Há Mais Africanos Hoje na Europa do que Europeus em África, Porquê?!

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“O que Está a Acontecer com os Angolanos?”

 

Isomar Pedro Gomes

isomarA dias a caminho do Hojy-yá-Henda, a bordo (como habitual) de um dos machimbombos da TCUL Viana vila – Cuca, (privilegio este meio de transporte por ser o mais barato e acessível aos pobres para rotas longas, mau grado a ‘sardinhada e a catingada’), um dos vários azulinhos que ‘palmilham’ as nossas estradas, os nossos emblemáticos táxis colectivos, chamou a atenção do público, exibindo no seu ‘traseiro’ o seguinte dístico; DEUS È BRANCO, MULATO É ANJO, PRETO È DIABO.

Tal dístico é obvio levantou as mais diversas celeumas entre os passageiros do machimbombo e creio entre todos os ‘observadores’ e transeuntes por onde o dito azulinho (mini mbombó) ‘rasgava’ o seu ‘popó-show’.

Raciocinei com os meus botões e os meus botões comigo, as causas que levaram o proprietário do ‘popó’ ou do ‘chauffeur de praça’ a mencionar e exibir tal ‘desgraçado ou ditoso (?!)‘ rótulo. Na busca mental das ‘causas’, não pude deixar de comparar o modo de vida de hoje e o da administração colonial, quando o País e a grossa maioria dos países do continente Africano, era administrado por indivíduos maioritariamente de raça branca, provenientes da Europa, “os tais colonos”, poderia Africa ser comparada a um paraíso? A quem diga que sim, e eu não discordo dele!

“Colonialismo caiu na lama!” Lembram-se deste célebre estribilho 1974-1977?

A JOÌA COLONIAL

Angola, era mundialmente conhecida como a Joia do império Português e exibia majestosa, todos os pergaminhos de tal título, o Quénia a par da Africa do Sul, a joia Africana do império Britânico, Algéria a joia Africana do império Francês e o antigo Congo-Belga a joia do mini-imperio Belga. Tais países Africanos – no contexto do outrora – prosperavam a olhos vistos (a maioria deles encontravam-se ainda na idade da pedra), as respectiva comunidades autóctone idem em aspas, os índices de desenvolvimento humano dos autóctones inegavelmente estavam lenta e seguramente subindo, as obras dos colonialistas ainda perduram pela Africa adentro.

Verdade seja dita, o esclavagismo e as guerras de “kwata-kwata” fizeram irremediáveis estragos em África. Mas também não é menos verdade, que a falta de unidade, ambição, irresponsável individualismo e a sempre necessidade de estupida e insanamente guerrearem, fazerem verter sangue (entre nós Africanos), tornaram bem-vinda “la pax romana” isto é promulgado a força do chicote e da bala, pelos Europeus.

As então, gerações de jovens africanos instruídos (pelas respectivas franjas ou instituições da administração colonial) organizaram-se politicamente e fizeram soar a acusação de que os Europeus estavam a sugar as riquezas do solo pátrio em benefício exclusivo das nações colonizadoras, desconsiderando totalmente os interesses dos nativos e das colonias, transformando os autóctones em miseráveis na sua própria terra; “eles vieram com a Bíblia, nós tínhamos as terras, no fim eles ficaram com as terras e nós com a Bíblia” disse Robert Mugabe, nacionalista e guia da libertação do Zimbabwe.

Organizaram-se contra o invasor, protestos, revoltas, guerras, chacinas, a história regista que o movimento e actuação dos ‘mau-mau’ liderado pelo indomável Jomo Keniata, foi um dos mais cruéis de Africa e o que chamou a atenção da comunidade internacional, para a necessidade da urgente descolonização de Africa. Claro a violência gera violência, os resultados hoje fazem parte da história.

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A resposta colonial a violência nacionalista africana, sempre foi comedida, por exemplo, se a força policial Portuguesa no 4 de Fevereiro e posteriormente no 12 de Março de 1961, respondesse com o mesmo demonismo com que o MPLA ‘respondeu’ ao chamado Fraccionismo do 27 de Maio 1977, muitos dos actuais dirigentes, não existiriam, e provavelmente não haveria movimentos de libertação, durante muito tempo.

O ÊXODO

Passado cerca de meio seculo, que a maioria dos países Africanos ‘arrancaram’ na ponta da espingarda a independência das potências colonizadoras (seguindo a lição do camarada Mao Tsé-Tung), se fizermos o balanço, quais foram os ganhos que os respectivos países e povos obtiveram, poucos são os Países Africanos que diremos, saíram indiscutivelmente a ganhar.

“Quando é que a independência afinal vai acabar?”- Indagou desesperado/desapontado um septuagenário angolano nos idos anos 78-80, fatigaderrimo da guerra estupida, de tanta crueldade e injustiça praticada pelos seus patrícios (do regime e da oposição), denominados de nacionalistas de primeira água.

Poderia Africa ser hoje comparada ao Inferno ou ao Purgatório? Qualquer um deles serve, Paraíso; NUNCA. Pouquíssimos países Africanos (menos do que os dedos de uma mão) podem aproximarem-se a tal eleição.

“HOJE até a Bíblia tiraram-nos, e as terras continuam a não pertencer ao povo” – sintetizou Morgan Tchavingirai, descrevendo a desgraçada e extrema penúria do povo zimbabweano, respondendo ao guia imortal ainda vivo, que diz ter ressuscitado mais vezes que o próprio Jesus Cristo. Zimbabwe no período citado por Bob Mugabe, era o celeiro de África, o povo era detentor de um dos mais elevados IDH do continente.

Por exemplo em Angola. Por vezes quando nas datas históricas, oiço e vejo pela TV, indivíduos a mencionarem o que o ‘colono nos faziam’, sinceramente não sei se, choro de raiva ou se me mato de ‘risada’, “porque o colono fazia…blá-blá-blá” – dizem eles – hoje faz-se o pior. O colono se fez, quase que o desculpo, é ou foi colono, é branco não é meu irmão de raça, etc., agora quando o meu irmão Angolano, preto como eu, (ex-companheiro da miséria e das ruas da amargura) faz o que viva e denodadamente repudiávamos do colono, esta ultima ação dói muitíssimo mais do que a ação anterior, dilacera e mutila impiedosamente a alma.

Por isso, logo após as independências Africanas, verificou-se o segundo êxodo – o primeiro foi dos brancos a abandonarem África – milhões de Africanos, abandonaram com angústia na alma e os olhos arrebitados de descrença a Africa, a maioria arriscando literalmente as suas vidas (o filme continua até aos nossos dias), seguindo os outrora colonos, porque chegaram a conclusão que afinal não é verdade o que apregoa o político Africano; “eles prometeram-nos o paraíso e dão-nos o inferno a dobrar” disse um jovem africano em Lisboa nos anos 78-80 num programa da RTP.

Há mais africanos hoje na Europa do que Europeus em Africa, porque?!

A JUSTIÇA EUROPEIA

Os Europeus, muitos deles depois de chacinados em Africa pelas revoltas africanas, de regresso aos respectivos países embora destroçados de dor e amargura, receberam de braços abertos muitos dos antigos carrascos, dando-lhes um lar e emprego decente e uma vida digna, que jamais tiveram nos países de origem; Paz e sossego duradouro.

O contrario era possível?… Se ainda hoje 37 anos depois do fim da colonização, os dirigentes Angolanos (por exemplo) ainda desculpam-se na presença colonial Portuguesa em Angola, para justificar a Pobreza e outros pesares que “estamos com ele” eles não são, nunca serão culpados, mas o colono (37 anos depois), SIM, estou seguro que, quando Angola festejar o 50º aniversário, os dirigentes Angolanos, ainda estarão a rogar pragas ao colono Português.

HOJE ouvimos falar de relatos arrepiantes de governação de ‘preto-para-preto’ em muitos países africanos; Incompetência criminosa, bajulação estupida como doutrina, ganância e egoísmo exacerbado (primeiro eu – sempre), mentira como regra, assassinatos indiscriminados, prisões em massa, inexistência de liberdade de expressão – a ‘Bíblia’ citado pelo Morgan Tchavingirai. – (inclusive, gritar; “estou com fome” é crime passível de perder a vida. Kamulingue e Kassule, são a prova viva do facto), vida miserável, falta de empregos, corrupção endémica, justiça injusta e totalmente parcial, cadeias (horrorosamente infernais) a abarrotar de jovens provenientes das classes desfavorecidas, hospitais que mais parecem hospícios, escolas que mais parecem pocilgas etc. etc.

O paradoxo, é, se HOJE em África, usufruímos de um bocadinho de liberdade com sabor a vida, é precisamente graças aos Europeus, isto é aos brancos, que desenvolveram uma nova ordem de conduta internacional e instituições internacionais que vigiam sobre o globo incluindo obviamente Africa. As sanções internacionais e outras medidas de contenção paira sobre os dirigentes Africanos, e então, estes por sua vez, fingem praticar a democracia, não porque eles gostam da democracia, porque temem o “deus branco e o seu braço punitivo”. Porque se dependêssemos totalmente dos governos de “preto-para-preto” seguramente, não seria possível viver, na vasta maioria dos países Africanos.

O protótipo Africano da UE (União Europeia) a chamada UA (União Africana) é uma mentira descabida, a UA é uma instituição falida, decrépita, débil e ‘estaladiça’ (como a bolacha ‘chinesa’ de água e sal) que ninguém leva a sério, uns poucos países africanos esforçam-se por dar credibilidade a UA e ao continente, houve até quem propusesse a seguinte designação DUA (DesUnião Africana), por exemplo quando teremos um Tribunal Internacional Africano? Se os tribunais da maioria dos Países membros é do “faz de conta”, os Africanos instituíram também uma espécie risível de Parlamento Africano, que ações pratica tal PA já desenvolveu em beneficio dos Africanos?

A UA é um club de “compadres” velhacos ditadores, egoístas que sonham com Paris, Londres, Estocolmo etc, ao mesmo tempo que transformam os respectivos países em autênticos ‘buracos negros’. As independências em Africa foram ‘feitas’ para algumas centenas de indivíduos africanos, em detrimento de centenas de milhões, cada vez mais miseráveis.

Nunca a Europa ‘recebeu’ tanta riqueza de Africa como após a chamada “independência dos Países Africanos”, os novos-ricos africanos, apressam-se a ‘esconderem’ os produtos da sua criminosa delapidação na Europa para o gaudio dos Europeus, contrariando aquilo que eles próprios evocaram e prescreveram na convocação para a luta de libertação nacional.

“Eu ir a Portugal algum dia?.. NUNCA!.. Nem morto!”.- (1980 na idade de ouro do partido único) Disse, erguendo o punho direito bem alto em sinal de sacro-juramento, em pleno comício em Benguela, um dos então carismáticos dirigentes da “Revolução Angolana” que prescindo de citar o nome, hoje ele próprio, não só é frequentador assíduo e brioso de Portugal e “empresário português” como também é o orgulhoso presidente de uma agremiação desportiva portuguesa em Angola.

Quase meio século depois, podemos dizer que o IDH dos povos africanos subiu ou regrediu? Somos melhores tratados hoje pelos nossos irmãos dirigentes? Os ideais que nortearam a luta de libertação colonial ainda estão vivos e recomendam-se? Muitos dos nossos jovens usam orgulhosamente tecnologia de ponta os ipod, ‘aichatissa’ e ‘aipad’ fazem a banga da juventude, mas o meio que lhes rodeia é nauseabundo e desolador. O Stress agudo e o AVC matam tanto quanto a malária.

FILANTROPOS DA HUMANIDADE

A mais recente iniciativa de alguns dos milionários do planeta, comoveu muita gente. Há algum Africano entre os homens que protagonizaram tal feliz iniciativa? Todos eles (os citados filantropos) são homens que dedicaram a maior parte da sua vida na produção de riqueza, não o ‘tiraram’ de algum saco azul, nem tão pouco delapidaram o erário público nacional, mas, sentiram-se na necessidade de “repartir com o necessitado” de todo o mundo.

Ontem, os milionários Africanos orgulhavam-se de ‘aparecerem’ na revista forbes e congéneres, hoje face a iniciativa acima mencionada, publicam como que envergonhados; “não somos milionários” chegam ao ponto alguns de dizerem que o que têm é produto do salário.

AFRICA DO SUL

Fiquei arrepiado com as imagens da actuação da polícia Sul-Africana em Dobsonville (será esta a cidade?!) que vitimou o jovem moçambicano Mido Macia (MM), na flor da sua juventude (27 anos). Imagens próprias de uma ‘cena’ do Faroeste no seculo XIX ou da era do Drácula no país da Draculândia.

Quando vivi na Africa do Sul, tinha um medo atroz e justificado da polícia Sul-africana, principalmente dos pretos. A maioria do polícia Sul-africano preto chega a ser muito mais impiedoso e selvático que o mais impiedoso policia Sul-Africano branco. O polícia preto (na sua maioria) é absolutamente xenófobo, perverso, contra a lei, corrupto e desalmado.

O policia branco, estou certo não faria tal coisa, e muito menos os tais policiais pretos fariam isso se MM fosse branco.

A xenofobia na Africa do Sul, é extremamente incentivada e alimentada pela polícia Sul-africana e é planificada nas esquadras de polícia, um dia hei-de descrever as minhas experiencias com a corporação policial daquele País, que apesar dos pesares amo muito sinceramente.

Fizeram certamente Nelson Mandela, banhar-se em lágrimas. O único Preto que chegou aos patamares dos ‘deuses’.

AFINAL QUEM CAIU NA LAMA?

Há em algum país da Europa, a amálgama descriminada e promiscua, esgoto a céu aberto, suja e podre de ‘bairros’ que vimos e vemos principalmente nas periferias das capitais Africanas (quase todas elas) principalmente dos chamados; País Especial.

Os dirigentes Africanos, nem conseguem combater eficazmente o mosquito, causa do paludismo e malária que dizima á meio século, diariamente milhares de almas (principalmente crianças) pelo continente adentro, as doenças diarreicas (produto da falta de sanidade básica) faz de igual modo uma ‘ceifa’ aterradora. Doenças que o colono quase já tinha debelado como a mosca do sono, ameaçam ‘engolir’ povos inteiros.

Tudo isso acontece perante a pecaminosa insensibilidade de um grupinho de “iluminados africanos” (abençoados pelas igrejas) que preferem comprarem castelos de milhões de Euros na Europa e em orgias depravadas (preferem dar de comer os cães), do que ajudar os seus irmãos, que não lhes pede mais do que apenas: BOA GOVERNAÇÃO… Gerirem o erário público para o bem de TODOS e da nação.

E há quem tem o desplante de vir a público protagonizar uma perversa peça teatral, choramingando; “O colono blá-blá-blá”.

Quanto ao anjo, prefiro não comentar. Deus é Branco?.. Até posso aceitar, porem de uma coisa estou certo, preto, é que não é de certeza ABSOLUTA!

Isomar Pedro Gomes

58 Responses to “Há Mais Africanos Hoje na Europa do que Europeus em África, Porquê?!”

  1. Ediberto Abreu diz:

    Caro Isomar, não o conheço (eu não sou preto nem branco, sou Angolano de nascença e coração)mas desde já o meu respeito e admiração, pela coragem e clarividêcia deste seu artigo.

    • Lúcia Quaresma diz:

      Disse o que todos nós, Africanos, sabemos e sentimos… calados, humilhados, deuses,anjos e demónios… teve a coragem e a audácia do herói que é! como alguém já aqui disse… até temo pela sua segurança!mas acredito piamente, que já ganhou, pelo menos uma batalha, na guerra da palavra e este é o caminho! kandando sentido de uma angolana Tchokuê em Portugal.

    • José de Calamboloca diz:

      Isomar Era um encanto viver, nos então velhinhos musseques da nossa Luanda. Estou contigo, a verdade só custa a ouvir aos mentirosos. Sempre, mas sempre um Calcinha que é de Luanda!..

  2. Anibal J. Russo diz:

    Caro compatriota
    Aplaudo as suas corajosas palavras pois infelizmente, no nosso continente e democracia e o respeito pelo proximo ainda são sonhos algo distantes.
    Na nossa Angola, apenas vimos o colono ser substituido pelo mwangolé e sentindo-se este no direito de sacar e explorar o povo como nem os piores colonos o fizeram.
    Cumprimentos

  3. josé Rodrigues diz:

    Caro Isomar. Os meus agradecimentos pela coragem. Entrei e li casualmente neste site o seu escrito e fiquei preocupado pela sua segurança, mas delirantemente regalado pela sua verdade daquilo que é a pura verdade. E depois escrevi (mais fácil para mim, nenhuma coragem é precisa pela distância) e permita-me que lhe mande a minha escrita. Somos ambos angolanos, eu vim com a revolução, o Senhor ficou aí,agora dizem-me que já não sou angolano. Ok, eu não, mas a minha alma é e daí? eu não posso voltar mas a minha alma nunca saíu daí. Que importa isso? ambos queremos o mesmo para a nossa Terra, paz, saúde, boa governação, melhor distribuição da riqueza, educação com um Deus branco, com um Deus preto, com um Deus Mulato, tanto faz, queremos é um país melhor e digno.
    Deus é branco? acho que não é. Deus não tem cor e era dessa transparência que Africa precisava pois as memórias não se apagam. Um ser humano sem memória é um ser vazio, um país sem memórias nunca mais se civiliza e desenvolve (fazer arranha-céus, grandes centros comerciais, Assembleias do povo colossais e luxuosas não significa, só por si desenvolvimento, é apenas cimento armado e mordomias que só estão ao alcance de uns quantos eleitos).

    As memórias servem ao ser humano para viver, para não esqueçer e muitas vezes para sobreviver, e servem a um país para crescer, para dar as mãos, para esqueçer e não produzir vinganças violentas; Para produzir desenvolvimento e solidariedade a partir do que havia para o que há-de haver.

    Deus é branco? não é. Deus é preto? não é. Mas podia ser, pois neste momento não há no mundo inteiro nenhum ser humano tão carismático, tão exemplar, tão próximo da perfeição como o preto Mandela. O Madiba é Deus preto na Terra e podia sê-lo no Universo.

    Aquele que tinha razões fortes para odiar, matar, e vingar deu uma lição ao mundo dos brancos e principalmente dos pretos, mas não tem seguidores e quando morrer muitos vão elevar bem alto o seu nome, vão elogiar a sua faceta e o seu carácter, a sua postura e a sua grande qualidade humana, mas de seguida vão continuar a fazer tudo ao contrário. E vão mesquinhos interiorizando a sua alma e infernizando a alma de milhões…

    Mugabe transformou uns dos maiores celeiros do mundo num país que agora, passa fome a troco de nada, ou apenas de uma loucura de um nazi Hitler preto que copia no bigodinho e nas acções a dizimação de uma raça. A troco de quê, a mando de quem?

    Eu sou branco, nascido e criado até aos 25 anos em Angola, vivo na europa desde então, mas a minha alma é toda angolana o meu espírito é todo preto e agora dizem-me que nem cidadão angolano posso ser porque não tenho ascendência africana. A troco de quê? a mando de quem?

    Deus é branco? decidamente não é. Também não é preto. Madiba sim , está perto do patamar dos deuses. Eu sou Deus? Não sou…mas gostava de ser.
    Obrigado pela suas palavras, obrigado pela sua alma eu sinto-a aqui e a minha está junto de si e de muitos aí. Ela vai e vem quando quer só porque não tem cor e é transparente…
    Um bem.haja.Ah, e viva muitos anos ainda.
    José Rodrigues.

    • António Pereira diz:

      Senhor Rodrigues, a sua resposta comoveu-me pelo que diz e pela forma como o diz. O Senhor deveria escrever (não sei se o faz, mas se o fizer, fico contente por saber).
      Vivo em Moçambique, sou branco, tenho muitos amigos que o não são e que são excelentes pessoas. O problema está nos regimes, nas elites, na falta de uma opinião pública esclarecida que funcione eficazmente como contra poder.
      Falou em Mandela, um dos poucos seres humanos do séc XX que me inspira! gostava de felicitar o Senhor Isomar pela inteligência, lucidez e coragem do que escreveu. Mas não estou a conseguir fazer o post do meu comentário.
      Um caloroso abraço e obrigado pelo que escreveu.
      antónio

  4. José Sousa diz:

    O que foi escrito, prova que o seu autor tem uma grande lucidez sobre a realidade africana.
    Nos quinhentos anos de presença portuguesa em Angola, nem tudo foi mau. Culpar os colonos do que agora está mal, principalmente nos aspectos sociais, é uma forma de justificação do que não se consegue ou não se quer construir. É pena. Os africanos procuram na Europa aquilo que seria tão fácil de ter em África. A Paz e Segurança. É pena não ser assim.

  5. JPC diz:

    Sem mais palavras, pois muito e bem já foi dito, gostaria apenas de lhe transmitir o meu abraço fraterno e de o felicitar, pelo discernimento e pela coragem. Boa sorte e Obrigado.

    • Teresa diz:

      Muito bem dito. mas em pcas palavras gostaria lhe recordar que o proble de racismo esta a ficar para traz oque esta em jogo é o bolso hoje no mundo intero quando se pobre estas menos valorisado. portanto caro Isomar deu para perceber que é um combatente nao recompenssado ms em fim isso nao esta na pele esta na mã governacao desigualdade socil por ai fora. nos pobres é que temos estes problems la da pele pq entre eles elite preta, e elite brancos estao todos na boa. acho q o teu pais esta em bom caminho esta dar passos positivos o sr deve tocar a vida para frente pq nao se deve chorar pelo leite derramado. passar bem.

  6. RSRS diz:

    Caro ISOMAR
    Os humanos não precisam de um DEUS com cor mas sim de um Deus que veja todas as cores,por isso, fez de si uma luz que iluminou uns quantos ao ler o seu artigo. Se Deus existe Ele se manifesta de quando em vez através de pessoas como Isomar. Disso tenho quase a certeza … Faço votos para que a sua inteligência continue a dar destes frutos. Obrigado.

  7. Francisco Ferreira diz:

    Caro Isomar. Vejo que tem noção do realismo em África. Contudo tenho pena que terminasse assim o artigo, preferindo nada dizer dos Anjos. Eu que me enquadro neste grupo, gostava de saber qual será a sua opinião. Fiquei com imensa pena. Considerações.

  8. José Girão diz:

    Caro Compatriota,
    Tal como o meu pai, nasci em Angola e vim para Portugal em 1975 com 14 anos e nunca mais aí voltei (com muita pena minha).
    Tenho acompanhado, no entanto, o que se tem passado – e passa – em Angola onde alguns vivem à grande enquanto a maioria sobrevive.
    O seu artigo é de uma clareza e CORAGEM tal que temo pela sua segurança.
    Um bem-haja pelo artigo, esperando poder continuar a acompanhar os seus comentários.

  9. Rebelion diz:

    Caro Isomar Gomes

    Fiquei impressionado com a sua excelente crónica que transcende o realismo e verdade que acontece à décadas nesta nossa pobre África. Pobre e podre, enquanto houverem governantes corruptos e des-leais a explorarem mais as nossas riquezas nos últimos 30 anos do que os Colonos fizeram nos 500 anos de exploração que tanto é comentado e condenado nos comíssios, já não sabem a quem atribuir as culpas a tanta incompetência…os países colononizadores e em particular os colonos são sempre os culpados…será que não saberão encontrar outra desculpa para tanta falta de ética?
    Comento o caso do conterrâneo MM- Mido Macia – O caso aconteceu e continua a acontecer quase todos os meses, já vai sendo hábito, na Cidade Sul Africana de Davetown, Perto de Benoni não muito distante de Springs e junto da Auto-estrada N12 que liga Joburg a Maputo. Segundo várias testemunhas que comentaram em jornais Sul africanos, quem faz frente à força policial naquela cidade – é comum fazerem o que todos vimos nas nossas TV’s.
    Só resta agradecer o seu artigo e continuar a desmascarar e comentar todos assuntos que digam respeito a esta nossa África cada vez mais pobre de riqueza e de governantes…
    REBELION

    • lol diz:

      Gostei do blog.É bom pq com a internete cada um de ns passa po aqui e afoga as sua maguas, ms gostaria lhe dizer que Deus nao tem cor . e ele so mora em quem nele acredita. ps é Isomar se Deus tevesse cor mandela seria um Deus mas nao é. ltler seria um diabo ms nao foi. fui para o Macedonia e nalguns paises do leste da europa e tb ha muita desigualdade social muitos morrem d frio por morarem ns ruas etc. portanto a ma governacao e a falta de infarmacao do proprio cidadao. boa sorte

  10. Um abraço pela coragem e lucidez que analisa a situação dos GOVERNOS AFRICANOS a Verdade nua e crua CRESCI EM ÁFRICA (MOÇAMBIQUE) CONHEÇO UMA PARTE DE ANGOLA, RSA,SWA,CONGO BELGA ZAIRE,MALAWI,SUAZIL.BOTSUANA,LESOTHO,ZAMBIA,ZIMBAWE,E O QUE RELATA É SIMPLESMENTE VERDADE

    UM ABRAÇO AFRICANO A VIVER NA EUROPA (PORTUGAL)

  11. A. Teixeira-Pinto diz:

    Meu Caro Compatriota

    Parabéns pela Coragem e sobretudo pela Verticalidade e pela Honestidade Intelectual. São os homens como o meu Amigo que nos fazem sentir esperança e acreditar que o Mundo poderá ser sempre melhor. Deus não é certamente branco, mas o Isomar Gomes conseguiu de um modo simples e comovente mostrar que tem Deus no coração e na alma, pois só de Deus vêm coisas assim. É um orgulho sentir que há também Mandelas na nossa Terra.

    Um abraço

    A. Teixeira Pinto
    Lubango

  12. Joana Jesus Duarte diz:

    Como angolana e branca, admiro a sua coragem. Se Angola fosse governada por brancos, teríamos algo parecido com a Europa, sem dúvida. Angola tem tantos recursos naturais e um potencial agrícola enorme. Como pode ser um país pobre? Estou a falar da maioria, naturalmente.

  13. Caro Senhor
    Só lhe quero desejar a maior sorte do mundo.
    J.Portojo

  14. Donata Barros diz:

    Caro Senhor Isomar,

    Sou brasileira e nunca estive em África. Tenho muitos amigos portugueses e foi por meio de um deles que recebi seu artigo.
    Fiquei muito tocada por ele!
    Admiro sua clareza e sua coragem!
    Sou professora universitária,leciono na área do Direito, tenho formação em Pedagogia também e embora ensine muito sobre Direitos Humanos, nunca havia lido artigo tão contundente e verdadeiro sobre a real situação dos povos que foram “oprimidos” e depois “libertados” em África.
    Repassarei seu blog e seu artigo para colegas professores, para que saibam a verdade, dita por quem vive nela!
    Obrigada pelo seu comovente texto!
    Cordialmente,
    Donata Barros

  15. Fernanda diz:

    Fiquei boquiaberta com este texto.
    Excelente.

    • Wauu diz:

      Amigo tb sou Angolana jovem e ha coisas que a prendi na historia isso na escola e o resto os meu páis foram me contando e eles ja eram professores na época,pq tinham a bendita quata classe ok esses ai eram bem tratados ok e os pais deles tb foaram bem tratados? n! o irmao dela meu tio q deve ter a idade do sr lsomar nao tem os 10 dedos e as 10 unhas do peis tudo pq por n ter aceitado ter carregado tal bagajem pq estava com muita febre ok.ele a sangrar foi enfiado no tambor onde so tinha a cabeca de fora e chio de sal e tinha q se alimentar tb de sal e toda famila dele foi castigada isso foi na era colonial ms hoje a filha dele tem marido portugues e esta tudo na boa. pq a final os q cometeram tas erros tb nao devem ter paz. portanto nao me venha com esta tua falta de informacao de Deus é verde castanho de certeza q es tal como os mesmos governates corruptos o problema é que nao passaram a brasa para o seu lado,ou seja so querem tudo para eles ai vens com essa de preto fez para de sujar a sua cor. boa sorte

  16. jose manuel diz:

    Caro irmão:
    Sim irmão, pois vivemos em países diferentes, mas ao mesmo tempo gémios na desgraça, pois não vejo alguma diferença entre os relvas de cá e os relvas de lá. Um coelho que por cá é o primeiro e o outro que por lá é presidente. na minha pátria, qualquer dia nem sequer seremos donos dos 7 palmos de terra que nos hão-de cobrir. A minha Pátria Pequena o Douro cada vez é mais um retiro de luxo para Angolanos e Ingleses. De que valeram tantas guerras pela independênçia? Cá como lá o povo só serviu de carne para canhão. Resta-me a esperança, de que tanto por cá(Portugal) como por lá (Angola) sejamos cada vez mais a dizer não, para um dia corrermos com o vilão, perdão vilões.

  17. fernando fernandes diz:

    vivi e tralhei onze anos em Angola; o meu filho nasceu em Angola e isso me alegra muito.

    felicito-o pela frontalidade como descreve o que é viver em Angola, depois da descolonização: os sonhos, muitas vezes, distorcem a realidade
    cumprimento-o uma vez mais
    mfernandes

  18. Manuel Dias diz:

    Sem justiça não há paz sem paz não há desenvolvimento; pão, habitação, saúde, educação, etc…
    Preto, Branco, Amarelo, Vermelho ou Cor-de-rosa não legitima a aptidão.
    A terra/ espaço, neutraliza todas as cores, mas essas cores delimitam o espaço e modelam pela divisão, branco/branco, preto/preto, etc… para não terem que dividir o que esse espaço/País/Continente, pode oferecer.
    Maneira única de dividir por todos o que é de todos… JUSTIÇA (sentido global).

  19. Isabel Almeida diz:

    Carisssimo,
    Adorei ler o seu artigo que me foi enviado por um amigo que viveu em Luanda e saiu de la apos a independencia. Sou portuguesa e vivo em Cabinda desd 1994. Nunca li um artigo com tantas verdades verdadinhas e feita uma analise da realidade como a ke o senhor fez Deus nao tem cor,nao senhor, Deus e tudo o que falta em muito neste continente. Vamos elevar as mentalidades e o espirito.
    Meu Portugal e Minha Africa!

    • Prezada Isabel Almeida,
      Peroe-me o abuso, mas gostaria de ter o seu e-mail para lhe enviar algo que escrevi a própósito de Cabinda, onde vivi quando garoto (no tempo da II Guerra!!)e de que me recordo com saudade.
      Com cumprimentos,
      Nuno Garcez

  20. António Conde diz:

    Excelente artigo!!! Deus é de todas as cores!!! Mas lembrem-se e pensem, porque existe o livre arbítrio!?
    Tudo de bom para todos Vós!!!

  21. Bernardo Santos diz:

    Não tenho palavras para descrever tal coragem. Tenha cuidado que os bandidos (classe política) andam por todo o lado. Fazem frente aos quadros ANGOLANOS no exterior, tem medo que lhes tirem o lugar. Ficaram com os bens dos colonos, alugam as casas, por milhares de USD/mês e andam cá e lá a viverem de rendimentos. Não evoluem e são MUITO BURROS. Até andam na rua com as etiquetas das ROUPAS a fazer estilo.Nunca vi tanta ignorância.

  22. Ana Gomes Pinto diz:

    Faço minhas as palavras do colega (Liceu) e compatriota A. Teixeira Pinto.
    Mais uma vez parabéns Isomar Pedro Gomes! Uma voz marcante relatando o que foi a realidade da passagem dos Portugueses por Angola – minha Terra!

  23. Anjo na Europa diz:

    Muito tempo sem ler algo impressionante e verdadeiro

    Obrigada pelo seu comovente texto!

    Um Anjo em Berlim

  24. Prezado Isomar,
    Não vou alargar-me em comentários ao seu fantástico, admirável artigo, em vez disso vou resumir o meu sentimento sobre tudo o que escreveu descrevendo-lhe a tatuagem que tenho no meu antebraço esquerdo: é um mapa de África, com três palavras sobrepostss (escritas em Inglês): “Beautiful”, “Beloved”, “Betrayed”.
    Um grande abraço,
    Nuno Garcez

  25. Rebelion diz:

    redigindo e explicando melhor:
    Caro Isomar Gomes
    Fiquei impressionado com a sua excelente crónica que transcende e revive o realismo e verdade que acontece à décadas nesta nossa pobre África. Pobre e podre, enquanto houverem governantes corruptos e des-leais a darem autorizações a empresas ou a multinacionais estrangeiras a explorarem mais das nossas riquezas nos últimos 30 anos, do que os sofridos Colonos fizeram nos 500 anos de exploração! Já vai sendo hábito à decadas, na TV e nas Rádios os “vivas” ao partido no poder e os “abaixos” aos colonizadores (aonde estão?) que nada tem a haver com a realidade actual de tanta desgraça e pobreza, pior do que no regime de Salazar.
    Afinal, pergunto: quem deve atribuir as culpas a tanta incompetência partidária e aos seus governantes que só olham pelo seu bem estar antes de olharem (com despeito) pelo povo à sua volta?
    Os países colononizadores e em particular os colonos sempre os “bode de expiatório”!…será que não saberão encontrar outra desculpa para tanta falta de ética e repito, incompetencia administrativa, corrupta, interceira e danosa?!…
    Comento o caso do conterrâneo MM- Mido Macia – O caso aconteceu e continua a acontecer quase todos os meses e por vezes mais do que uma vez (já vai sendo hábito) na Cidade de Davetown. Perto de Benoni junto da Auto-estrada N12 que liga Joburg a Maputo. Segundo várias testemunhas que comentaram em jornais Sul-africanos, quem faz frente à força policial naquela cidade – é comum fazerem o mesmo por motivos insignificantes, como estacionar fora de mão… essas imagens, que todos vimos nas nossas TV’s, foi esse o motivo!… E sempre entre pessoas da mesma raça negra. Bruta, xenofóbica e desumana a opressão policial negra Sul Africana. Esse filme é uma pequena amostra do que se tem repetido à já muito tempo…até que alguém (e ainda bem) conseguiu filmar…só resta esperar o desenrrolar do julgamento dos policiais culpados… Não acho que sejam condenados por este governo corrupto, xenofubo e racista do ANC actual. Se fossem brancos esses policiais, teria acontecido o oposto e já teriam sido julgados com pesadas condenações para exemplo da minoria Branca….
    Como devem saber, nesta nova África do Sul (negra) a nova era do Apartaid é invertida…um país que tem uma lei chamada de BBBEE ou Broad-Based Black Economic Empowerment Na realidade não é mais do que uma lei que dá supremacia a indivíduos de raça negra no invés de empregarem indivíduos competentes de qualquer raça, só beneficiam os negros. É o apartaid contra a minoria branca a favor de negros, mestiços e indianos. Mais informações aqui: http://en.wikipedia.org/wiki/Broad-Based_Black_Economic_Empowerment! Já devem ter ouvido falar nas várias revoltas de povo enganado com falsas promessas na maioria de raça negra já se fez sentir em várias cidades Sul-africanas. Só resta esperar para ver (bem longe) o que vai acontecer.
    Agradeço de novo o seu artigo e a sua coragem! Que Deus continue a dar forças para desmascarar e comentar todos assuntos que digam respeito a esta nossa África cada vez mais pobre de riqueza mineral e de governantes justos e sérios. Até breve.
    Rebelion

  26. Não conheço o Isomar Pedro Gomes, mas gostaria de conhecer. Parece-me um Homem que consegue ver sem “lentes” !….
    Temos melaninas diferentes, mas que interessa a melanina, se ela não faz parte do cérebro, nem da mente, nem do coração?

    A África que todos sonhámos e a Angola que particularmente amamos,só terá uma coluna vertical levantada e direita, quando muitos como o Isomar se fizerem ouvir. Gostava de estar ao lado do Isomar nesse dia e dar-lhe um grande abraço, forte e sem cor.E mais, gostava de ver os meus netos a brincarem com os netos dele, como eu brinquei um dia com os pais dele!

  27. Victor Nascimento diz:

    Caro ISOMAR,

    Obrigado por este maravilhoso texto, tão elucidativo e realista.

    Admiro sua coragem e desejo-lhe toda a sorte do mundo.

    Um “Cabeça de Pungo” exilado há 35 anos.

  28. Reinaldo Ribeiro diz:

    Isomar

    Palavras para quê? Você disse tudo. Tristes os que vêem o mundo a preto e branco. A primeira vez que estive em Angola, não fui, regressei. Depois bebi a água do Bengo…
    Gostaria, tal como o Henrique Arruda (meu amigo de sempre) num comentário anterior, de poder dar-lhe um grande abraço, apenas com a cor do reconhecimento e da amizade.

    Bem haja

    Reinaldo

  29. Prezado Isomar,

    Antes de mais gostaria de lhe dar os parabéns pela profundidade da sua escrita refinada, pese embora a mágoa por constatar que as coisas não são como sonhava.

    A sua prosa é digna de um escritor de elevada craveira, e tem todos os tributos para que assim seja. Elevada cultura e conhecimento do comportamento humano e um grande distanciamento histórico com inegável independência, só digna de pessoas com elevada estatura ética e moral.

    Todos os povos no decurso das suas histórias cometem erros, alguns dos quais nos envergonham quando analisados á luz e sensibilidade presente. Concordo consigo no que respeita à comum desculpabilização dos fracassos dos ex-colonizados culpando o colonizador. Há brasileiros que ainda hoje se desculpam de fracassos seus, com o colonialismo (que lhes deu um continente, caso contrário seriam 23 paisecos da América Latina). Por isso, não é de estranhar. Mas posso dizer-lhe, do que conheço de Angola e é um bocado, genericamente é um povo extraordinário e bom.

    Não seja demasiado rigoroso com o povo por ações de alguns. É lamentável, é verdade, mas há esperança. O povo está a crescer na sua identidade e cultura e pessoas como o senhor farão a diferença. Aliás, o senhor é exemplo de que podemos acreditar e ter esperança. Esse crescimento fará com que haja maior escrutínio que levará com que condutas políticas sejam mais acertivas quanto aos benefícios da governação.

    Mas a chave é a educação e formação. Angola não pode perder esta batalha. Não adianta apenas construir infraestruturas (são importantes), sem termos bons professores, bions médicos e enfermeiros, etc. Gente com a sua qualidade em número suficiente.

    Neste campo há muito a fazer e Portugal, o antigo colono, pode desempenhar um papel importante conjuntamente com os Angolanos, sem complexos de parte a parte, mas antes irmanadamente dando-se as mãos.

    Com efeito, há uma capacidade educacional em Portugal excessiva que pode casar com as necessidades de Angola. Um grande plano “Marshall” para a educação e a saúde, com real transferência de conhecimento, que é formar bem os jovens e os menos jovens com qualidade, em Angola. Os Governantes dos dois países deveriam ter essa percepção, se ainda não tiveram, porque todos somos poucos para tornar o nosso mundo melhor. Todos precisamos uns dos outros. África já está suficientemente independente para que se perceba que não é a cor da pele que determina quem é bom ou mau. Somos todos iguais.

    Na Europa houve sempre movimentos culturais históricos que determinaram avanços civilizacionais com a contratação de grandes mestres estrangeiros. Portugal recebeu muito dos italianos, por exemplo, que ficaram no país. Não há que ter complexo nenhum, mas pragmatismo. Nós somos irmãos, pode crer.

    Um bem-haja pela sua prosa refinada e meridianamente transparente. Mas não perca a esperança.

    Um abraço
    Mário Russo

  30. Amina Momade diz:

    Meu caro,lindo texto e muito realista.
    Desejo-lhe toda a sorte do mundo. continue assim

  31. GMaria da Graça Garcez diz:

    Querido Isomar,

    Perdi o chão, a terra e o futuro que sonhei para mim e meus filhos e netos…
    Costumo dizer que só sou branca por fora. Depois de ler o seu artigo, tenho esperança. Não será para mim, mas quem sabe, para os meus filhos ou netos.
    Um abraço do tamanho de Angola, pela sua lucidez e coragem.

    MGraça Garcez

  32. Eva Garcia diz:

    Caro compatriota Isomar
    Não o conheço pessoalmente, mas para além de ter a mesma percepção em relação a África (estive em Angola em 2005, no Quénia em 2010 e no norte de àfrica em 2008)tenho que reconhcer que é preciso ter uma grande lucidez e coragem para escrever desta forma. Dapandula.

  33. Rosa Maria Faria diz:

    Isomar,

    Não encontro palavras para lhe agradecer o que escreveu. Registo a coragem e sobretudo a clarividência. Tudo quanto pudesse dizer mais seria repetir o que foi dito. Bem haja

  34. Andreia Santos diz:

    Boa Noite Isomar,

    Antes de mais parabéns pela coragem de expor aquilo que infelizmente acontece um pouco por toda a Africa.
    Concordo quando diz que ao fim de 37 anos temos de parar de culpar o colono pelo estado em que está a nossa Angola. Mas em parte concordo que Angola ainda tem muito trabalho pela frente em parte graças ao colono.
    Antes da descolonização muitos pretos/negros só podiam frequentar a escola até certo nível acadêmico. Certos cursos eram para brancos e mestiços. Mas não para negros. Os negros que tinham determinados cursos ou tinham ou eram filhos de alguém.
    Mas partilhamos a mesma mágoa que é vermos o nosso país a ser destruído pelos nativos e desta vez sem a ajuda do colono.
    Quando se deu a independência muitos desses negros mal sabiam ler ou escrever quando tiveram de agarrar armas. Foram para a guerra. E nas licenças iam fazendo filhos que cresceram com igual ou pior educação porque é difícil passarmos para os nossos filhos aquilo que não temos ainda por cima em tempo de guerra.
    Por ser negra mista, convivi com os pontos de vista de um lado e do outro.
    O colono construiu muita coisa mas não foi para nós mas para uso próprio. Os negros mudaram-se para as casas grandes depois da expulsão do colono. Muitas províncias tinham equipas de desporto onde não havia um único negro. Num país dito negro! O meu bisavô branco português tinha um prego de 20 centímetros que usava para abrir a cabeça dos negros velhos e moribundos ou daqueles que o chateavam pelo simples facto de existirem. Quando ele morreu meteram correntes para atracar os navios no caixão dele para o diabo branco não sair. Em determinada altura tivemos de vir para Portugal. Deixamos o nosso casarão e viemos para as barracas. Não saímos por não termos o que comer. Saímos porque os nossos pais queriam garantir que iriamos ter acesso a uma educação e escolaridade completa.
    Mas a vida cá não foi um mar de rosas. É segura, isso sim, mas digo-lhe que antes ser branco em Angola do que negra em Portugal.
    Todos os países colonizados tiveram mais coisas más do que boas durante esse período.

    http://www.telanon.info/sociedade/2009/02/02/907/sao-tome-e-principe-recorda-o-massacre-de-1953/

    Como este tenho mais links, recortes e testemunhos de negros que sofreram e não foi pouco a mão do colono.
    O que doi mais do que isso é sermos governados por africanos negros piores do que o colono.
    E graças a Deus que a colonização acabou. Porque agora sim vamos ser capazes de crescer como irmãos. Coisa que até hoje não somos.
    Apesar de ser dupla, em Portugal perguntam-me quando volto para a minha terra e quando estou na minha terra dizem que tenho demasiados hábitos dos brancos.
    É frustrante ter sempre de optar por uma ou outra pátria quando tenho duas. É quase como perguntarem se gosto mais do meu pai ou da minha mãe.
    Espero que um dia possamos ser africanos ou europeus sem que o nosso pigmento interfira com isso. As pessoas têm de ficar onde está o coração e não a cor.
    Muito obrigada pelas suas palavras. Vou passar a seguir os seus textos. Porque gosto e me identifico com o que escreve.

  35. Pereira diz:

    Meu Caro Senhor,
    desejo-lhe as maiores felicidades do mundo e que tenha uma vida longa para denunciar estes casos que a todos envergonham.
    É certamente, pela coragem com que escreveu estas verdades, uma pessoa integra, todos os governos deviam ser constituídos por gente integra. Nas “campanhas eleitorais” prometem “tudo e mais alguma coisa”, depois de eleitos, não governam, “governam-se” e à “cambada que os acompanham”, Desculpe este meu desabafo.
    Os meus parabéns.
    Um abraço
    José Pereira

  36. Spinola António Jamanca diz:

    Caro senhor Isomar. Sou preto como senhor, mas partilho todo o ponto de vista do senhor. Em 1974 tive que fugir com meu pai para Dacar depois de independência de Guiné, com 4 anos. Na Europa, primeiro em Espanha e depois em Portugal passamos mal mas sempre fomos respeitados pelos brancos. Como senhor diz vivo na Europa e não quero viver na Guiné porque aqui o cidadão é tratado com justiça. Tenho dor da falta do cheiro da terra da Guiné mas enquanto os velhacos que governam o meu pobre país mandarem não é possível voltar. Se Guiné fosse Portugal como meu pai gostava, certamente estariamos melhor sem indepêndencia. Um tio meu guinéu sem saber ler, mas alistado pelo homem grande da tabanca, morreu em combate pela bandeira de Portugal. Ele tinha razão na sua luta, a indepêndencia só trouxe dor e sofrimento aos pobre povos de Guiné (são 40 povos diferentes).

  37. António Gouveia diz:

    Que beleza de relato, os mesmos problemas, os mesmos dramas e anseios lá como cá, apenas com uma diferença: a velha Europa “evoluiu” um pouco mais; mas está agora a descer, esta crise, este turbilhão de falta de emprego, as elites, a riqueza de meia dúzia, a pobreza da esmagadora maioria, infelizmente o mundo é todo igual e e tarda em regenerar-se. Mas a ousadia e coragem que aqui leio pode ser reflexo de um grito que ecoe e se ouça por todo o mundo. Bem haja pela sua coragem e lucidez. Boa Páscoa para si, muitas felicidades de quem também andou (um velhote como o senhor) por esses lados, que não foi colono, aí deixou muitos amigos e ajudou Angola a crescer.E que beleza essa cidade de Luanda, onde sempre estive de 1965 a 1967. esse povo angolano que visitava frequentemente nos muceques (a convite do Simão, que trabalhava comigo a base aérea). Que saudades, Deus meu, nunca mais pude voltar.

  38. António Silva diz:

    Caro Senhor,
    O alerta que faz é comovente e mostra a coragem e a inteligência da análise que faz ao estado a que o estado angolano (e outros estados africanos) chegou. Mas a incompetência, a desonestidade e a corrupção dos atuais dirigentes angolanos não pode servir de justificação ou de desculpa aos dirigentes de outrora, do tempo da colonização, em especial, por referência aos maus exemplos que, sabemos, foram, também infelizmente, muitos.

    De resto, Caro Senhor, estou consigo no que respeita à crítica aos atuais dirigentes de Angola.

    Com os melhores cumprimentos,

    António Silva
    nascido em Luanda, de nacionalidade portuguesa, com uma tremenda vontade de regressar à terra onde nasceu)
    Lisboa, 2013-04-01

  39. Areolino Lopes da Cruz Pode ter uma outra justificação, mas responderi de seguinte modo: África está cheia de confusões – guerra (intrigas, ódios, invejas, abusos, desordem, matanças, etc, etc…). Enfim, a pessoa humana não tem valor e não é respeitado. Em muitos casos existem perseguições, torturas e mortes. Não existe liberdade de pensamento e de acção. Tudo tem quer ser sempre ao geito do regime que vigora. Nessa ordem de ideia todos aqueles que tem oportunidade de sair, em busca de um futuro melhor não pensaram duas vezes. Na Europa se a pessoa é competente vivi da sua competência e não precisa graxar ou entrar pelos caminhos pouco claro para se poder sobreviver. A pessoa humana é respeitada e valorizada. A titulo de exemplo; a onde em África que poderia ver um deficiente, seja já de que tipo for, a merecer devida atenção para se sobriviver. Mesmo estando nos países mais podre da Europa ainda é melhor do que estar em África, porque é um continente imprevisível em termos de conflitos. Essa migração africana e sobretudo dos cérebros, tem a sua razão de ser, porque vivemos uma êpoca de globalização e cada um está a procura do melhor espaço para se poder sobreviver. Desse lado tem organização, mas do loutro nhenté!!!

  40. Lekay Ranka diz:

    Tais a ver….
    Os europeus estão tentando explicar e justificar a crise e caos que assola os países ibéricos devido a presença dos africanos.
    É mesmo assim, os europeus exportam lixo para a África e África reage exportando africanos para a Europa …. é a tendência da globalização do lixo no planeta .

  41. orlando gonçalves diz:

    Ó amigo se alguém que não devia vê isto o senhor nunca mais é encontrado em lado nenhum. Oxalá ninguém que não deva leia o seu pensamento

  42. Emerson Batista diz:

    Caro senhor Isomar,

    Eu estava procurando por informações comerciais em Angola e encontrei este site. Eu li o que os outros colegas escreveram e fiquei a pensar, instigado a dar minha opinião.

    Eu sou brasileiro, mulato, filho de mãe negra e pai branco. Eu sou casado tenho 40 anos e minha esposa é branca.

    Quando eu tinha 04 – 05 anos nossa família não tinha muita comida e eu me lembro dessa época difícil da minha vida.

    Minha mãe que era professora do ensino fundamental (crianças de 07 a 14 anos)sempre me incentivou a estudar e meu pai (que estudou muito pouco) também.

    Eu estudei o ensino fundamental em uma escola de uma das favelas (bairro com casas muito pobres, construídas em morros) da minha cidade e depois fiz teste para o ensino técnico público (jovens de 15 a 18 anos) e consegui minha primeira profissão (Técnico em Eletrônica). Após alguns anos ingressei(através de um rigoroso teste) em uma universidade pública (Física) e depois em outra (Engenharia Mecânica). Minha esposa que era pobre também é engenheira.

    Hoje eu vivo confortavelmente no Brasil. Pelo fato de ser negro e ter estudado em excelentes universidades públicas, (No Brasil, as melhores universidades são as públicas – esta é uma exceção que foge a regra) consigo emprego fácil em grandes empresas multinacionais que precisam de negros para mostrarem à todos que estão fazendo alguma coisa pelos mais pobres.

    Sim, os negros(55% da população é negra ou mulata) são muito mais pobres no Brasil do que os brancos.

    A diferença aqui é que NA ATUALIDADE existe uma miscigenação entre as camadas mais pobres. O preconceito entre os mais pobres (maioria da população) diminuiu muito.

    PORÉM, EU VIVO e sempre vivi (após a entrada na universidade em 1994) no meio dos brancos (provavelmente, por este motivo minha esposa é branca). Praticamente não existe negro em boas universidades públicas no Brasil (a cada 100 estudantes 1 é negro – exceção é o estado da Bahia ).

    Hoje eu sinto preconceito nos brancos mais privilegiados e faço questão de sentir este preconceito. Eu tenho dois carros, um velho e um novo. Quando eu chego em algum lugar com o carro velho os brancos pensam que vão ser assaltados ou me olham com indiferença. Quando chego no mesmo lugar com meu carro novo sou bem tratado, como um branco mais privilegiado.

    Eu estive trabalhando para uma empresa inglesa na construção de uma refinaria na Nigéria e pude constatar a realidade africana. Eu também percebi claramente e me identifiquei com meus irmãos africanos.

    O Brasil está crescendo economicamente, está se miscigenando, está se tornando mais acessível e menos injusto, mas existe ainda um grande caminho a percorrer.

    O que eu acho de Angola? Angola é um pais maravilhoso que pode melhorar muito (e somente ) através da Educação. Eu penso que os angolanos devem sair de Angola para estudar, MAS voltar e construir um futuro, uma grande nação negra, mais justa e democrática. Um país nunca crescerá sem os seus grandes pensadores, estudiosos e patriotas.

    Como o Brasil eu acredito que Angola precisa de investimento, MAS principalmente de EDUCAÇÃO (escolas técnicas, universidades,…). A partir daí se formará um grande grupo de pessoas e estas conseguirão influenciar outras. A revolução de idéias e ideais se fortalecerá e vencerá a opressão das armas e dos ignorantes.

    Um grande abraço à todos.

  43. Pedia autorizacao para publicar esta postagem no meu blog.

    Agradecido,

    N. Ferreira

  44. Paulo Petersen Loreto diz:

    Infelizmente, seja branco, negro, amarelo ou qualquer outro quando detém o poder político e econômico, mostra sua verdadeira face opressora, egoísta e desumana mesmo contra irmãos. Isso ainda em pleno século XXI! Mas a situação está melhorando e aos poucos mudanças importantes na sociedade se fazem.
    Sou branco e meu nome mostra uma mistureba de origens. Isso é muito comun no sul do Brasil. Aqui também há muitas pessoas de origem antepassada africana infelizmente vindas prá cá como escravos. Minha esposa é negra e temos uma filha que sem problema nenhum chamamos carinhosamente de mestiça. Cremos que ela será o futuro de uma sociedade muito melhor onde o cidadão não será tratado pela cor mas pelo seu caráter.
    Acho ótimo quando vejo Brasil e Angola caminhando juntos em busca de interesses comuns. Um exemplo disso é o grande número de angolanos que estudam no Brasil. Espero que estes angolanos depois de formados contribuam por uma Angola mais justa e feliz.
    Cachoeira do Sul – Brasil.

  45. Joaquim Trancoso diz:

    Caro senhor Isomar

    Depois de ler o seu texto, duma lucidez ímpar, não podia ficar simplesmente a pensar no que escreveu, achei por bem expor o meu comentário que não é mais que um “muito obrigado” pelo magnifico exemplo de cidadania que plasmou por escrito, só posso desejar-lhe que nesse local mal frequentado por energúmenos que tomaram o poder de assalto, nada lhe aconteça em termos de segurança pessoal.

    Sou português e estou-me nas tintas para a cor da pele (a minha mulher não é “branquelas”, passe a expressão, como eu… e depois? É um ser humano como qualquer outro! Às vezes fico bem aborrecido com ela quando fala que “aquele” – da família dela – é mais escuro ou mais claro… uma coisa absurda que eu combato tenazmente, é simplesmente ridículo, é imoral), tenho amigos africanos, chineses, afro-brasileiros e estou-me nas tintas para a raça, estou-me nas tintas para a religião, estou-me nas tintas para a sua capacidade económica, estou-me nas tintas para a sua literacia, estou-me nas tintas para o seu estatuto social – são meus amigos, ponto final, e eles são belíssimos amigos!

    O ser humano, na elevada sua complexidade, é simultâneamente composto pelo que há de melhor e pelo que há de pior, já nasce assim, é genético – é pois a educação dos seus progenitores, o meio ambiente familiar, o apoio, carinho, compreensão e rumo que o vai moldar para a sociedade, e é em função destas premissas o que virá ao de cima – se o melhor, se o pior ou se ambas. O conjunto de indivíduos dessa sociedade, com língua, hábitos, tradições e costumes comuns pode tornar-se numa empresa gerível se, como integração numa comunidade com identificação e território comuns, tiverem a liderar pessoas honestas, pro-activas e virados para a evolução do seu povo – e não do cimento e de ostentação faraónica… vai tornar-se numa nação de pleno direito; outras, através de guerras, golpes de mão ou de “estado” (?), não só têm o opróbrio internacional, como ficam dependentes do terror para sobreviverem… de nação nada têm! Não passam da “cepa torta”!

    Angola é uma grande país mas ainda não é uma grande nação, pois os alicerces desta são a igualdade no direitos, na EDUCAÇÃO, na habitação, no acesso aos cuidados de saúde mas, e acima de tudo, no acesso à justiça – razão pela qual, e por comparação, Portugal é uma Nação antiga mas de menoridade pelos factos atrás citados; li todos os comentários, concordo com esmagadora maioria, mas não posso deixar de considerar que existem actualmente 193 países, mas destes apenas algumas poucas nações! Os povos parecem letárgicos e acomodados, muitos intitulam-se de comunistas mas não passam de Nacional-fascistas, outros arvoram-se em democráticos mas o acesso a necessidades primárias dos seus povos está pelas ruas da amargura – no entanto há algo comum em todos os mencionados: autóctones que tramam os seus semelhantes, corruptos que exploram e, quais vampiros sedentos, sugam o sangue de um país que se quer nação. No que toca a Angola, com todo o potencial que tem, o que contrato, infelizmente, é todo um povo a esvaír-se em sangue, os seus corruptos líderes sobreviverão até ao último dos pobres semi-escravizados e incultos – porque interessa que seja assim! Até um dia…

    Fiz os meus estudos no tempo do Salazar, logo sei bem o que eram aqueles tempos mas, nem por isso deixei de compreender que “aquele mal” também tinha algo de bom, existiam escolas por todo o país (se bem que, essencialmente, para o ensino primário), e quem pudesse dispor de algum – mesmo que pequeno – desafogo, ia estudar, pelo menos no secundário que a opção inversa seria a emigração. Como nação, foi-nos inculcada a noção de “Império”, colonizando outros povos que, devido essencialmente a tribalismos, se deixavam facilmente dominar, não tinham espírito de nação, (basta ver o que se passa ainda hoje, não apenas em muitos países africanos como árabes, mas nalguns americanos e asiáticos – e a Europa também não está isenta disso, ainda hoje existem problemas Kosovo/Sérvia entre outros, por exemplo), um tribalismo feroz não permite a união sob a identidade de uma nação, logo facilmente dominados e, infelizmente, escravizados.
    Como em tudo na vida, há pontos positivos e negativos, a capacidade evolutiva na assumpção das realidades define o modo de agir, é imperioso, é fundamental, deixar de ver o presente e o futuro com os “olhos da nuca”! É que é doloroso para todos e não leva a lado nenhum, não alicerça, impede a construção, desfaz o sonho do futuro dos nossos descendentes. O irresponsável individualismo que refere no seu testo, caro senhor Isomar, é bem certo que também não leva senão a miséria da maioria e enriquecimento duma minoria que, na generalidade, apenas pretende chegar ao pote por vias ilegais tornadas legais por decreto… e infelizmente por opressão e falta de alternativa credível. Até um dia…

    Com a revolução dos cravos (a pior coisa que se fez, uma revolução com flores havia de dar no que deu, temos “flores” por tudo quanto é pulhítica, a pior classe política desde o tempo do D. Afonso Henriques que, se fosse vivo, passava-os a fio de espada), houve uma esperança de melhoria (em contraponto a uma descolonização ignóbil, irresponsável e que deixou uma amarga imagem para ambos os lados) quase equiparada a uma independência, mas aí como aqui, os autóctones são os piores, logo que agarram o tacho, só à força bruta abrem a garra, mal do pagador de impostos que alimenta a escória da sociedade, dotados duma overdose de estupidez e de maldade, uma sobrecarga de ganância e de podridão que não os mata logo, mas que destrói toda uma nação, exemplares máximos do que de pior os supostos comunistas e socialistas com visão stalinista, que por cá também pontuam e onde também houve um 27 de Maio mas foi em Novembro com uma segunda versão em Março do ano seguinte, só não foi um massacre porque ninguém ia na conversa – e eles sabiam disso, que de outro modo não punham a garra no pote, infeliz o povo que não responde com a força da razão que lhe assiste a este assalto ao seu esforço!
    Creio que pior só quando cá tivemos os espanhois, não sou desse tempo como é obvio, só posso ajuizar pela história, mas os actuais são tão maus ou piores… quase uma cópia do que se passa aí com a diferença que a corrupção por cá não tem petróleo incluído… mas que fomos invadidos, lá isso é verdade, melhor faríamos virar a bandeira de cabeça para baixo, que essa história de o tuga viver acima das possibilidades é conversa para boi dormir, não é o povo que manda construir auto-estradas, campos da bola e monumentos faraónicos… limita-se a pagá-los com língua de palmo! Aí em Angola, como cá em Portugal… nada de novo! Não é o povo que leva a economia dum país à ruína, são as corruptas agências de notação financeira que dão A+++ a Lehman Brothers falidos e que gerem em causa própria os destinos mundiais, são os pulhíticos que se lhes vendem e/pu fazem frets… o povo paga tudo – bem fizeram os Islandeses, aquilo é que é um povo com os predicados no sítio, mandaram o FMI para Plutão, criminalizaram os políticos e estão a tornar-se, de novo, um exemplo à escala mundial… talvez tenhamos mesmo de ir por aí!

    SE pudéssemos dividir em dois um PULHÍTICO (é o que existe na esmagadora maioria dos casos), obteríamos um mentirosos e um ladrão… inventem lá o que quiserem, mas esta é a triste realidade universal, querem todos meter a garra curva e com as unhas salientes no pote com falsas promessas de democracia (alguém já a viu por aí? Tirando alguns países do norte da Europa, acho que não anda por mais lado nenhum), apelando a uma das maiores falácias jamais montadas, o voto pela partidocaracia, (“o voto é um direito e um dever cívico” – que magnífica hipocrisia suportada por uma comunicação dita social que faz fretes aos pulhíticos) o voto em legislativas em que se elege um partido e não a pessoa que queremos que nos represente (designado por voto nominal). A forma actual permite que os boys e as girls do poder instituído/partido PULHÍTICO já tenham lugar assegurado nos parlamentos, que por sua vez têm tubarões e outros canalhas que andam á babugem em roda da boia à espera de migalhas – quando não é pior, quando esses boys e girls estão sob dependência e supervisão de grandes grupos económicos e lobbies poderosos, em que a polícia aparece como força de repressão e interposição entre os citados e a população em geral (é uma inversão, mas na realidade, a repressão policial funciona ao estilo de “um comprimido” para curar a “doença” da democracia e tanto mais repressiva quanto mais corrupto o “desgoverno” y sus muchachos). Se um pobre roubar para dar de comer aos filhos vai logo preso… porque em termos de roubo, os governos não admitem concorrência, para os pobres é ilegal e passível de condenação, para os poderosos é instituído por decreto com as interpretações legais mais ignominosas de que alguém se pode lembrar. Esses poderosos e PULHÍTICOS fazem-me sempre vir à memória o Nicolae Ceaușescu – e o que lhe aconteceu… e à mulher!

    O novo riquismo pimba e pindérico é que é a parte mais saborosa de um grupo de pessoas que, de repente, se vê com as mãos no pote… e mais saborosa porque fazem as pessoas que estão de fora verem o cómico,o ridículo e a tacanhez de espírito de que são dotadas, as capacidades ilimitadas que têm de exibir a sua ignorância (é bem sabido que um morto, por estar morto, não sabe que está morto – com a estupidez passa-se o mesmo ou, no inverso, não há maior burro que aquele que sabe que o é mas insiste em demonstrá-lo, custe o que custar!).
    Eu vejo-os na Avenida da Liberdade em Lisboa, à boa moda chinoco/pimba ainda com a etiqueta da roupa que compraram à mostra para exibirem a marca e acharem que estão a mostrar alguma coisa demais, pobres de espírito que por cá também os temos, estas aberrações não são monopólio de ninguém nem de uma só nação – não estão cá (salvo raras e honrosas excepções, que apenas servem para confirmar a regra) para trabalharem, vêm cá “às compras” e, na sua mentalidade tacanha, exibir-se perante o “ex-colonizador” como se a história, por ser o que é, tivesse de andar às arrecuas, como se o ladrão que pagou a sua dívida à sociedade tivesse de continuar a ser ladrão para o resto da vida, incluindo todos os seus descendentes; exibe-se apenas porque “sim”, porque acha que é muito “in”, esquece que sofre todo um povo à custa das suas mãos em forma de garra metidas no pote, gulosos e corruptos analfabrutos a armar ao pingarelho, mais lhes valia esforçarem-se por construir um país mais justo em vez de fazerem compras de artigos extravagantes e de luxo e a seguir gritarem “viva o MPLA”, quiçá por estarem gratos a este pelo saque ao pote, quiçá para exibirem a sua cretinisse de mentalidade infra-humana, se de humanos podem receber tal classificação.

    Quanto a Deus, não sei se existe, é uma questão de fé e a minha anda muito abalada com a pouca vergonha que se passa a nível global, por isso não sei se é branco, mulato ou negro… a existir, penso que será azul… da cor do céu! É uma esperança, pelo menos!

  46. Maria Oliveira diz:

    Sr Isomar Pedro Gomes,eu , BRANCA, portuguesa, felicito-o pelo arrojo e coerência que aqui, através das suas palavras, demonstra ter!

  47. Portugal diz:

    Brilhante-temente escrito e com uma coragem ímpar, parabens.
    apenas acrescento este video http://www.youtube.com/watch?v=D_naXf_c6As

  48. Fernando diz:

    Me sinto triste de ver que na África algumas pessoas sejam tão pouco informadas,admito que não conseguir ler seu texto todo, tamanha é a desinformação e servilidade.

    Se hoje houver mais africanos que europeus na Europa, isso de maneira alguma é por boa vontade deles, pelo contrário, africanos são indesejados, tanto na Europa quanto na América, posso falar sobre o país onde nasci, Brasil, aqui houve alguns séculos de escravidão negra, houve uma época em que os negros eram mais de 80% da população, e por esse motivo foi aprovado leis para purificar o sangue da nação, algumas medidas ainda são válidas mesmo que de forma sutil, algumas delas foram: proibir a entrada de africanos, importa brancos da Europa:Portugal,Itália, Espanha… Chegaram ao ponto de importar até gente do Japão(hoje o Brasil tem mais de 1 milhão de descendente de japoneses, é a maior comunidade fora do Japão), Coreia e afins… E o melhor, doando terras e dinheiro para essas pessoas, tudo isso por conta do estado brasileiro, enquanto os antigos escravos foram atirados ao relento, sem trabalho, sem dinheiro… Tiveram que se refugiar nos morros e matagais, assim se iniciou as favelas que hoje temos aqui, uma outra foi obrigar os negros a lutarem na guerra do Paraguai, boa parte dos jovens perderam a vida por lá(por falar nisso, nosso vizinho, Argentina tinha uma grande população negra e conseguir um feito interessante, matou dois coelhos com uma cajadada só, dominou o vizinho Paraguai e ainda de sobra acabou com os indesejados, quem? Claro, os negros, foram exterminados na guerra a maioria deles), há um país aqui perto chamado Haiti( esse lugar tem uma história fascinante, oficialmente, foi o primeiro país do mundo onde os escravos se tornaram senhores, também teve grande influência no fim da escravidão em todos os países da América, apesar de hoje ser dominado militarmente pelos EUA e pela ONU)voltando ao assunto, o que ocorre é que no Brasil, milhares de europeus emigram todos os anos, mas acontece que os haitianos estão com um país destruído pela guerra e sobre domínio de tropas internacionais, e por isso procuram migrar, e um dos destinos é o Brasil,alguns deles até conseguem entrar, mais a maioria ao chegarem aqui são impedidos, motivo? São pretos.

    Isso foi só pra ilustrar a situação dos africanos, vejo diversos jornais e noticias onde os europeus tentam a todo custo barra a migração de africanos para seus países, isso é receber de braços abertos? Falei sobre o Brasil, porque conheço bem, a Europa não é diferente, o que acontece é que a população deles está envelhecendo e encolhendo, ou seja, a tendencia de lá e a população encolher cada vez mais, eles precisam de mão de obra, mesmo que não gostem de pretos.
    Agora a respeito de seu texto, vi uma tendencia a exaltar os brancos.

    A Europa é o que é hoje, graças aos africanos, desde os antigos gregos que aprenderam com os egípcios e até “recentemente” os mouros,foi os negros mouros africanos que os tiraram da barbárie, pois viviam piores que os africanos atualmente e eram analfabetos e famintos em sua maioria, em especial os portugueses e espanhóis que foram dominados por mais de meio milênio por africanos e seus descendentes, repare que esses são os países que serão as potencias mundiais de suas épocas.

    O povo europeu construiu seu império atual as custas de milhões de vidas de negros e nativos americanos, são mais de 100 milhões de mortos, mais que as 2 guerras ditas mundiais juntas. Esses povos vivem de invadir, saquear e matar outras pessoas, atualmente estão desesperados, já não tem mais as colônias para sugarem, estão em decadencia e vão ficar pior, apesar de a elite deles ainda dominarem a america e principalmente a África, sim, eles ainda dominam a África, o que acontece é que os governos nacionais são fantoches e agem em benefício de seus mestres.

    Do mais, você citou que os nativos eram primitivos e deu a entender que foi bom serem dominados pelos brancos, o que você talvez não saiba, é que a África é o continente com a mais rica história da humanidade, também é o mais diversificado, segundo li, há mais de 5 mil etnias de pessoas nesse continente e mais de 5 mil idiomas, encontra-se desde povos como os bosquinianos, pigmeus até ruínas de antigas civilizações como os antigos garamantes, cuxitas, egípcios, fenícios… Até mesmo ai em angola houve povos que eram bem mais civilizados que os europeus, parece que você desconhece a história de sua própria gente, quanta diversidade há na Europa? Muito pouca, pois os diferentes foram exterminados.

    Espero que você publique meu comentário.

  49. Fernando Lamas diz:

    Um ano depois do último comentário encontrei este Blog por acaso e deparei com este artigo notável de lucidez e abrangência. Tocou o meu coração de cidadão da Terra. Embora sem grande esperança que ainda cá volte a ver comentários, tanto tempo depois, quero deixar aqui a referência de uma obra profunda que deve apreciar: L’Afrique Noire est-elle maudite? De Moussa Konaté, edições Fayard.
    Um abraço fraterno

  50. PretoPaiDeus-todas Raças diz:

    Caro Irmâo Isomar,

    agradeço peladescrita escrita verdade por ela ser a lúcida avenida em solucionar de tudo quanto nos estropia! A abelha é, insecto que instintamente como revelaçâo colhe de diferentes flores, a melhor matríz daqual se faz mel que serve como medicamento; das suas palavras aproveito o que me e creio nos serve de medeicamento e já que a abelha das diferentes flores colhe a melhor metríz também creio haver o contrário que a abelha nem sente para se extrair por servir em para nada porque hoje temos que usar todos nossos sensos para que muito antes de escrevermos, consultarmo-nos à muita materia para fazer inclusivo as nossos diferenças dentre diferentes povos.

    Deus é branco, mulato é anjo e preto diabo? Esse é, um bom diálogo quando todos sobre essa materia tiveremos a secreta revelada veracidade que apenas pela vinda e presença do Filho do Homem tudo é vislumbremente iluminado para que falsos Deuseanjos sejam desvendados para que “”O Preto”” a ausência da cor mas A Essência de toda sábia Inteligência que pelo seu estado e na sua forma quando em cor “”Preta”‘ ele Deus deste estado e forma vestindo o seu immaterial matríz do obscuro útero do espaço num estado formoso corporeal e assim sendo deste estado da cor “”Preta”” partindo-se tudo de criaçâo e de tudo criado dando seguência à tudo feito doqual partem raças-povos em indiferente do Autóctone Homem Original e Originador do Universo-DeusPreto.

    A conferência de Berlim é, o tratado, doqual tudo foi decidido para o exodo dos Africanos para as Europa e as Américas semqse veja a mâo e ou se oiça a voz do branco ditar-nos abandonar as nossas própria terras nativas enquanto divididos ao nosso detrimento pela glória dos imperialistas neo-colonialistas Europeus-Ocidente espalhados sobre esse globo.

    Enquanto parcialmente escrevermos a verdade e nós leitores tiveremos nenhum apropriado compreensivo conhecimento sobre a natalidade do universo e tudo sobre os céus e a terra no Autóctone Original HomemPreto, viveremos escrendo a gloriar o que fizemos a governor por apenas seis mil anos (6,000) à nossa própria continua lamentaçâo por nos desconhecermos que PENA!

  51. walter dos santos diz:

    Caro Isomar, ainda hoje escrevi saudações a Angola, ap´s ver aquela Luanda, como uma Capital lindíssima, parecida ao Rio de Janeiro. Então é so fantasia, a grande maioria dos negros não desfrutam do apresentado luxuoso tesouro de cidade? – Tantos prédios imponentes não para os negros? – Então é uma minoria de mentecaptos exploradores, ainda que negros, os quais expulsaram os colonialistas para ficarem seus lugares? – Que dissabor para mim, brasileiro que sou.
    Estou assistindo aqui em Pirapora-MG, desse imenso Brasil a novela WINDEC e vi negros donos de empresas, mulheres elegantemente trajadas expressando-se num português irretoquível, numa mostra de rara cultura, até superando o Brasil, onde as TV’s são chulas em palavrões, conflitos entre pais e filhos, pilares de desunião e mentiras, violências, etc.

    Eu estava acreditando na mudança de Angola, vendo e sentindo o negro em glórias. Então são mentiras, que lástima. Eu choro contigo caríssimo irmão e pposso sentir o sofrimento da imensa multidão de negros desprovidos a habitar as masmorras de Angola, o que sintetiza a trasição dos falsos líderes que assumiram o país. O meu abraço aos sofredores de Angola, a grande maioria que tu me anunciaste. Que o verdadeiro Deus exercite a sua justiça contra os mentirosos, que buscam tesouros na terra, mas estarão fadados ao terrível sofrimento no julgamento divino.
    Acredite-me, não sou nenhum líder religioso, ou fanático, mas clamo pelo Altíssimo e Onipotente Adonai, para punir os mercenários de tesouros, que impedem a grande maioria de progredir. Caríssimo Irmão Isomar, tu és um iluminado, que estás contido nas palavras de Cristo: – “Não temais aquele que matam a matéria, mas não tem competência para matar o Espírito.”

    O Espírito é a essência da vida, a matéria é volúvel e passageira.

    Daqui do Brasil, para os irmãos de Angola, que contribuiu com grande parte de seu povo, para a construção desta Imensa Pátria que é o Brasil, onde eu como mestiço, moreno de olhos verdes, encarno as diversas raças, podendo aconselhar tanto os brancos e negros a seguir o caminho da paz. Walter dos Santos.

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