Estado de Conservação dos Monumentos no Huambo Deixa Muito a Desejar

HuambomonumentosEm pleno mês de Abril, em que se assinala a jornada internacional consagrada aos Monumentos e Sítios (18/4), cidadãos residentes na província do Huambo reclamam contra a existência de uma política divulgação e conservação destes locais da memória histórica.

Alguns dos nossos interlocutores desconhecem a importância social de um património histórico na vida dos países e povos.

O estudante da 9ª classe, Colino Adão, que já ouviu falar de monumentos e sítios na província do Huambo, afirma nunca ter visitado os mesmos por não dar grande importância à sua existência. Apela, por isso, que a Direcção Provincial da Cultura promova jornadas de divulgação destes locais que são parte da história do povo da região.

Edna Joana, estudante do 3º ano da Faculdade de Economia, manifestou ter conhecimento do valor de um monumento histórico, mas lamentou o mau estado de conservação e protecção dos mesmos.

“Se não forem tomadas medidas, alguns deles vão desaparecer e teremos, futuramente, dificuldades em contar a história dos acontecimentos reais ocorridos em determinados locais.”- apontou

O funcionário público, Ulika Agostinho, também é de opinião que o estado de conservação dos monumentos e sítios no Huambo deixa muito a desejar. Criticou igualmente a fraca divulgação dos mesmos.

No Huambo, segundo o inventário provisório feito em 2010 pela direcção da cultura, existem 121 monumentos e sítios que aguardam por uma inspecção de peritos do Instituto Nacional do Património Histórico e Cultural, a fim de obterem, posteriormente, a classificação de património cultural e histórico de âmbito nacional.

Constam, deste número de monumentos e sítios por classificar, 12 monumentos de arquitectura civil, 26 de arquitectura religiosa, 9 de arquitectura militar, 6 sítios arqueológicos, 18 sítios históricos, 11 zonas históricas, 22 zonas paisagísticas, 8 símbolos do poder tradicional, 10 cemitérios e 9 estátuas.

Muitos destes lugares que constituem a memória colectiva do povo da região do planalto central encontram-se em estado avançado de degradação, além de estarem a ser invadidos por populares, colocando em risco a sua existência a médio prazo.

A província do Huambo é muito rica em monumentos e sítios, alguns dos quais são locais históricos de batalhas e também residências antigas que devem ser conhecidas, divulgadas, conservados e preservadas como parte da cultura do povo.

Apesar de tal abundância em monumentos e sítios históricos, a província conta apenas com um único classificado como património cultural nacional, o Forte da Quissala (símbolo da luta de resistência dos povos nativos contra a ocupação colonial em 1902).

Localizado a aproximadamente oito quilómetros da cidade do Huambo, o mesmo está a ser invadido por populares, devido à sua proximidade com o maior mercado informal desta província.

SJA Sindicato dos Jornalistas Angolanos

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