52 Anos de Elevação a Cidade, a Gabela Aposta no Futuro

gabela_01Gabela, sede do município do Amboim, Cuanza Sul, celebrou 52 anos da elevação cidade no dia 6. Dados oficiais referem que os primeiros colonos portugueses se instalaram na região em 28 de Agosto de 1907, data que foi celebrada até ao ano passado.

Autoridades e habitantes da Gabela em particular e do Amboim em geral viveram as comemorações com optimismo devido, em parte, à forma como decorream e aos prgressos registados na região, principalmente as obras de requalificação da cidade.
Várias infra-estruturas sociais estão a ser instaladas no quadro dos programas Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate à Pobreza e de Cuidados Primários de Saúde.
Os projectos imprimem nova dinâmica ao desenvolvimento do município, com a Gabela apostada em recuperar o tempo perdido.
O administrador municipal do Amboim disse ao Jornal de Angola que “o sector social e a requalificação urbana da cidade são as prioridades”.
Francisco Mateus referiu que ainda há problemas que dificultam o ordenamento da cidade, sobretudo “os vários edifícios degradados que, mesmo sendo propriedade privada, não têm a manutenção desejada”.
A imagem da Gabela, referiu, é desoladora devido às inúmeras transgressões administrativas por parte de donos de estabelecimentos comerciais que instalaram gradeamentos de todo o tipo à revelia das autoridades, sob o pretexto de que há falta de segurança na cidade.
O administrador garantiu que “a segurança não está ameaçada” e que “a situação vai ser alterada, com recurso a campanhas de sensibilização sobre a importância da preservação da estrutura arquitectónica da cidade”.
O abastecimento de água potável à cidade, revelou, também vai registar melhorias, com a substituição do actual sistema de captação, tratamento e distribuição, que foi concebido para cinco mil habitantes.O novo sistema de distribuição de água, já aprovado, destina-se a 120 mil habitantes.
A Gabela está bem servida em termos de electricidade após a construção da subestação de transformação de energia eléctrica, a partir da Barragem de Cambambe.
Com o fornecimento de energia eléctrica estabilizado, acentuou, a cidade tem condições de relançar a indústria e outros sectores.

Melhorar a imagem

A Administração Municipal, referiu, aprovou um programa para a pintura dos edifícios. “Entendemos que, à medida que decorrem as obras de requalificação da cidade,também temos de proceder à pintura dos edifícios para a Gabela voltr a ser um local aprazível para residentes e turistas e isso é possível se todos se participarem”, lembrou.
A rede hoteleira, disse, necessita de maior impulso, tendo em conta a localização geográfica da Gabela.

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“Temos um défice de hotéis e a cidade, salientou, precisa de crescer neste domínio, pois as potencialidades turísticas da região podem atrair mais visitantes.
Por isso, prosseguiu, estamos abertos a todos os queiram investir na hotelaria e no turismo.O que foi feito até aqui, alertou, pela imensidão dos problemas que ainda afligem os munícipes, alertou, representa “uma gota no Oceano”. Fransco Mateus referiu a importância da “conjugação de esforços entre os governantes e a população para transformar a Gabela”.

A cidade do bago vermelho

O município do Amboim, com 1.027 quilómetros quadrados, tem solos férteis e um clima favorável ao desenvolvimento da agricultura. A região produz grandes quantidades de milho, feijão, jinguba, batata rena, batate-doce e banana.
O café já foi a relíquia da região, tanto pela quantidade produzida, como pela qualidade dos grãos, de grande procura no mercado nacional e internacional.
A Companhia Agrícola do Amboim (CADA) foi uma referência e a exportação de café esteve inclusivamente na base da construção do cais na hoje cidade de Porto Amboim, sede do município vizinho, com o mesmo nome.O chamado Café Amboim ganhou fama mundial e os mais antigos da Gabela, que já foi conhecida como a “cidade do bago vermelho”, ainda hoje se gabam de ter “o melhor café do mundo”.A queda da produção do café originou o aumento da agricultura de subsistência. Hoje há 170 associações de pequenos camponeses. Também há 22 cooperativas e 341 empresas agrícolas.As autoridade queixam-se da falta apoios em sementes melhoradas, fertilizantes e pesticidas, que são conseguidos no mercado informal a preços exorbitantes.
O comércio está bem instalado nos centros urbanos, mas regista-se a ausência de uma rede do sector no meio rural para melhor satisfazer as necessidades dos camponeses.A cidade, com tem um hospital municipal, que atende igualmente doentes do Ebo,Conda e Quilenda.
O município tem outro hospital de referência na Boa Entrada (ex-CADA) e seis centros de saúde. O corpo clínico é constituído por 13 médicos e 175 enfermeiros.
A Gabela tem uma escola do II Cilco do ensino secundário, o Magistério Primário e escolas do I Ciclo e do ensino primário.
Este ano foi instalado um núcleo do Instituto Superior Politécnico de Porto Amboim, o que permite que os habitantes estudem sem terem mais de se deslocar a outros municípios.
A cidade da Gabela, com 200 mil habitantes, dispõe de várias infra-estruturas sociais e habitacionais que lhe permitiram ter na década de 1980 as direcções provinciais do Comércio, Finanças e Transportes.A guerra inviabilizou o desenvolvimento da cidade e arredores, causou a paralisação das indústrias de plástico, descasque de café, bem como as fábricas de refrigerantes e outras unidades.

Visão de futuro

A insegurança fez com que os investidores optassem por outras localidades, a maioria dos quais pelo Sumbe, Porto Amboim e Luanda.
A destruição em 1983 da linha de alta tensão a partir da barragem de Cambambe foi o mais duro golpe no desenvolvimento da cidade.
As florestas que circundavam a cidade acabaram por desaparecer para a construção de casas pelos que fugiram dos municípios limítrofes, pois a cidade da Gabela tornou-se numa autêntica trincheira.
Com o fim da guerra em 2002, a cidade da Gabela foi invadida por construções anárquicas em todos os sentidos e as redes de saneamento deterioram-se.
Os habitantes encaram o programa de requalificação como “a tábua de salvação” para o nascimento de uma cidade moderna.

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Jornal de Angola/Casimiro José

 

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