Fórum de Negócios em Porto Amboim Mobilizou Governantes, Homens de Negócios e Até Diplomatas de Vários Países

forum_porto_amboimAo grande desafio lançado pelo Executivo sobre a necessidade de  aumentar e diversificar a produção nacional, a província do Cuanza Sul e o município do Porto Amboim, em particular, responderam com a realização de um Fórum de Negócios e de Investimento.

A iniciativa  mobilizou governantes, homens de negócios e até diplomatas de vários países e constituiu um êxito, como avaliou o empresário Pinto Conto, co-responsável pela organização do Fórum de Negócios e Investimento de Porto Amboim. “Juntámo-nos ao Governo Provincial do Cuanza Sul de modo a marcar um ponto de partida para resposta positiva que pretendemos dar ao desafio lançado pelo Governo, contribuindo na redução do peso do petróleo no nosso PIB e na substituição gradual das importações.”
O Fórum de Negócios e de Investimento, por ocasião dos 429 anos da cidade, realizou-se em apenas um dia, mas, quer na véspera quer depois, Porto Amboim viveu um movimento fora do comum, com delegações empresariais em intenso movimento, ora visitando infra-estruturas económicas há muito inoperantes ora analisando áreas  já identificadas pelas autoridades locais para futuros investimentos por parte do sector privado. E foram anunciados incentivos aos investidores que decidam domiciliar os seus projectos na região.

Missão cumprida

Pinto Conto disse à reportagem do  Jornal de Angola que o objectivo  de captar investidores e incentivar o empresariado angolano foi alcançado. Podemos notar, referiu, que os participantes ao fórum saíram satisfeito com a oportunidade de constatar as potencialidades da província e em particular o município do Porto Amboim, a nível da pesca, agricultura e turismo.
É necessário que os empresários apostem nas demais províncias do país, onde existem também grandes potencialidades a serem exploradas e que não fiquem apenas por Luanda, disse Pinto Conto, que acrescentou: “Temos verificado uma forte tendência de medir o ambiente de negócios a partir da capital e não são poucos os que desconhecem a realidade e as potencialidades económicas no interior do país.”

Investimento de qualidade

Relativamente à necessidade de os empresários investirem nas demais províncias, o director da Unidade Técnica de Investimento Privado (UTIP), Norberto Garcia, que discursou na abertura do Fórum de Negócios e de Investimento da cidade do Porto Amboim, disse que o país precisa de verdadeiros empresários, “dinâmicos e capazes de captar financiamentos para investir nos diversos sectores da vida económica”.
Referindo-se ao novo quadro económico, no âmbito do qual têm sido adoptadas medidas que visam aliviar o peso do petróleo na economia nacional e diversificar as exportações, Norberto Garcia sublinhou que o país atravessa um “momento diferente”, e o Executivo está “preparado para receber mais investimento privado e encontrar soluções para a concretização dos projectos e ideias que podem ser executadas em pouco tempo”.O director da UTIP, órgão afecto ao Gabinete Presidencial, defendeu uma maior divulgação da nova Lei do Investimentos Privados. Norberto Garcia destacou as inovações que o diploma inclui e o importante papel no processo de reforma, que tem por objectivo impulsionar a participação do sector privado na economia nacional e na produção, em particular.
A adopção de medidas para o melhoramento do ambiente de negócios em Angola, com dinamização e aumento da qualidade da produção nacional foi garantida por Norberto Garcia. O director da UTIP acrescentou que com este tipo de desempenho é possível “criar um bom clima de investimentos e negócios privados, para catapultar projectos estruturantes para níveis mais altos capazes de impulsionar as áreas produtivas”.

Incentivos fiscais

Com o novo ambiente de negócios, referiu Norberto Garcia, o empresariado encontra benefícios fiscais que favorecem um investimento de qualidade que satisfaça o interesse do investidor, bem como os princípios e objectivos do investimento privado em Angola. Norberto Garcia considerou prioritária  a potenciação e a capacitação das empresas nacionais, como forma de gerar capacidade de produção de qualidade para o consumo interno e externo.

Porto em construção

Um dos temas que despertou a atenção dos participantes no fórum,  e um dos mais aguardados, foi a apresentação do projecto de construção de um novo porto na cidade. Coube ao director-adjunto para a Área Técnica do Instituto Pecuário e Marítimo,  assinalar o rápido escoamento da produção agrícola para o mercado externo, mas também para outras regiões do país, como uma das grandes vantagens do novo porto.
Manuel Arsénio destacou o momento em que surge o projecto, especialmente no que diz respeito à procura de uma economia diversificada. “A construção do novo porto acontece num momento que podemos considerar ideal, porquanto o país aposta na diversificação da economia, no aumento da produção e no fomento do comércio inter-regional.”A obra  tem um orçamento global de 1.08 mil milhões de dólares e está a cargo de um consórcio constituído pela Sonangol Holding e a Sogesters. Ambas asseguram 70 por cento da construção, enquanto a outra empreitada é adjudicada a empresas privadas, explicou Manuel Arsénio. Dados avançados pelo director-adjunto para a Área Técnica do Instituto Pecuário e Marítimo, refere que na primeira fase foram aplicados 500 milhões de dólares.
Após a conclusão das obras, está previsto um período experimental em que o porto  recebe  dois navios de médio porte e, na fase efectiva, está em condições de receber em simultâneo sete embarcações de médio e grande porte.

Área estratégica

A construção do porto resulta da necessidade de uma área intermédia entre o Porto de Luanda e o Porto do Lobito, referiu Manuel Arsénio, que sublinhou o facto de a orla marítima do Cuanza Sul ser uma área estratégica para trocas comerciais de vários produtos desde a era colonial.
Nessa altura, ressaltou, a região era grande produtora de café, estabelecendo uma ligação entre a província de Benguela e Gabela, através de Porto Amboim.  Alguns armadores de pesca presentes no fórum defenderam a necessidade de o Governo reforçar o sector com a criação de mais infra-estruturas, a curto e médio prazos, para facilitar o incremento dos níveis de captura e gerar mais postos de trabalho.

Algodão é bom negócio

O director nacional da Agropecuária interveio no Fórum de Negócios e de Investimento. Adelino Rodrigues destacou o relançamento da produção de algodão nas províncias de Malanje, Cuanza Sul e Cuando Cubango, uma aposta do Executivo, que vai permitir a reactivação de várias unidades fabris nessas regiões.
Adelino Rodrigues director nacional da Agropecuária  defendeu a recuperação das fábricas para  receberem matéria-prima, numa altura em que se registam vários incentivos para a produção do algodão. “Peço aos produtores que aproveitem a oportunidade de investir no sector algodoeiro, num momento em que há terras e águas abundantes, cabendo apenas aos agricultores a aquisição de equipamentos para facilitar a rega do plantio”, afirmou o director nacional da Agropecuária  Adelino Rodrigues, que concluiu: “A julgar pelas necessidades do mercado estimadas em cerca de 60 mil toneladas, as províncias do Cuanza Sul, Malanje, Cuando Cubango e Benguela podem satisfazer a procura do algodão, tendo em conta as suas potencialidades.” 

Jornal de Angola/Luís Pedro

 

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