Fábrica de Discos de Angola em Reabilitação

O exterior da estrutura do edifício de três andares onde se alojou a Fábrica de Discos de Angola (Fadiang), na cidade do Cuito, província do Bié, está a ser reabilitado.
Paralisada há mais de 30 anos, devido ao conflito armado, a Fadiang era o local onde se produziam discos de vinil de músicos angolanos e estrangeiros.
Hoje, pouco resta da fábrica, além de alguns vestígios e os escombros como lembrança. De 1975 até à década de 1990, ali funcionou a gráfica que produzia e vendia cartazes e outros materiais utilizados para actividades culturais e de divulgação dos discos. O edifício incluía ainda o espaço comercial da “Discoteca do Bié”, onde as pessoas adquiriam discos em pequena ou grande quantidade. Mais tarde, foi transformada em biblioteca provincial.

Criar novas condições

Em declarações ao Jornal de Angola, na quinta-feira, o director provincial da Cultura, António dos Santos Buta, disse existir um projecto que vai permitir a gravação conjunta de várias músicas com cantores da província, denominado “Vozes de Angola”. Trata-se de uma aposta do governo local para divulgação da música e atender as necessidades dos artistas, diminuindo a carência de financiamento. Melhorar a oferta de actividades artísticas e culturais, particularmente no ramo da dança, teatro e música, e aumentar o número de bibliotecas em todos os municípios, constam entre as prioridades da Direcção Provincial da Cultura.
O resgate e a preservação dos valores culturais, com o objectivo de transmitir os usos e costumes à juventude, vão ser intensificados para se manter a tradição biena, no dizer do director da Cultura.
No domínio da dança, existem 45 grupos, entre tradicionais e modernos. Das danças tradicionais destacam-se a “Otchianda”, “Ocatchita”, “Ossauoia” e “Olundongo”, cujas exibições ajudam a transmitir conhecimentos aos jovens.
O grupo Simione é um dos mais antigos na província, mas alguns grupos do interior estão a desaparecer por inexistência de apoios financeiros. A falta de escolas de dança para aperfeiçoar os movimentos corporais é a principal dificuldade enfrentada pelos responsáveis dos grupos.

 Delfina Victorino/Jornal de Angola

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