O Rio Bengo Serpenteia o Kuanza-Norte e Chega à Barra do Dande

O rio Bengo é um gigante que corre, encanta e desenvolve. O seu curso na vertente atlântica serpenteia o Kuanza-Norte e chega à barra do Dande. Na zona do Quitexe ganha o nome de Dange e é a pátria do jacaré. Só é verdadeiramente Bengo em terras do Cacuaco.
O seu percurso de Dange, Dande e Bengo tem grande importância económica, mas é rico em estórias mitológicas sobre jacarés. O rio Bengo é de invejar. Ganhou este nome perto de Luanda e faz furor na agricultura. Contemplá-lo à distância é difícil, porque tem a protecção de um manto de árvores e uma vegetação luxuriante quase impenetrável. Na Quiminha o rio Bengo “constrói” o seu primeiro marco de importância económica, a referência número um: é a barragem que regula o seu curso até ao atlântico.
À frente, a alguns quilómetros, na localidade da Lalama, um miradouro permite desvendar todo o seu esplendor. Daí corre lento até Kabiri onde “ constrói” o seu segundo marco.

Equilíbrio ecológico

Abastece de água a estação de tratamento que depois dá de beber a Mabuía, Camuteba, Banza Quitel, Cassanzo e Kingongo, no âmbito do Programa Água para Todos.
Em Fotosacala o rio entra num braço de ferro com a lagoa da Kilunda. Aí a aldeia é apenas uma língua de terra entre dois poderes que se conhecem bem. O rio não adormece na lagoa. Contorna pequenos entraves, acena à distância ao Morro do Chapéu e aparece em grande na Funda.
Nesta comuna do município do Cacuaco, irriga grandes campos agrícolas. No Camicuto o terceiro marco: dá de beber a um gigante que fabrica cervejas e refrigerantes. Os campos do Musondo e Ludi, também são apanhados por tabela.
A força da água é tanta que nem a lagoa do Panguila escapa. A lagoa é dominada por um manto vegetal, que a tapa por completo. Por baixo está a água do Bengo. Em Kifangondo o rio recebe a bênção da igreja do Santo António e mesmo aí dá vida a dois empreendimentos de vulto: as estações de tratamento de Kifangondo e do Candelabro.
Parte da água do Bengo dá de beber a Luanda, Cazenga e Viana consomem.
A refinaria de Luanda, expedita, também construiu o seu ramal privado com água do Bengo. O curso do rio tem mil e uma utilidades. Ainda em Kifangondo faz de fronteira com a província do Bengo, onde a porta de entrada é uma ponte.
A escassos metros, alimenta outra estrutura económica, a Angomenha, um associado de transporte de água bruta. A verdadeira força do Bengo revela-se no confronto com o mar.
O rio, na localidade da barra do Bengo, tenta por pressão invadir um espaço único, majestoso, soberano, o oceano Atlântico. Leia Mais
A linha de água doce, qual David e Golias, mostra-se turbulenta, mas é dominada, adestrada e salgada. Só lhe resta participar do equilíbrio ecológico.

Localização

O Bengo é uma província do norte de Angola, com capital na cidade de Caxito, no município de Dande. A província tem 25 139 km² e é composta por seis municípios: Ambriz, Bula Atumba, Dande, Dembos, Nambuangongo e Pango Aluquém. Os municípios do Ícolo e Bengo e Quiçama foram desanexados da província do Bengo e reintegrados na província de Luanda.

Guimarães Silva/Jornal de Angola

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *


8 + 5 =

Pode usar estas etiquetas HTML e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>