O Regresso dos Flamingos, a Refinaria, o Porto do Lobito, o Caminho de Ferro de Benguela e o Potencial Turístico da Província

Foto de Mário Rui Ribeiro

lobito_flamingos 00A economia prospera, graças às novas infra-estruturas que compõe 
o designado corredor do Lobito – que inclui o porto, caminho-de-ferro e aeroporto internacional. Há uma indústria emergente e os serviços já não dispensam a presença activa na segunda maior província do país. 
Mas o grande potencial de Benguela está no turismo.

Os flamingos cor-de-rosa, uma das aves mais velhas e raras do mundo, eram um dos principais ícones da cidade do Lobito, conhecida como a Sala de Visitas de Angola. A espécie, porém, já não se avistava há vários anos no mangal do Lobito, antigo santuário de várias espécies de peixes e aves, onde as águas do mar se juntam às águas doces do rio Catumbela, por intermédio da vala do Kassai. Muitos já davam a causa como perdida e diziam que os flamingos jamais voltariam ao seu habitat de várias gerações. As causas eram várias. Desde a injecção desordenada de águas residuais e esgotos no mangal, ao despejo de lixo e de dejectos humanos pelas populações vizinhas.

Até que a administração municipal, incentivada pelo 1.º Congresso de Resíduos Sólidos de África, que decorreu na cidade em 2012, meteu mãos à obra. A pesca passou a ser proibida (usavam-se redes mosquiteiras que impregnavam as águas de químicos) e o lixo removido de forma regular. Graciete Sequeira, chefe da equipa que opera no mangal todos os domingos, confessou à EXAME que “chegou a recolher 80 pneus, que impediam o livre curso das águas e matavam os pequenos moluscos que servem de alimento aos flamingos”. Por fim, sensibilizou-se a população não só a recolher, como também a vender o lixo à administração municipal. A história teve um final feliz. Os flamingos não só regressaram ao mangal como, fruto da alimentação, recuperaram a apreciada tonalidade cor-de-rosa. Eles são um símbolo do renascimento do Lobito que, a 2 de Setembro de 2013, comemorou o centenário.

Terminal de minérios a pensar na Zâmbia
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Do ponto de vista económico, a cidade progride a olhos vistos. Na Restinga, língua de areia de 4 quilómetros, dona de um dos mais belos patrimónios arquitectónicos, alguns dos quais ao melhor estilo art deco, ergueram-se novos hotéis  (caso do Tropicana, Restinga, Navegante e Turimar, ou o complexo TGV no Compão, que fazem concorrência ao clássico Terminus) e ofertas de entretenimento (que já não se limitam ao charme discreto do restaurante Zulu).

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O Fim do Apartheid em 23 de Março de 1988, Acabou a Grande Batalha do Cuito Cuanavale

batalha_cuito_cuanavaleOs heróis vivos regressaram ao campo de batalha onde se cobriram de glória. No dia 23 de Março de 1988 acabou a grande Batalha do Cuito Cuanavale, que marcou o fim do regime de apartheid na África do Sul e abriu as portas à libertação de África.

Milhares de angolanos deram as suas vidas pela soberania nacional mas ao mesmo tempo estavam a escrever uma das mais brilhantes páginas da História Universal.
A Batalha do Cuito Cuanavale começou no dia 15 de Novembro de 1987. Os angolanos tinham acabado de comemorar os 12 anos da Independência Nacional. Nas terras do Cuando Cubango as forças armadas sul-africanas e os seus aliados internos estavam a lançar aquilo a que chamavam a “batalha final” para submeter os angolanos. Mas nem a Força Aérea sul-africana cotada como uma das melhores do mundo, nem as armas sofisticadas conseguiram derrotar os milhões de angolanos que se ergueram em armas pela liberdade, sob a liderança do Presidente José Eduardo dos Santos. Hoje os generais do regime de apartheid reconhecem que os angolanos saíram vitoriosos. Os soldados do apartheid que debandaram naquele dia 23 de Março de 1988, escreveram nas paredes das casas onde pernoitaram na Namíbia: “nós viemos do inferno”.
O fogo da Batalha do Cuito Canavale foi purificador e as chamas reduziram a cinzas o regime de apartheid. Estava aberto o caminho para a Independência da Namíbia e a libertação da África do Sul, sob a liderança do ANC. Os heróis da Batalha do Cuito Canavale abriram as portas da prisão de Nelson Mandela e seus companheiros de luta. A libertação de África entrou no ponto de não retorno. O mundo ficou livre de um regime que foi o mais hediondo crime que alguma vez foi cometido contra a Humanidade.
No dia 23 de Março estiveram no Cuito Canavale dezenas de combatentes que sobreviveram à batalha. Os generais da vitória foram revelar páginas da História de Angola pouco conhecidas. Para que todos saibam que no Cuando Cubango os angolanos lutaram pela libertação de África e da Humanidade. Os generais Ndalu, Ngongo, Zé Maria, Nando, Higino Carneiro e muitos outros estiveram presentes e participaram numa conferência internacional sobre a Batalha do Cuito Cuanavale. O comandante em chefe esteve representado pelo ministro da Defesa, Cândido Van-Dúnem.
Todos concordaram num ponto: o grande estratega da Batalha do Cuito Cuanavale foi o Presidente José Eduardo dos Santos. Ele tem um lugar de honra na galeria dos combatentes que libertaram o mundo do apartheid e são por isso os heróis da paz e da liberdade.



Álbum Comemorativo da Exposição-Feira Angola 1938

 

album-de-exposicao-580A Pequena Galeria dá a conhecer até 12 de Abril, em Lisboa, um photobook ignorado: o álbum comemorativo da Exposição-Feira Angola 1938, editado pelo Governo Geral da Colónia. Alexandre Pomar teve a ousadia de, a partir da desconstrução de um raríssimo photobook, transformar o espaço da exposição num alçapão para um dos mais ignorados episódios da História de Angola e do Colonialismo.

O álbum foi impresso em offset na Litografia Nacional, Porto, tal como o fora o Álbum Fotográfico da 1.ª Exposição Colonial Portuguesa, de 1934, com “clichés” de Alvão, explica o jornalista e crítico de arte português em informações enviadas ao VerAngola. No Álbum de 1938 os “clichés” são atribuídos a C. Duarte, que é seguramente Firmino Marques da Costa, membro da Missão Cinegráfica que acompanhou a visita de Carmona às colónias em 1938, a quem se atribuiu a autoria principal das imagens dos álbuns fotográficos que a Agência Geral das Colónias então publicou – eles foram objecto de uma exposição em 1987 na galeria Ether. Se as fotografias são excelentes, e igualmente insólitas em muitos casos, também a própria concepção deste photobook desconhecido justifica que seja considerado uma das melhores edições fotográficas portuguesas (ou angolana?), pela sua qualidade gráfica e a estudada sequenciação das imagens.

Outro motivo de interesse é a identificação do Chefe da Secção Técnica da Exposição-Feira, Vasco Vieira da Costa, então desenhador e funcionário aduaneiro, como o principal responsável pela autoria da quase generalidade dos pavilhões, do plano geral e dos equipamentos. O mérito da sua intervenção justificou depois a atribuição de uma bolsa para estudar arquitectura no Porto, em 1940. Estagiou no atelier de Corbusier em Paris e foi autor de edifícios emblemáticos da arquitectira moderna em Luanda (Mercado de Kinaxixe em particular). Encontra-se no espaço da Feira alguma da melhor arquitectura Art Déco nacional e o exercício surpreendente e talvez ingénuo de uma grande versatilidade de estilos. Foram autores de alguns pavilhões os arquitectos Fernando Batalha (Pavilhão Principal) e Vasco Regaleria (Banco de Angola), mais João Eugénio de Morim (monumento a Portugal Colonizador, pavilhões oficiais de Benguela e Bar-Dancing); é provávrl que Vasco Viera da Costa seja também o responsável pela eduição do Álbum.

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Forças Armadas Angolanas Podem Intervir no Conflito dos Grandes Lagos

chicotyIntervenção só se forças da ONU e congolesas forem incapazes de lidar com os rebeldes

O ministro angolano das Relações Exteriores, George Chikoty, admitiu esta semana a possibilidade das forças armadas angolanas intervirem no conflito vigente na região dos Grandes Lagos, caso os grupos rebeldes não cessem as hostilidades contra as populações.

Chikoty manifestou-se contudo convencido que as actuais forças internacionais ali estacionadas serão capazes de lidar com a situação notando que há já no Congo a força da MONUSCO e ainda uma brigada de intervenção com um mandato de combater activamente os rebeldes.

“Se não for suficiente vai-se mobilizar mais tropas e se o compromisso implica todos os países que participam e se Angola participar então também terá que o fazer embora de momento isso não esteja implícito,” disse o ministro.

O chefe da diplomacia angolana falava á margem da cimeira dos Grandes Lagos realizada esta semana em Luanda e durante a qual o Presidente Eduardo dos Santos disse que se necessário força terá que ser usada para desmantelar os grupos rebeldes que actuam na Republica Democrática do Congo e que o presidente angolano disse serem uma força de desestabilização da região”.

Dos Santos que falava em Luanda, na qualidade de presidente interino da Conferência Internacional para os Grandes Lagos, exortou os rebeldes congoleses a abraçarem a via pacífica para a solução das diferenças políticas que os opõe ao Governo legítimo da RDC.

José Eduardo dos Santos admitiu, no entanto, uso da força militar contra os rebeldes, “se necessário”, sob o argumento de que a situação actual está a ameaçar a estabilidade da região.

“Não podemos permitir que grupos rebeldes ponham em causa a estabilidade dos governos legítimos”, disse.

Voz da América/Arão Ndipa


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