Apagar Vestígios da Guerra no Munícipio do Cuvango

 

Cuvango é um dos muitos municípios de Angola que, graças às mudanças operadas nos últimos quatro anos em vários sectores, tem uma imagem nova em nada semelhante àquela com que a guerra a deixou.
As obras de impacto socioeconómico construídas e reconstruídas em tempo recorde têm também a vantagem de estimular o regresso em massa dos filhos da terra, o que fez com que nas povoações ressurgisse a cultura do milho, a principal da região.
A reconstrução e modernização do Caminho-de-Ferro de Moçâmedes, a edificação de estações e a reabilitação do percurso Lubango-Cuvango, entre outros empreendimentos, levaram o progresso ao município banhado por vários rios.
O soba grande do Cuvango acentuou, com a satisfação estampada no rosto, que “os caminhos do desenvolvimento chegaram ao município” e que “a nova estrada asfaltada, que sai do Namibe e passa por Lubango, Matala e Cuvango, chega a Menongue”.
Adão Kambimba lembra que “os camiões com mercadoria e táxis com passageiros já circulam com regularidade” e que, “embora as lembranças tristes jamais se apaguem”, sente-se descansado porque “o trabalho feito e em curso garante um futuro melhor para o país”.
O município, insiste, tem uma dinâmica nova e atractiva, com a construção e inauguração de escolas, hospitais, agências bancárias e de muitas lojas, que criaram postos de trabalho para dezenas de jovens.
O aumento da população e das boas estradas, salienta, favoreceu a diversificação do comércio e a produção agrícola.
O optimismo de Adão Kambinda é confirmado com a presença de pequenos estabelecimentos comerciais e de mercados informais um pouco por todo o município. “A população deixou de se deslocar ao vizinho município da Matala ou mesmo ao Lubango para se abastecer de bens essenciais. Tudo porque os jovens passaram a ter um novo espirito de empreendedor”, refere.
Os jovens empreendedores não perdem tempo e criam condições para materialização de projectos, com alguns a recorrem a financiamentos na nova agência do BIC aberta recentemente. Os negócios a que meteram mãos variam, mas a maior parte optou pela construção civil, recauchutagens e venda de alimentos.
Os habitantes do Cuvango elogiam a instalação de candeeiros eléctricos ao longo das principais artérias da sede do município. João Ndala diz que a iluminação pública “confere mais segurança” e “permite desfrutar o cenário de mistura de imóveis modernos com seculares, de que a igreja católica é um exemplo”.

Leia Mais
A linha arquitectónica e o valor histórico do edifício da igreja levaram o Governo Provincial da Huíla a delinear um plano de reabilitação, à semelhança do que sucedeu com a antiga missão católica do Cuvango já restaurada.

Obras em curso

A construção de escolas, ao todo com 27 salas, gabinetes para serviços administrativos, balneários e espaços de recreio, aumenta o número de alunos para 4.680 e melhora o trabalho dos professores
A ampliação da capacidade escolar abrage, além da sede municipal, as comunas do Galangue e do Vicungo, onde já funcionam duas escolas, cada uma delas com de seis salas, criadas com objectivo de encurtar distâncias, criar nas crianças o gosto por aprenderem e de aumentar o número de alunos no sistema oficial de ensino.
A modernização e ampliação das principais infra-estruturas públicas abrangeram igualmente os sectores da saúde, água e energia eléctrica, que permitiram a melhoria das condições dos serviços sanitários.
As mulheres grávidas têm agora assistência até ao nascimento do bebé numa maternidade reabilitada e ampliada, que tem salas de pré-parto, parto, pós-parto e duas enfermarias de 16 camas.
No Cuvango tem dois hospitais municipais, três centros comunais e 17 postos, onde trabalham profissionais com formação média e básica.
A inauguração, na semana passada, de um hospital de referência foi um alivio não somente para habitantes do Cuvango, como para os dos municípios da Jamba e do Chipindo, por dispor das especialidades de estomatologia, genecologia, cirurgia, pediatria e Raio X, dois laboratórios, capacidade para internar 30 pacientes e poder realizar diariamente mil consultas externas. A construção do estabelecimento, inaugurado pelo governador Isaac dos Anjos, que tem também morgue com duas câmaras, área administrativa e dois geradores de 45 kavieares, está orçada em cem milhões de kwanzas.

Construção de casas

O governador da província colocou na semana passada a primeira pedra da construção da centralidade do Cuvango, com 200 fogos, que numa primeira fase contempla 40 casas evolutivas T3.
Isaac dos Anjos lembrou aos responsáveis da empresa construtora a importância de se respeitarem a qualidade das obra e os prazos contratuais e de delimitar convenientemente a área, com arrumantos largos, passeios, zonas verdes e infra-estruturas para o saneamento básico.
Alguns jovens, a maioria professores, técnicos de saúde, comerciantes e agricultores, disseram, ao Jornal de Angola, que a nova centralidaede “é o ponto de partida para minimizar a carência habitacional no município” causada pela guerra. Francisco Nguelepete, professor, contemplado com um terreno de mil metros quadrados cedido pela Administração Municipal, no âmbito do fomento da autoconstrução dirigida, afirmou que quer começar a erguer a casa, a meio do próximo ano, quando o comboio de passageiros e mercadorias começar a circular. A circulação do comboio, referiu, vai facilitar o transporte de matearial de construção e tornar os preços baixos.
“As 40 casas em construção vão beneficiar os jovens construtores e os interressados em erguer a casas a seu gosto”, realçou.

Festas de Agosto

As festas do município do Cuvango, ex-Artur de Paiva, com mais de 93 mil habitantes, são comemoradas em 28 de Agosto, com várias actividades culturais, campanhas de sensibilização e de mobilização para manter a vila cada vez mais limpa, visitas a doentes e celebrações de cultos religiosos.
Cuvango foi elevado à categoria de distrito administrativo em 1885, com o nome de Vila da Ponte. O município, constituído por três comunas, a sede, Galangue e Vicungo, foi fundado em 28 de Agosto de 1947.

Jornal de Angola/Estanislau Costa

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Anti-Spam * Time limit is exhausted. Please reload CAPTCHA.