Governo Angolano Regulariza Situação de Professores e Médicos Cubanos, Que Ameaçavam Regressar a Casa

professores_cubanos

Foto Mário Mujetes

O Governo angolano já começou a pagar a dívida que tem com Cuba, resultante da prestação de serviços na educação e na saúde, através da empresa Antex. Responsáveis cubanos garantem que, apesar da dívida, os técnicos caribenhos vão continuar, por isso, a trabalhar. A dívida provocou pressões de Havana.

A dívida de Angola a Cuba obrigou a que o vice-ministro do Conselho de Ministros, Ricardo Cabriza Ruiz, tivesse vindo a Luanda pressionar as autoridades angolanas a desbloquear as verbas por saldar. Os salários e as casas de grande parte dos profissionais cubanos que se encontram em Angola estavam a ser suportados por Havana que assim garantia a permanência de quadros cubanos, em especial, médicos, professores e engenheiros
Luanda prometeu liquidar a dívida ao vice-ministro cubano. Uma fonte governamental garantiu ao NG que esse pagamento começou a ser processado a semana passada, através do Ministério das Finanças, descartando, desta forma, qualquer hipótese de um intempestivo regresso a casa dos profissionais cubanos.

Angola pode assim respirar de alívio. Esta possível debandada para Cuba chegou a agitar os meios sociais e políticos. Mas essa retirada não se consumará e, acredita o director-adjunto da Antillana Exportadora (Antex), as relações entre os dois países parecem “estar longe de chegar ao fim”. Em declarações ao NG, Angel Contreras Miranda confirmou que Angola tem uma dívida para com a instituição que dirige. No entanto, tem “dúvidas” de que, por isso, as relações que remontam desde 1975 estejam em risco.
O responsável da Antex desconhece a orientação do seu país para mandar regressar os profissionais, entre médicos, professores, engenheiros e outros quadros, e limitou-se a remeter para o Governo angolano qualquer decisão. O NG sabe, no entanto, que não havia pagamento à Antex desde há mais de seis meses. E que, face às dificuldades da empresa cubana em honrar os compromissos financeiros, quer com os seus quatro mil quadros colocados em Angola, quer com as rendas de casa e de instalações espalhadas pelo país, tinham seguido cartas para os principais ministérios angolanos em falta. Não podiam ser mais “persuasivas”: se as dívidas não ficassem saldadas até ao dia 6 de Agosto, a Antex mandava regressar todos os seus quadros para Cuba.

Meio século juntos

Angola e Cuba mantêm relações de cooperação há 40 anos em vários sectores, sobretudo nos domínios da Saúde, Educação – com enfoque para a alfabetização – e do Ensino Superior.
Actualmente, a Antillana Exportadora (Antex), órgão responsável pela cooperação cubana em Angola, controla mais de quatro mil profissionais em diversas áreas do saber, entre médicos, docentes, engenheiros, etc.
No Ensino Superior, estão em Angola mais mil docentes universitários para as áreas das engenharias agronómica, florestal, hidráulica, mecânica, informática, electrotécnica; e das ciências médicas e da saúde. Neste sector, já foi possível criar cinco novas faculdades de Medicina e que, segundo o ministro Adão do Nascimento, do Ensino Superior, “vai garantir a criação de 25 novos cursos e, ainda este ano, a formação de 200 médicos”.
Uma das grandes apostas da cooperação cubana para o ensino tem sido a expansão dos programas de alfabetização em todas as províncias, através do método ‘sim, eu posso’, que já permitiu que mais de milhares de pessoas aprendessem a ler e a escrever.
O responsável pelo apoio ao ensino superior juvenil da Embaixada de Angola em Cuba, Caetano Domingos, aponta a existência de 1.671 estudantes de licenciatura e 230 em pós-graduações, distribuídos pelas 15 províncias. Estes estão a ser formados em Medicina, engenharias várias e outros ramos da Pedagogia.
Mesmo antes da independência, Cuba auxiliou o MPLA a chegar ao poder, o que motivou a forte ligação entre o líder cubano Fidel Castro e Angola nos anos seguintes até hoje. A ajuda militar, com armamento e homens, e a cooperação na Saúde e no Ensino foram os primeiros fortes apoios que Cuba forneceu a Angola a partir de Novembro de 1975.

Quase metade
Durante a visita do primeiro vice-presidente cubano, Miguel Diaz Bermúdez a Angola, em Março deste ano, o ministro de Estado e Chefe da Casa Civil do Presidente da República, Edeltrudes Costa, divulgou que, em Angola, os quadros cubanos representam mais de 42 por cento dos médicos e mais de 70 por cento dos especialistas no sector da Saúde.

Nova Gazeta/Edno Pimentel/Emídio Fernando


 

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Anti-Spam * Time limit is exhausted. Please reload CAPTCHA.