um cabo de aço removido desta feita da pata de um macho87_um-olhar-de-despedida-antes-da-partida

Um olhar de despedida antes da partida

mas também apresentava indícios claros de ter recentemente sobrevivido ao ataque de um leão, com cicatrizes características em ambos os lados do pescoço, aparentemente resultado dum abraço de leão. Um macho de palanca negra gigante mesmo jovem e coxeando por causa dum ferimento antigo pode ser um oponente formidável, e provavelmente foi demasiado para este leão. O Fernando parece destinado a ser um sobrevivente!86_este-macho-sobreviveu-a-um-ataque-de-leao-que-deixou-cicatrizes-de-ambos-os-lados-do-pescoco

Este macho sobreviveu a um ataque de leão que deixou cicatrizes de ambos os lados do pescoço

Um outro aspecto importante desta operação envolveu a tomada de algumas medidas preventivas de combate à caça furtiva, num esforço conjunto entre a nossa equipa, o Ministério do Ambiente, as Administrações locais e o exército da Região Militar Norte. Uma campanha de esclarecimentos foi executada e os militares tornaram claro que a palanca negra gigante é um símbolo nacional a merecer total protecção e que estão preparados para endossar e fazer cumprir a lei se necessário. Como resultado e ao longo de várias semanas foi possível à administração local recolher dezenas de caçadeiras que estavam a ser usadas na caça dentro da reserva.

 De volta à Cangandala, a sequência mais notável obtida com as câmaras ocultas foi a de uma jibóia digerindo uma grande presa (talvez um bambi?) no cimo duma salina, enquanto um golungo se aproximava distraidamente.x151_uma-jiboia-digerindo-uma-grande-presa-na-presenca-dum-golungo

Uma jibóia digerindo uma grande presa na presença dum golungo

Cumprimentos,

 Pedro

 

2 Responses to “O Dia a Dia em Cangandala Para Assegurar a Continuidade da Palanca Negra Gigante. Completa Reportagem Fotográfica”

  1. Jorge diz:

    Um grande bem haja pelo vosso magnifico trabalho de conservação deste maravilhoso animal e à Quercus em Portugal por divulgar este trabalho.

  2. José Orlando diz:

    Parabéns pela reportagem, Pedro. Me chamo José, soum brasileiro, observador da Natureza e amante da Vida Selvagem. É possível visitar o parque? Gostaria de observar a Palanga Negra Gigante. Mais uma vez parabéns as Autoridades Angolanas e o pessoal de apoio logístico para preservar a espécie

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