Com Uma Rede Hídrica Invejável Terras Vastas e Férteis, o Cuando Cubango Tem Condições Favoráveis ao Investimento Agrícola.

gadoO Cuando Cubango revela grande vocação para estar na vanguarda da produção agroalimentar e na promoção do agronegócio no país. Com 199.049 quilómetros quadrados, uma rede hídrica invejável, terras vastas e férteis, o Cuando Cubango tem condições favoráveis ao investimento agrícola.

Mais do que isso, o Cuando Cubango tem recursos naturais e uma paisagem que favorece o desenvolvimento do turismo, além de uma enorme diversidade mineral. É a olhar para estas potencialidades que as autoridades da província, depois de terem realizado o primeiro e segundo fórum económico, prepararam o terceiro, que decorre hoje, em Luanda, no Centro de Convenções de Talatona. A captação de investimento é o grande objectivo.

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O fórum económico sobre agricultura e turismo no Cuando Cubango pretende dar a conhecer aos empresários e demais intervenientes as potencialidades da província. Da parte das autoridades o apoio ao investidor está assegurado. O objectivo é atrair investimento privado para reduzir os índices de atraso da província. “Achou-se por bem, em coordenação com o Governo Central, trazer o Fórum para Luanda, capital financeira do país, por concentrar a maior presença de empresas de todos os segmentos para discutir três temas, agricultura, turismo e mineração”, disse o vice-governador provincial para a esfera económica, Ernesto Kiteculo.
O Plano de Desenvolvimento Económico do Cuando Cubango abarca várias áreas, mas é a agricultura o sector no qual recai toda a atenção das autoridades.
O assessor do governador provincial do Cuando-Cubango, Pedro de Morais, fala da disponibilidade de terras e água e explica que as autoridades procuram identificar fontes de conhecimento, tecnologia e capital que permitam promover a produção no território do Cuando Cubango, numa altura em que o agronegócio e o turismo continuam a ser os sectores mais ambicionados.
“Com base em estudos feitos no quadro do Plano de Desenvolvimento Nacional, chegou-se à conclusão de que a vocação da província é a produção de alimentos. No Cuando Cubango podem-se produzir alimentos para o país mas também para exportação. Tem terra e água”, sublinhou Pedro de Morais.

Turismo

A província do Cuando Cubango está inserida no Projecto Transfronteiriço Okavango-Zambeze, que integra cinco países da SADC. “Comparando os níveis de desenvolvimento de Angola com os outros países-membros, Angola tem ainda muitas debilidades no plano de infra-estruturas, de hotelaria e de recursos humanos. Há necessidade de acertar o passo”, reconheceu Ernesto Kiteculo.
Mas isso, realçou, implica atrair investidores estrangeiros para as áreas do turismo, da biodiversidade, da flora, fauna, ou seja, todo um conjunto de potencialidades que a província oferece e que de alguma maneira ajuda a atrair o investimento externo e nacional para ombrear com países como a Zâmbia, Namíbia, Botswana e Zimbabwe.
Há necessidade de se fazer intercâmbios regionais. O Cuando Cubango organizou um encontro com os ministros do Turismo na província em 2013, o que ajudou em grande medida a perceber quais as potencialidades que a região oferece, e em que medida é que o sector empresarial público e privado pode participar dos mesmos. O governo provincial contratou uma empresa que desenvolve estudos em todas as vertentes do turismo e vai apresentar o tema no fórum.

Mineração

O tema dos recursos minerais deve dominar as discussões no terceiro fórum económico sobre o Cuando Cubango, onde existem várias ocorrências minerais, que vão do cobre aos diamantes, passando pelo ouro, fosfato, zinco, ferro, manganês, petróleo e urânio.
“Todas essas incidências são apetecíveis ao sector empresarial. Dos três temas, a mineração é a menos estudada”, disse Ernesto Kiteculo. Para perceber até que ponto a província do Cuando Cubango é rica em recursos minerais, o Executivo, por intermédio do Ministério da Geologia e Minas, lançou em 2014 o Planageo, que visa a descoberta de mais ocorrências no território.
O plano lançado no Cuando Cubango já começou a ser desenvolvido com o apoio de duas aeronaves especializadas. O objectivo é mapear o território do Cuando Cubango para que se saiba com exactidão, nesta primeira fase, o que a província oferece em recursos minerais.
No segmento da exploração diamantífera, o presidente do conselho de administração da Endiama promoveu uma visita à província com empresários estrangeiros interessados na prospecção de um conjunto de ­ocorrências minerais. São no total 45 grandes empresas e outras de médio e pequeno porte que solicitaram a exploração de diamantes e outros tipos de minerais. No município de Mavinga, um município que detém um grande potencial mineiro, já há garimpo de diamantes.

Agricultura

Apareceram dezenas de empresários zimbabweanos, namibianos, sul-africanos e nacionais, após a realização do primeiro e segundo fóruns. Muitas mostraram interesse na intermediação da venda do arroz produzido na fazenda Longa, um projecto do Executivo e do Ministério da Agricultura com a empresa angolana Gesterra e uma empresa chinesa. O investimento no projecto já vai na ordem dos sete mil milhões de kwanzas.
A nível da agricultura e do agro negócio há interesse de empresas angolanas investirem na produção do biodiesel, açúcar e álcool e outras que pretendem investir na produção de cereais em grande escala.
José Pedro de Morais, assessor do governo provincial, disse que as autoridades da província têm estado a propor à comunidade de investidores um verdadeiro modelo de negócio que rompe com aquilo que tem sido feito noutras paragens. “Quem tem conhecimento e capital pode realizar projectos no domínio da produção de alimentos na província para abastecer o mercado interno e externo. Há um recurso que começa a faltar no mundo, é justamente a disponibilidade de terra para a produção”, disse Pedro de Morais, afirmando que a questão de disponibilidade de terras é hoje um factor competitivo.
A principal preocupação do governo provincial do Cuando Cubango, argumentou o assessor, não é ter no fórum um conjunto de empresas a oferecer serviços ou equipamentos para o Cuando Cubango. “Não é isso. O que se quer é realizar projectos conjuntos, identificar quem tem “know how”, capital e identificar também as iniciativas nacionais que se possam associar a estes investidores estrangeiros”, sublinhou.
O mapeamento de todo o território da província para identificar áreas agrícolas promissoras está a ser feito.

Serviços

Já foram realizados dois fóruns económicos para o investimento no Cuando Cubango. E no intervalo entre o primeiro e o segundo a província cresceu 15 por cento na área dos serviços (banca, seguros, sector comercial, turismo, restauração e transporte). No domínio da hotelaria e turismo, a província do Cuando Cubango passou de 45 camas em 2012 para 350 em 2014 com o surgimento de vários “lodges”, hotéis, albergarias e aldeamentos turísticos.
Nas empresas de construção civil registou-se um grande crescimento. Existem nesta altura, na cidade de Menongue, 714 empresas de construção civil, de pequeno, médio e grande porte. A província tem investido nos recursos humanos, não só na­ ­disseminação das infra-estruturas escolares mas também na criação de espaços para formação profissional. No Missombo está criada a escola agrária.

Associação empresarial

Na sequência do último fórum, foi notada uma grande apetência de investidores vindos de outras partes do país e do mundo. A preocupação é ver como se pode levar de uma forma organizada os empresários a investir na província. Mas a outra preocupação é envolver empresários locais. “O investimento numa província faz-se com grandes empresas mas também com pequenas e médias empresas. É nesse sentido, que em parceria com o governo do Cuando Cubango, está a realizar-se uma bolsa de contactos e de projectos concretos”, disse Francisco Viana, da Associação Empresarial de Luanda.
Os empresários devem inscrever-se para o ciclo de missões que vão ser organizadas na área de agronegócio, com destaque para os grandes cultivos, pecuária, comércio e indústria para localmente industrializar uma infinidade de produtos. Uma outra missão vai ser organizada para as áreas da mineração e do turismo.

Jornal de Angola/João Dias

 

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