Viagem a Bordo do Mais Luxuoso Comboio Africano Para Conhecer a História da África do Sul

Nova imagem (4)Imagine 27 horas de viagem a bordo do mais luxuoso comboio africano, para reviver, num autêntico hotel cinco estrelas sobre rodas, a chegada dos europeus à África do Sul, atraídos pela febre do ouro e pelos diamantes, no início do século XX. A proposta é do Blue Train, cuja rota, entre a Cidade do Cabo e Pretória, ligando dois dos centros nevrálgicos da África do Sul, remonta à década de 1920 e é uma das mais emblemáticas do mundo, juntamente com o Expresso do Oriente e o Transiberiano.

Os vagões são cobertos de madeira de alta qualidade. No interior, há suítes discretas, com diversos detalhes, e bares e salões para se poder conversar e relaxar, desfrutando de espetaculares vistas em transformação através de todas as janelas – vistas essas que alcançam o ponto alto ao atravessar o deserto de Karoo.

«Quando as embarcações atracavam na Cidade do Cabo, os passageiros subiam para os comboios, para viajar rumo ao norte. O comboio voltava depois com outros passageiros, que embarcavam para Inglaterra, levando com eles o correio», explica Herbert Prinsloo, gerente de bordo do Blue Train.

Entre os milhares de «aventureiros» e «exploradores» que viajaram no Blue Train desde o seu nascimento, Prinsloo destaca figuras de renome, como o rei George VI, de Inglaterra, que, juntamente com a sua família, o utilizou como meio de transporte durante a sua visita à África do Sul, em 1947. Para que o rei pudesse sempre beber leite fresco, o comboio levou uma vaca viva a bordo.

Conhecido no início das suas viagens como «o comboio do champanhe», pelos brindes eufóricos que se faziam sempre que era fechado um negócio nas minas de Joanesburgo ou de Pretória, o Blue Train continua hoje a ser um cenário de celebração e alegria.

«Muitas mulheres presenteiam os maridos com viagens de aniversário. Outros casais casam-se no comboio, ou numa das nossas paragens de 45 minutos, e continuam depois a viagem como lua-de-mel», conta Prinsloo, que trabalha nesta rota desde 1989.

Além do ambiente festivo, mantém-se invariável a origem de boa parte dos passageiros: «ingleses, americanos e australianos» são alguns dos passaportes mais utilizados para reservar bilhetes, cujos preços oscilam entre 1015 e 2030 dólares, dependendo da temporada e da classe escolhida.

«Os japoneses representam 16% do mercado», destaca Prinsloo sobre a grande novidade na procedência dos passageiros do Blue Train, que opera ainda com o nome que lhe foi dado, graças aos seus imaculados vagões de cor azul, em 1946.

O histórico comboio sul-africano – que atualmente circula a uma velocidade média de 80 km/h – retomou o serviço após ter sido utilizado para transporte militar durante a Segunda Guerra Mundial.

«Já viajámos em vários comboios europeus, mas o Blue Train será sempre a nossa primeira grande rota», diz, na sala de espera da Estação de Pretória, a australiana Deborah Jones, que viajou para a África do Sul com amigos para um casamento e se dispõe a continuar depois as suas férias na Cidade do Cabo.

Uma das duas paragens que o Blue Train faz no seu percurso acontece na viagem entre Cidade do Cabo e Pretória e é o balneário vitoriano de Matjiesfontein, fundado em 1884 e situado no Karoo.

A escala no sentido contrário é na cidade de Kimberley, a cerca de 470 quilómetros de Joanesburgo e berço da mineração de diamantes na África do Sul. No local, os viajantes visitam a antiga cidade mineira, em cujas casas, ainda intactas, viveram os pioneiros desta indústria, e o Big Hole, o maior buraco do mundo escavado com pá – uma cratera de 214 metros de profundidade, uma superfície de 17 hectares e um perímetro de 1,6 quilómetros.

Entre 1871 e 1914 foram extraídos da mina 2722 quilos de diamantes, para o que foi preciso retirar 22,5 milhões de toneladas de terra, segundo a empresa mineira De Beers, dona da exploração.

Propriedade da empresa pública ferroviária sul-africana Transnet, o Blue Train possui 19 vagões e pode transportar cerca de 80 passageiros.

África 21 online

 

 

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