As Paisagens, os Cheiros, os Risos das Crianças Angolanas Pela Câmara da Portuguesa Inês Sarzedas

sarzedas-11-fullsizeEm Angola é mais fácil sentir. As paisagens, os cheiros, os risos das crianças. A felicidade inocente, espontânea, de quem com tão pouco consegue ser tanto… Inês Sarzedas apaixonou-se por este país, invulgarmente genuíno, há mais de 10 anos atrás. O trabalho levou-a até Angola, mas Angola levou-a à fotografia. Uma paixão que vinha desde criança, mas que África reacendeu. Depois, a tecnologia deu uma ajuda. O Instagram foi a forma que encontrou de dar a conhecer ao mundo uma realidade diferente daquela que se vê nas televisões. Mais de 2500 pessoas seguem Inês na rede social e acompanham as imagens que a sua câmara capta. Um passatempo, é certo, mas com a possibilidade de vir a ser muito mais.

Inês, fale-nos um bocadinho sobre si. Onde nasceu, onde cresceu, como foi a sua infância?
Nasci em Lisboa e aos oito anos, por motivos profissionais do meu pai, fomos viver para o Algarve. Talvez pelo facto de ter oito anos, já estar na escola, os amigos, não aceitei muito bem a mudança. Lembro-me como se fosse hoje, dia 1 de Agosto de 1980, um calor terrível, uma viagem de comboio com a minha mãe e o meu irmão. Ainda hoje, o Algarve não é um destino que me apeteça. Apesar de achar que não estava no sítio certo, tive uma infância feliz. Faço parte da geração em que se ia a pé para a escola e se brincava na rua até à hora do jantar. Era maria-rapaz. Jogava à bola, ao berlinde, adorava subir às árvores. Andava com os amigos pelas casas abandonadas, à procura de “tesouros”. Deve ter sido por esta altura que apareceu a vontade de viajar, conhecer tudo… Voltei para Lisboa, quando entrei para a faculdade. Frequentei o curso de Línguas e Literaturas Modernas – variante de estudos portugueses, até ao 3° ano, mas não terminei.

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O que é que a levou até Angola? Há quanto tempo está no país?
Vivo em Angola há 11 anos. Os primeiros 10, em Luanda e, desde Julho do ano passado, no Lobito. Nunca tinha estado em África e também o dia da viagem para Luanda está gravado na memória: 1 de Dezembro de 2002. Um dia de chuva e frio em Lisboa. Viajei sozinha, cheia de perguntas, mas principalmente cheia de expectativa e muita curiosidade. Quando a porta do avião foi aberta e me aproximei da saída para descer as escadas, o impacto foi desconcertante. Parei para respirar fundo, porque os trinta e muitos graus e a humidade eram algo novo para mim, no mês de Dezembro. Como foi tudo novo a partir deste dia. Lá fora, estava o João à minha espera, que veio seis meses antes.
Viemos para Angola, por opção. O João teve um convite de trabalho. Não foi uma decisão difícil. Encarámos a situação como um desafio, profissional e pessoal.

sarzedas-03-fullsizeSe surgisse a oportunidade de voltar a Portugal, aproveitaria? Ou Angola é um projecto a longo prazo?
Sim, aproveitaria. Mas só se fosse para realizar um projecto pessoal. É uma vontade que tenho, mas sem pressa.

sarzedas-01-fullsizeComo surgiu a paixão pela fotografia? É só um hobbie ou gostava que fosse algo mais?
A paixão pela fotografia, tenho-a desde menina. Não tenho nenhuma formação técnica na área, “uso” essa paixão, a minha sensibilidade e instinto para captar o que me desperta a atenção. A fotografia é apenas um hobbie. Se será algo mais, talvez um dia, quem sabe? Ainda tenho muito que aprender…

sarzedas-06-fullsizeO que é que mais gosta de fotografar? Paisagens, pessoas…
Comecei pelas paisagens e ainda hoje é o que mais gosto. Chegava a ficar à espera que as pessoas se fossem embora para fotografar o que queria. Se eram amigos ou conhecidos, pedia mesmo para “saírem da frente”.
A primeira vez que fotografei pessoas foi quando estive de férias no México e na Guatemala. Os olhos redondos e castanhos das crianças foram mais fortes que a minha inibição/desconforto. Mas não sou capaz de fotografar pessoas sem perguntar primeiro se aceitam. Às vezes, para não perder a espontaneidade do momento, tiro a foto e depois mostro. A maior parte das vezes as pessoas aceitam. Quando são crianças, peço aos pais. Já aconteceu não quererem. Apago a foto e fica a questão resolvida.

sarzedas-05-fullsizeAngola é um “bom modelo” para a sua câmara fotográfica?
Sem dúvida! Um modelo perfeito.

sarzedas-04-fullsizeTem por hábito partilhar todas as fotografias que capta?
Não. Há fotografias que guardo só para mim ou só mostro a amigos verdadeiros que me conhecem bem e percebem o motivo que me levou a tirar a fotografia.

sarzedas-09-fullsizeMais de 2500 seguidores no Instagram comprovam o sucesso das suas imagens. Como é que se sente por as suas fotografias estarem a chamar a atenção?
Estaria a mentir se respondesse que não me sinto bem ou que não gosto. É muito gratificante e motivador sentir que pessoas que não me conhecem pessoalmente (a maior parte) e que estão em Portugal, na Austrália, no Perú ou noutra parte do mundo gostam do que partilho com elas.

sarzedas-08-fullsizeNão pensa em tirar partido deste passatempo? Talvez um livro ou uma exposição?
Estou a fazê-lo neste momento, ao aceitar este convite.

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