internacionalização Para as Danças Tradicionais Angolanas

O responsável da Acção Cultural na Huíla disse, no Lubango, que as danças tradicionais de algumas localidades da província estão a ser conhecidas internacionalmente devido à participação de grupos locais em espectáculos no estrangeiro.
Pedro Mussunda, que fez a afirmação num seminário, declarou que “a dança tradicional na Huíla conseguiu atingir já patamares bastantes elevados”.
“Os grupos de dança Kamatemba, da Humpata, Kataleco, do Lubango, Tucataleco, do Tchivinguiro, Muamba, da Vimba, e Tuapandula são os que mais se destacam na dança tradicional”, referiu.
Mas, a dança contemporânea, lamentou, tem diminuído de nível, principalmente o ballet, da falta de formação de dançarinos, instrutores e coreógrafos.
Pedro Mussunda também aludiu à falta de intercâmbio, de críticos de arte e ao facto de grupos e de artistas terem demasiada pressa de se apresentarem em público.

Formação contínua

Iara Wa’jiza, especialista em dança contemporânea, salientou a importância da formação contínua dos dançarinos na melhoria da qualidade da arte. “A dança entre nós está a perder qualidade, apesar de haver muitos grupos, por lhes faltar formação adequada”, advertiu.
A também coreógrafa lembrou que o bailarino tem de pesquisar por ser alguém constantemente insatisfeito que quer melhorar e apreender, não apenas a nível da dança, mas da escultura, pintura, literatura e da música. “É importante um maior intercâmbio entre os dançarinos angolanos e os de outros países”, disse.
O seminário Metodológico de Dança, que termina amanhã, realiza-se no âmbito do Dia Mundial da Dança, que ocorre hoje.

Autoridades tradicionais

Os sobas de algumas comunas e municípios da província de Benguela analisaram na quinta-feira, durante um encontro de reflexão realizado naquela província, a importância para a futura geração da preservação dos estilos de danças tradicionais, como o ukongo e mangandos, originárias da Hanha.
Em declarações à Angop, a chefe de repartição municipal da Cultura, Maria Imaculada Ventura, disse que o encontro com os sobas visou perceber o que foi e é a dança tradicional na actualidade.
Maria Imaculada revelou ainda que o encontro, enquadrado nas jornadas comemorativas do Dia Mundial da Dança, que se assinala hoje, serviu para mostrar que a dança tradicional ainda tem o seu carácter e significado em determinadas comunidades.
O acto provincial do Dia Mundial da Dança, disse, acontece hoje, na paróquia de Santo Estêvão, no município de Benguela.

Fortalecimento cultural

A chefe do departamento de artes e acção cultural da direcção provincial da Cultura do Huambo, Victorina Navimbi, destacou ontem na localidade de Quissala, a importância que a dança exerce no fortalecimento dos valores culturais de um povo.
A responsável defendeu, durante um encontro com os estudantes da escola de formação de professores do futuro, que marcou a abertura das celebrações do Dia Internacional da Dança, uma maior preservação e divulgação desta arte que, pela sua abrangência, faz parte de todas as modalidades artísticas.

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Para Victorina Navimbi, o aparecimento de novos estilos musicais em Angola, com realce para o kuduro, tem estado a contribuir significativamente para o crescimento da dança no país. “Os jovens têm feito um trabalho louvável no resgate e enaltecimento de determinadas danças, assim como na criação de novas expressões, através de fusões de estilos”, destacou.
Porém, apelou aos jovens a não enveredarem somente pelas danças modernas, mas também explorarem coreografias que fazem parte do folclore nacional. A responsável reconheceu ainda que a dança é um factor de identidade cultural e preservação dos valores de uma determinada sociedade.
O historiador Pio Chiwale, que também esteve no encontro, afirmou ontem, no Huambo, que a dança e a música são indissociáveis para o resgate dos valores culturais de um povo, sendo ambas factor de identidade e preservação cultural.
Instou ainda os novos criadores de música de dança contemporânea a criarem estilos que vão de encontro às raízes da cultura angolana, por forma a não se perderem determinados valores culturais.

Jornal de Angola/André Amaro

One Response to “internacionalização Para as Danças Tradicionais Angolanas”

  1. Filipa Medeiros diz:

    Muito explicíto. Parabéns :)

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