A Importância de Uma Estrada Nacional Para Angola

A viagem começa na cidade do Huambo e perorremos 470 quilómetros até à cidade de Menongue. Estamos em frente ao Hotel Roma Ritz. A caravana, composto por viaturas todo-o-terreno, transportava jovens filiados na JMPLA que percorrem o país para divulgar o programa “Diálogo Juvenil”. O primeiro secretário da organização, Sérgio Luther Rescova, dá orientações sobre a viagem.
Os carros deslizam no tapete asfáltico sem sobressaltos. O olhar vislumbra a cintura verde que delimita a cidade do Huambo. A velocidade do carro não permite tomar boa nota dos pormenores que a estrada e a natureza nos oferecem. A máquina fotográfica está bem posicionada nas mãos, para registar as imagens que enchem os nossos olhos. É a beleza das paisagens do Planalto Central. No horizonte, o verde das paisagens casa com o azul das nuvens. É formidável! É aqui que sentimos como é bom estar fora do frenesim de Luanda. Ar puro! São os frutos da paz, conquistada em 2002.
A alegria de andar pelas estradas do país leva-nos a paisagens nunca antes vistas. Os rios que se encontram ao longo da via são outra maravilha. Os lagos e as lagoas nas proximidades da estrada ornamentam a via. O brilho das águas reflecte o verde das árvores. O excelente estado da estrada entre as cidades do Huambo e Cuito e a capital do Kuando-Kubango, permite aos jovens de Menongue fazerem viagens turísticas para o Planalto Central. A mobilidade facilita os negócios.
A vida nos municípios do Catchiungo e Tchicala Tcholoanga é animada. Os kupapatas movimentam as vilas. É visível a alegria das populações. O Caminho-de-Ferro de Benguela serpenteia a estrada em direcção ao Cuito, na província do Bié. As lindas paisagens reclamam visitas turísticas. Estamos no desvio para o Bié em direcção ao Kuando-Kubango. As placas que indicam o trajecto sãos visíveis. Aqui a curiosidade do repórter começa. Não conheço a estrada das províncias do Bié e Kuando-Kubango. A distância que nos separa do desvio às terras do progresso é percorrida com distracção, dadas as imensas terras planas. Sem montanhas, as chanas parecem ser uma montagem. A Estrada Nacional número 140 é uma das melhores que o Executivo construiu no âmbito do processo da reconstrução nacional, como disse um companheiro de viagem.
O brilho do asfalto ao longe parece o brilho das águas dos rios Donde e Liapela, A via regista pouco trânsito, ao contrário da via que liga Huambo ao Bié.

As aldeias Calanga, Vipata, Chinque, Zequita, Chiungo Micha, Utále, Macova, Miveve e Chipita estão bem sinalizadas. De aldeia a aldeia vemos crianças a comercializarem produtos do campo. Galinhas e garrafas contendo mel são apontadas em direcção aos passageiros dos carros.

Estrada excelente 
 
As crianças das aldeias ainda alargam o conceito da utilidade da estrada. É também para elas um espaço de recreio, pois as aldeias não têm espaços de recreio e equipamentos para os tempos livres dos jovens. Com a nova estrada asfaltada as crianças das comunidades rurais tomam contacto com um país novo e com a paz definitiva.
As pessoas sentam-se nas bermas da estrada e com as costas voltadas para a faixa de rodagem. A estrada é um espaço de recreio, de comércio e de convívio social. Nas aldeias são notórias as bandeiras da República e dos partidos políticos, que simbolizam a independência e a existência de vários partidos políticos no país.
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Do Bié para a cidade do Menongue, até ao município do Chitempo não há rede de telemóvel. As comunicações por telefonia móvel não existem. Estamos no município do Chitembo. Já temos rede! Vila calma. A agenda aperta e impede-nos de parar e contemplar a vila que se levanta das cinzas da guerra. É visível a construção de escolas, hospitais e outras infra-estruturas públicas. Fim da vila. Placa verde indica-nos a direcção para a vila do Muembe e a cidade do Menongue.
“A estrada está muito boa”, diz o motorista Luís e acrescenta que aqui passam poucos carros. As aldeias Canhonga e Satchipema têm algumas construções de adobe e blocos, são cobertas com chapas de zinco, ao contrário das aldeias Chissama, Cambimbia, Boa Esperança, Candungo, Watana, Dumba, Kwamba e Chissoca com construções próprias da região, pau a pique, tipo jango.
São pequenos jangos separados uns dos outros. As aldeias Dumbo e Mayambi estão separadas por um rio e dão acesso ao famoso bairro Soba Matias.
Da última aldeia para a cidade do Menongue faltam sete quilómetros. A estrada parece estar mais refinada. A última aldeia diferencia-se de todas. Tem um posto de revenda de combustíveis e novos edifícios em construção.Terras do progressoChegámos à cidade do Menongue. Os kupapatas em combinação com os taxistas e peões dão vida à cidade. Não há engarrafamentos. A delegação é recebida com entusiasmo pelos militantes da JMPLA. Ao som dos tambores, os militantes dançam e cantam canções alegrias em língua nacional da região.

Sérgio Rescova é recebido com um lenço branco, amarrado no pescoço. De seguida tem um encontro de cortesia com o primeiro secretário do Comité provincial do MPLA no Kuando-Kubango, Manuel Francisco Tuta “Batalha de Angola”. Sérgio Luther Rescova é informado do funcionamento do partido e da sua organização juvenil. O anfiteatro do comité provincial do MPLA está engalanado. Mais de 500 jovens estão sentados para participarem na conferência sobre a participação da juventude no desenvolvimento das comunidades.

Bolsas de estudo

Alzéria Luís, de 21 anos, é estudante do segundo ano do curso de Biologia. A estudante da Universidade Mandume Wandayamufayo considera o programa “Diálogo Juvnil” como espaço privilegiado para os jovens contribuírem com ideias para o desenvolvimento das comunidades. A iniciativa da JMPLA, sublinha Alzéria Luís, devia ser concretizada também através de programas de rádio e televisão.
Támar Chiaka, 28 anos, é professora. Diz que o “Dialogo Juvenil” veio proporcionar aos jovens do Menogue um espaço de interacção sobre vários problemas que enfrentamos”. Támar Chiaka realça a falta de bibliotecas e a pouca informação que há sobre as bolsas de estudo que são atribuídas aos jovens da província. “Acho que devem ser revistos os critérios de atribuição das bolsas de estudo”, referiu.
Tamásia da Silva, 30 anos, defende a criação de mais espaços de recreação para os jovens na província do Kuando Kubango. Por falta de espaços de lazer, disse, os jovens muitas vezes deslocam-se para as províncias do Bié e Huambo aos fins de semanas e feriados. “Aqui dificilmente vêm cantores de referência, sempre param no Huambo e Bié e penso o programa “Diálogo Juvenil” está a cobrir este vazio”, sublinha.
Virgílio Nduma Francisco, 25 anos, é professor e defendeu a necessidade de diversificação de cursos no ensino superior na província. Sobre a questão do emprego defende que muitos jovens na região estão desempregados por falta de formação.
A delegação da JMPLA está percorrer o país no âmbito de concretizar o programa “Dialogo Juvenil”. É um programa que foi revitalizado pela organização, na sequência do apelo do Chefe de Estado, sob a necessidade de se dialogar mais com a juventude sobre várias questões da vida do país. É isto que a maior organização da juventude angolana está a fazer. O objectivo é  ouvir os jovens das províncias, municípios, comunas, bairros, aldeias ou ombalas e colher contributos das dificuldades e preocupações da maior franje da população angolana.  Era bom que todas as organizações juvenis levassem a mensagem do Chefe de Estado em todos os cantos de Angola. É um acto de cidadania e de patriotismo!



Jornal de Angola/Gabriel Bunga

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