Vão Sair a Partir de Agosto os Médicos Cubanos a Trabalhar em Angola, que Causará Grandes Problemas no Serviço de Saúde

medicos_cubanosUma notícia veiculada nas redes sociais, mas fazendo referência a dados muito concretos, dá conta do regresso paulatino de médicos, académicos e outros quadros cubanos ao seu país, por falta de pagamento do Governo angolano. A questão já está a causar preocupação, particularmente no sector da Saúde, onde mais se sente a necessidade desta força de trabalho qualificada.Em causa, está o facto de, supostamente, o Governo Angolano não estar a honrar, há cerca de três anos, os pagamentos à Antex, empresa estatal de Cuba que contrata médicos, professores, além de especialistas em construção civil para prestação de serviço em Angola.Os profissionais, sobretudo médicos, actuam em grande parte das unidades sanitárias existentes, ou seja, em 18 províncias e 64 municípios, e a sua redução repentina é, como se vê, susceptível de provocar um caos nos Serviços Nacionais de Saúde.De acordo com a informação a que o Agora teve acesso, há cerca de três anos que as autoridades angolanas deixaram de honrar o compromisso de pagar a Antex e, através desta, os técnicos cubanos. Segundo a fonte, a situação tornou-se de tal sorte insustentável que a Antex, que assegurava nos últimos anos o pagamento dos técnicos com fundos de que ainda dispunha, chegou ao limite das suas reservas, decidindo daí, na última semana, iniciar um processo de retirada dos profissionais que vieram prestar serviços ao país, à luz dos acordos bilaterais entre os dois Estados.DE VOLTA À TERRA DE FIDEL E RAUL.Nesta ordem de ideias, segundo a fonte, a retirada dos cubanos iniciará a 4 de Agosto próximo. Assim, “sairão semanalmente de Angola, de regresso à pátria de Fidel e Raul, 150 médicos, professores e demais técnicos”. Consumado o facto, reforça, significa que, “em termos práticos, o serviço de saúde prestado à população vai perder ainda mais qualidade e, mais do que isso, boa parte das faculdades de Medicina corre o risco de não ter condições para ministrar a totalidade das disciplinas curriculares”.medicos_cubanosDestaca, igualmente, que, a ser verdade, o sonho de muitos jovens de se formarem em Medicina será, por isso, abruptamente interrompido ou condicionado e os bancos de urgência dos hospitais, que eram em grande medida assegurados por especialistas cubanos, correm o risco de acumular situações desagradáveis, quer para os pacientes que para lá acorrem, quer para os poucos médicos angolanos que os terão de assegurar.A fonte alerta ao Estado a tomada de medidas correctivas urgentes que se impõem para evitar uma verdadeira hecatombe no sistema de saúde, do qual depende a maioria da população. “É preciso não esquecer que a maioria dos angolanos ainda depende deste sistema e não do tratamento no exterior nem das clínicas privadas. Pensemos nisso”, reforça. O Agora ouviu um alto funcionário do Ministério da Saúde que revelou apenas o seguinte: “Também fiquei surpreendido com esta notícia”, acrescentando que, “se temos dívida, isso permite realmente uma reacção”.O mesmo contacto indicou que iria junto dos superiores hierárquicos procurar saber de mais detalhes nesta sexta-feira. Do residencial ‘Flamingo’, na rua António Barroso, em Luanda, onde reside boa nata de médicos da Ilha do Caribe, também pouco ou nada ‘transpirou’ exactamente, uma vez que “desconhecemos a nossa retirada paulatina”. Desconhecendo ou não, a notícia não deixa de ser preocupante, tendo em conta a crise em que o país vive, até porque a recente visita ao nosso território do vice-presidente cubano do Conselho de Ministros, Ricardo Cabrizas Ruiz, reforça o presságio de que as ‘coisas estarão mesmo feias’.O Executivo Angolano estará com a ‘corda no pescoço’, já que, para além dos salários, terá uma avultada dívida interna resultante do aluguer de casas, instalação em hotéis, ou ainda, o asseguramento de transporte e refeições para acomodar a mesma força de trabalho expatriada em muitas regiões do país como é o caso de Benguela onde há médicos instalados em duas das principais unidades hoteleiras de referência: o hotel Praia Morena e o aparthotel Mil Cidades.O vice-presidente cubano esteve em Julho último, em Luanda, durante quatro dias, para o reforço das relações bilaterais e um dos pontos ‘quentes’ da agenda foi a dívida de Angola a Cuba. Ricardo Ruiz veio supostamente em resposta à visita que o vice-presidente angolano, Manuel Vicente, efectuou àquele país da América Latina, onde a petrolífera Sonangol está presente nas operações de prospecção dos hidrocarbonetos em offshore.Angola e Cuba estabeleceram relações diplomáticas a 15 de Novembro de 1975, quatro dias depois da proclamação da independência do país, tendo assinado um Acordo Geral de Cooperação em 1976. A relação entre os dois países abrange áreas como a defesa e a segurança, urbanismo e habitação, construção civil e obras públicas, educação, ensino superior, alfabetização, energia, transportes aéreos, tecnologias de informação, indústria, bem como geologia e minas.NÚMEROS.Não se sabe ao certo o número de cubanos a trabalhar em Angola, mas, no ano passado, estimava-se, só no sector da Saúde, a existência de mais de 1.800 profissionais.A presença cubana na Saúde vai desde a área de oftalmologia ao apoio a programas de combate à malária e dengue ou à integração nas equipas médicas das unidades públicas. A cooperação estende-se, igualmente, à atribuição de bolsas de estudo, bem como ao apoio na formação de médicos em território nacional, área em que o Governo pretende atingir, este ano, 500 licenciados face aos 300 formados em 2014.“É o país que está disponível para nos ajudar. Todos são úteis, se estiverem disponíveis e, nas condições em que queremos, não haverá problemas, desde que garantam a qualidade e façam aquilo que nós queremos”, disse António Costa. “Devemos aproveitar todas as oportunidades”, sublinhou o responsável pela Direcção Nacional dos Recursos Humanos da Saúde. Note-se que uma das maiores referências da presença cubana em Angola, no sector da Saúde é o hospital oftalmológico de Benguela. 

Agora/Júlio Gomes com Nelson Sita

 

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