O Parque Nacional da Quiçama Recebeu Mais de 80 Animais Através da Operação Arca de Noé, Um Orgulho Para o País

elefantes 1A Operação Arca de Noé, realizada há 14 anos, em que animais foram transportados de avião com destino ao Parque Nacional da Quissama, é um orgulho para o país.

Elefantes, gungas, olongos, gnus, zebras, girafas e avestruzes desde então reproduzem-se em grande escala no seu habitat natural. O padrinho desta operação foi o Presidente José Eduardo dos Santos.
A Operação Arca de Noé foi montada em plena guerra (2000) quando no Sul e Sudeste de Angola as máfias organizadas dizimavam elefantes e traficavam o marfim.Levou ao Parque da Quissama 80 animais que cresceram e se reproduziram. Hoje são mais de 500 animais protegidos e que habitam na chamada Zona Especial de Conservação do Caua, num espaço de 21 hectares.
Roland Goetz, assessor do Instituto Nacional da Biodiversidade e Áreas de Conservação do Ministério do Ambiente, disse que a Arca de Noé foi a maior operação do mundo de transporte de animais por via aérea. Em 2000, chegaram 18 elefantes e três crias. Dois acabaram por morrer, ficando apenas 16. Vieram oito gungas, que hoje são mais de 140, dez olongos, com uma reprodução de mais de 60.
Na segunda fase, em 2001, chegaram mais 16 elefantes e três crias. E 12 gnus, hoje existem 80, 14 zebras, agora com mais de 80, quatro girafas, hoje são mais de 36 e 12 avestruzes, que devido ao habitat impróprio, não se reproduzem e acabaram por morrer dois.
O Parque Nacional da Quiçama tem, como disse Roland Goet, condições suficientes para os animais viverem bem e se reproduzirem em grande escala. Muito antes da operação Arca do Noé, disse, foi feito um estudo por especialistas para a avaliação do terreno.

O gigante do parque

Hoje, os elefantes são mais de 160, o que é positivo em 14 anos. Estão agrupados em cinco a seis famílias. A maioria é jovem e em cada dez elefantes, sete são fêmeas, para satisfação de Roland Goetz, que acompanha de perto a evolução dos animais. “O habitat é muito bom. Há boa comida e água suficiente para o bom desenvolvimento dos animais”, disse.
Depois do Olongo, está o elefante considerado o segundo maior animal da Zona Especial de Conservação do Parque Nacional da Quissama. A zona é para animais de grande porte, embora sejam vistos outros como os golungos, seixas, manatins e nunces.
Dificilmente são avistados. É preciso percorrer quilómetros e quilómetros de mata para cruzar com um deles. Preferem o mato. A mata fechada. Estão sempre a comer e só saem como disse o fiscal do parque, Ernesto Domingos, no período da tarde, para se banharem e beber água.
São vistos também onde existem pequenos lagos e à beira do rio Cuanza. As enormes pegadas no chão, os arbustos e árvores quebradas e o cheiro das fezes no ar são sinais de que um elefante passou ou está por perto.

Leia Mais

A equipa de reportagem do Jornal de Angola, acompanhada pelo director-geral adjunto do Instituto Nacional da Biodiversidade e Áreas de Conservação, Óscar Vieira Lopes, e dois fiscais do parque, percorreu a mata durante sete horas para avistar o primeiro elefante. Bom sinal, porque onde há um, existem sempre mais. Não demorou muito para surgir uma família de três. A mãe com duas crias. Naquele dia, andavam apenas em grupos de três. Aqui não há traficantes de marfim.
Os elefantes gostam da múcua e de maboque. A multiplicação de embondeiros na zona, é devido aos elefantes. São inofensivos e só reagem quando se sentem ameaçados. Existem técnicas de afastá-los. Basta um assobio., disse o fiscal Ernesto Domingos. Existem os elefantes solitários. Aqueles que devido à idade, sentem a vida a esfumar-se e apartam-se do grupo dos mais jovens. Alguns abandonam a comunidade por ciúmes dos elefantes mais jovens que querem as fêmeas só para eles.

Guias e fiscais

O Parque Nacional da Quissama recebe muitos visitantes, na sua maioria estrangeiros que contam com um acampamento com alojamentos. Por dia, recebe entre sete a dez turistas. Nos feriados e fins-de-semana o parque fica cheio.
Com uma extensão de 960 mil hectares, o Parque Nacional da Quissama conta com 31 fiscais que garantem a segurança e os guias, encarregados de proporcionar a ventura aos turistas pelo mato. Todos os turistas que vão ao parque querem ver os elefantes. A administração do parque aposta cada vez mais a zona turística, com a reabilitação das infra-estruturas, aumento da fiscalização na salvaguarda e preservação dos animais com a formação do pessoal.

O fiscal dedicado

Ernesto Domingos é fiscal do Parque da Quissama há 11 anos. Valente e dedicado, considera-se um activista do Ambiente. Mostrar a importância da protecção da fauna e da flora é a sua missão. Conhece as zonas do parque como a “palma da mão”. Desde o Rio Cuanza ao Longa. Os animais para ele, são como da família.
A arma serve para pôr em respeito os caçadores ilegais, que ameaçam o lar dos animais que também é o seu.
As técnicas para lidar com os animais vieram com a longa experiência. Trabalha por turnos, 15 dias no parque e outros 15 de folga. Corre e fareja o ar. Foi graças à sua persistência e à do seu colega Dinis, o motorista, o sucesso da grande missão de encontrar elefantes no meio do mato.
Enquanto no Cuando Cubango uma rede mafiosa dizimava elefantes e traficava marfim, na Quiçama foi montada a Operação Arca de Noé, apadrinhada pelo Presidente José Eduardo dos Santos. De um lado a morte e do outro a vida selvagem em todo o seu esplendor.

Jornal de Angola/Nilza Massango

 

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Anti-Spam * Time limit is exhausted. Please reload CAPTCHA.