Malange-Preservação da Palanca Negra Gigante

TIMG_7789rabalho do Dr.Pedro Vaz Pinto, sobre a defesa da Palanca Negra Gigante.

2011

02. Relatório Palanca Julho/ Agosto

VERSÃO PORTUGUÊSA

Caros amigos,

Mais uma vez, atrasei-me no relatório, e por isso peço desculpa. Mas espero que as boas fotos e conteúdo interessante possam compensar a demora!

Como previsto, estes dois meses foram os mais atarefados do ano, durante os quais executámos a operação de capturas 2011. As expectativas eram elevadas e os resultados não ficaram aquém.

A equipa nuclear era a mesma de 2009, com Barney O’Hara e o seu Hughes 500, e Pete Morkel a liderar como veterinário. Contámos também com os nossos amigos Traguedos e o veterinário local Ary Jerónimo para nos ajudar durante a campanha. Como em 2009, a Força Aérea Nacional revelou-se um parceiro totalmente fiável, e assegurou logística pesada incluindo a disponibilidade de um helicóptero pesado MI-17.

 Com a terceira vedação terminada atempadamente, mesmo antes do início da operação, os preparativos de última hora incluiram a construção de bomas temporárias e a distribuição de tambores de Jet A1 em diferentes bases logísticas na Cangandala e Luando.

Nos primeiros colocámos um grande funil com lona plástica, já que esperávamos empurrar com o helicóptero a manada dos híbridos para a terceira vedação através de uma entrada com 200 metros. Contudo a perseguição dos híbridos transformou-se uma empreitada muito mais difícil do que o previsto. Logo nas primeiras tentativas verificámos que mal nos aproximássemos da manada, o macho híbrido dominante separava-se e fugia numa outra direcção. Capturar os híbridos, deixando para trás o macho dominante seria totalmente insatisfatório já que este é quem coloca as maiores ameaças às palancas puras. Por conseguinte, decidimos primeiro capturar o macho. Isto foi feito sem imprevistos, e ele revelou-se um exemplar soberbo, mesmo que de uma espécie não-existente. Com coloração de pele castanho-escura, face negra, tons de dourado na crina, grandes cornos curvos com 40 polegadas e bem constituido fisicamente, bem poderia ser um bom representante tipo de uma nova variedade de Hippotragus!

Este macho era o mais novo de dois meio-irmãos nascidos em 2006 e que já conhecíamos bem. Tínhamo-los baptizado de Sherikan e Scar respectivamente, já que a todos os híbridos demos nomes de vilões das estórias de Walt Disney. Tinham crescido juntos na manada mista até finais de 2008, altura em que o mais velho, Scar, se tornou macho dominante e expulsou o Sherikan. Este último, deixou de ser visto por bastante tempo, mas no início deste ano rebentou a vedação entrando dentro do santuário maior, e subsequentemente lutou e substituiu o Scar como macho dominante na manada dos híbridos. Este facto foi uma surpresa pois tínhamos assumido que o Scar estava ainda no comando, muito embora se tivéssemos observado cuidadosamente as fotos, já teríamos dado pela troca antes (eles são muito parecidos mas apresentam uma máscara facial ligeiramente diferente). Mas então o que tinha acontecido ao Scar? Poderia ter sido morto pelo Sherikan, ou expulso para fora dos santuários através das vedações… ou poderia estar ainda dentro do santuário grande, muito embora não tivesse aparecido no registo fotográfico há já algum tempo.

De qualquer forma, lidámos com o Sherikan como previsto: castração. Aliviando-o da sua masculinidade rapidamente transformaríamos a sua atitude, tornando-o mais dócil e sem vontade de lutar com outros machos, para além de assegurarmos fisicamente a sua esterilidade de um modo garantido a 100%. Foi depois libertado com coleira VHF e como toque final pintámos-lhe os brincos de cor-de-rosa (peço desculpa, mas não consegui resistir).

Entretanto os voos no Luando tinham começado muito bem, e no seguimento de informação recolhida no terreno pelos nossos pisteiros nas semanas anteriores, rapidamente localizámos aquela que é povavelmente a maior manada sobrevivente de palanca negra gigante, totalizando na altura 24 animais, incluindo um macho dominante, fêmeas reprodutoras, crias e alguns jovens. No decorrer das semanas seguintes, fizemos dezenas de horas de voo operacional sobre o Luando, cobrindo detalhadamente as melhores áreas onde tínhamos razões para suspeitar da presença de palancas. Localizámos então algumas outras manadas mais pequenas e capturámos um total de 18 indivíduos. Por outro lado, extensas áreas da reserva com habitat perfeito e onde as palancas negras eram no passado comuns, estão agora totalmente despidas desta espécie, onde apenas alguns grupos de palancas vermelhas subsistem. Chegámos a esta conclusão, depois de longas séries de voos, conjugados com informação do terreno com recolha de indícios e relatórios testemunhais. De alguma forma as palancas vermelhas resistiram muito melhor às décadas de caça furtiva descontrolada e parecem agora recuperar lentamente na reserva.

Em resultado dos esforços dos últimos meses sabemos agora muitíssimo mais que antes acerca da real situação da palanca no terreno. Acredito que sabemos já quantas manadas de palancas ainda subsistem, exactamente onde estas estão localizadas, quantos animais compõem cada manada, e até a estrutura populacional em detalhe. Não pode restar nenhuma dúvida que esta magnífica criatura está numa condição desesperada, e à beira da extinção.

Por razões de segurança, eu prefiro não divulgar muito mais informação acerca da palanca negra gigante no Luando, para além de que temos algumas poucas manadas, que totalizam menos de 100 animais. Temos um bom número de animais permanentemente monitorizados, e com a participação das Forças Armadas estamos a implementar acções que visam combater a caça furtiva mas também adoptando medidas preventivas contra eventuais tentativas de rapto de animais. Por razões óbvias detalhes acerca destas operações terão de permanecer confidenciais.

Aquilo que ressalta de forma muito clara é que não apenas foi a caça furtiva que reduziu a população de palanca negra à condição actual, mas que aquela ainda está hoje muito activa e tem vindo a causar um grande impacto na população nos anos mais recentes. A técnica mais disseminada é o recurso a armadilhas com laço “de perna” colocadas ao redor de pontos de abeberamento natural (cacimbas) e locais com capim fresco. Os laços são feitos com corda de nylon ou cabo de aço, e presos a longas varas flexíveis de madeira cortadas de árvores. Em 2009 praticamente todas as cacimbas estavam armadilhadas e os animais estavam dispersos e sob enorme pressão.

Desde então a situação melhorou ligeiramente nas áreas sob influência directa dos pastores da reserva, mas pouco mudou nas outras áreas. Este ano ainda encontrámos muitas armadilhas, mas ainda mais alarmante foi encontrarmos várias fêmeas adultas com ferimentos nas pernas, algumas em condição chocante, como por exemplo uma fêmea que fotografámos já muito débil e com a canela de uma pata traseira já praticamente toda necrosada e com uma óbvia cicatriz de laço – ela tinha caído recentemente numa armadilha mas estava condenada e não sobreviveria muito mais tempo. Por muito triste que seja, infelizmente não havia nada que pudéssemos fazer por ela.

A estrutura observada da população é também muito informativa para nos ajudar a compreender o que se tem vindo a passar. A estrutura apresenta-se em forma de ampulheta, com muitos animais de idade avançada, um bom número de crias do ano, mas relativamente poucos animais das classes etárias intermédias. Isto mostra que nos últimos anos poucos animais jovens têm sido recrutados anualmente pela manada. Esta mortalidade exagerada de jovens e crias, é quase de certeza o resultado de uma pressão de caça furtiva exagerad,a sendo as crias e jovens de um ano os animais mais vulneráveis às armadilhas de laços.

Pelo lado positivo parece que, e ao contrário de 2009, desta vez o clima jogou a nosso favor, pois este ano as chuvas prolongaram-se muito para além do habitual, com as últimas chuvas a cairem já em Junho e após o nascimento das crias. Durante a operação havia ainda bastantes pontos de água disponíveis para os animais e as queimadas sazonais sempre associadas à caça furtiva, estavam apenas a começar em Julho. Assim, em finais de Julho a maior parte das crias tinha já dois meses de idade e não estavam ainda encurraladas pelos caçadores. Em função destas condições e com a tomada de algumas medidas de emergência no terreno, acredito que desta vez chegámos mesmo a tempo de assegurarmos a salvação da produção de crias de 2011. Se conseguirmos manter esta protecção nos próximos anos, ainda teremos algumas chances razoáveis de vir a salvar a palanca.

De volta à Cangandala substituímos com sucesso a coleira de VHF que estava avariada no nosso velho macho reprodutor “Duarte” e com mínima perturbação. Conseguimos aproximarmo-nos da manada pura e “dardar” o macho sem que ele sequer se tenha apercebido de ter sido atingido por uma seringa. Apenas tivemos de esperar até que caiu e rapidamente colocámos a coleira nova.

De seguida virámo-nos novamente para os híbridos. Aqueles malditos continuaram sendo bastante selvagens e de natureza imprevisível, tornando a perseguição de helicóptero uma empreitada bastante arriscada. Em termos de corrida e fintas ao helicóptero estes híbridos puxam muito mais às palancas vermelhas que às negras, e após mais algumas tentativas frustradas desistimos de os tentar empurrar para o santuário 3 e decidimos tentar capturá-los individualmente e esterilizá-los. Entretanto e enquanto nos concentrávamos no santuário grande, tínhamos assumido que o Scar estava fora do circuito, mas num volt-face incrível este cometeu um erro ao aparecer subitamente nas fotos! Tínhamos deixado uma câmara a monitorar a manada pura no santuário menor e ao fazermos uma verificação de rotina do local ficámos chocados ao encontrar nas fotos o Scar! Após ter sido derrotado pelo Sherikan, ele tinha rebentado a vedação e entrado para dentro do santuário 1 e circulava agora ao redor da manada pura – precisamente o que mais recearíamos! Apenas se atravessou à frente da câmara por breves segundos para umas duas ou três mal visíveis fotos nocturnas, mas foi suficiente: o Scar estava vivo e com saúde, e dentro do santuário 1. Tinha de ser capturado! Levou-nos várias horas em diversos dias para o encontrar, mas finalmente conseguimos apanhá-lo e castrá-lo. Eventualmente todos os 9 híbridos que tínhamos na Cangandala foram capturados, marcados e devidamente processados. Acreditamos que não resta mais nenhum híbrido, com a possível excepção de um animal de um ano e meio de idade mas que já não é visto há muitos meses (pode bem estar morto).

A outra fase crítica da operação correspondia à constituição de um novo núcleo reprodutor na Cangandala. Isto exigia que pudéssemos capturar palancas negras no Luando e trazê-las para os santuários vedados da Cangandala. Para o fazermos, construímos uma “boma” temporária com lona plástica para libertar os animais na Cangandala, e decidimo ainda fazer outra “boma” para contenção temporária no Luando, num local bastante remoto e selvagem da reserva, mas relativamente equidistante às várias manadas. A ideia era capturar alguns animais que seriam colocados nesta boma temporária, até que pudéssemos preparar a viagem do MI-17, que traria então 2-3 animais de cada vez para a Cangandala. Este seria o método mais seguro e eficiente.

Após as primeiras semanas de voos sabíamos já que animais e de que manadas iríamos capturar. Depressa se tornou evidente que não deveríamos tentar trazer fêmeas adultas. A maior parte destas eram de idade avançada e estavam ou prenhes ou a criar crias recém-nascidas. Idealmente deveríamos então tentar capturar fêmeas de 2 anos, já que estas ainda não tinham tido oportunidade de reproduzir mas estariam em breve a entrar no seu primeiro cio. Infelizmente, e em resultado da estrutura populacional desequilibrada apenas tínhamos três fêmeas naquela condição e que então capturámos. Identificámos ainda quatro fêmeas de um ano das quais capturámos três. No decorrer do processo decidimos ainda capturar e trazer um jovem macho de dois anos de idade para poder eventualmente servir de macho suplente para o futuro.

E finalmente teríamos de trazer o novo big boy.

Durante os surveys tínhamos encontrado e marcado três machos solitários (aqueles encontrados sozinhos e não acompanhados de manada), um sendo uma recaptura de 2009. Os outros dois eram exemplares magníficos. O primeiro (Hugo) tinha uma idade estimada de 12 anos aproximadamente e cornos com 55 polegadas, ao passo que o segundo (Ivan) era um macho com 7-8 anos de idade, com cornos de 54 polegadas, mas todos concordaram que este era o animal mais fortemente constituído que já havíamos capturado. Estava bem coberto de massa muscular e o pescoço era tão espesso que pela primeira vez tivemos dificuldades em conseguir colocar uma coleira à volta – acabou ficando bastante justo e bem à frente no pescoço e tivémos de usar o último buraco da coleira. Esta era uma palanca com esteróides! Também parecia estar cheio de testosterona, com o corpo mostrando cicatrizes de lutas recentes com outros machos.

Decidimos então que o macho a trazer seria o “Ivan o Terrível”. Principalmente porque a sua idade relativamente jovem o torna num candidato ideal para suceder ao Duarte naturalmente e à medida que este envelhece. Por outro lado, também nos pareceu que sendo este Ivan de carácter bem mais selvagem, talvez fosse bom para estimular o Duarte e as fêmeas velhas da Cangandala.

Primeiro começámos por capturar e libertar 4 fêmeas e o jovem macho na Cangandala, e numa etapa posterior tínhamos duas fêmeas de um ano esperando pelo grande macho, para que pudessem ser libetrados juntos. Entre o local de aterragem do helicóptero militar e a boma, os animais eram transportados numa carrinha pick-up. Contudo, e não estando esta disponível no primeiro transporte, o plano B acabou por ser o transporte de duas fêmeas e o macho de 2 anos na traseira do meu Land Cruiser… eu não acreditaria ser possível se não tivesse visto, mas agora tenho um par de buracos no tecto como recordação!

Trazer o Ivan foi uma tarefa e peras. Depois de uma perseguição trabalhosa ele acabou por cair numa zona fechada e a 300 metros da anhara (clareira) mais próxima. Considerando o seu enorme tamanho e o terreno complicado não seria possível ao Barney içá-lo com o seu Hughes 500. A alternativa foi trazer o helicóptero militar para aterrar na anhara com uma equipa de apoio. Foram precisos 10 homens e um enorme esforço para carregar o macho numa maca ao longo daquelkes 300 metros de longo capim moribundo, morros de térmitas escondidas e árvores caídas. É uma pena que não tenhamos podido pesar o grande macho, mas a maior parte do pessoal concordou que poderia bem ultrapassar os 300 kg!

Uma vez dentro da boma e junto das duas jovens fêmeas esperávamos mantê-lo pelo menos por 24 horas, talvez até por 48 horas se ele já tivesse relaxado bem… Bem, o Ivan depressa começou a partir as paredes de madeira da cobertura interior e depois abriu um buraco através da cortina plástica da primeira porta. Quando se tornou claro que não poderíamos mantê-lo por mais tempo, fomos forçados a abrir a porta exterior e deixá-lo sair com as meninas, apenas algumas horas após ter chegado. É uma rica peça este Ivan o Terrível! Começámos logo ali a pensar se teria de facto sido a nossa melhor escolha…

De qualquer forma a operação foi um enorme sucesso. Conseguimos estabelecer um novo grupo reprodutor na Cangandala, incluindo um novo macho reprodutor e seis jovens fêmeas. Muito embora três destas fêmeas sejam ainda muito novas para reproduzir este ano, pois apenas poderão ter a primeira cria em 2013, mas a sua tenra idade poderá assegurar uma rápida e fácil adaptação e devemos esperar delas uma longa vida de reprodução. Elas são certamente o complemento ideal à actual manada com fêmeas de idade já avançada e reprodução abaixo do esperado.

Em termos de outra fauna avistada, a primeira menção vai para as palancas vermelhas. Encontrámos de facto várias manadas, com destaque para uma com 26 animais no Luando e outra com 18 na Cangandala. Estes podem considerar-se como grandes grupos, até porque as palancas vermelhas são animais muito menos sociáveis que as palancas negras. Contrastando com as palancas negras, as manadas de vermelhas parecem também estar muito melhor equilibradas com bastantes indivíduos nas diferentes classes etárias.

Capturámos duas joven palancas vermelhas e marcámo-las com coleiras. O plano era depois capturar e trazer um pequeno contingente de jovens palancas vermelhas e transportá-las para o Parque da Kissama onde esta espécie chegou a ser abundante mas encontra-se hoje extinta. Os animais seriam levados para a Kissama por via terrestre num camião militar e um contentor próprio já tinha sido doado e personalizado para esta tarefa.

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Incumprimento nas Praias da Ilha de Luanda

A Ilha do Cabo, tida como um dos melhores cartões de visita da cidade de Luanda, continua a ser uma atracção para muitas pessoas que, ao fim-de-semana, não resistem ao forte calor e ao cansaço de uma longa semana laboral e escolhem aquela que é a praia mais próxima para mergulhar, almoçar e descontrair com familiares ou amigos.
Com uma deslumbrante obra de requalificação, que a tem tornado cada vez mais atractiva e aconchegante para quem a visita, as praias da Ilha também têm representado um perigo para a vida daqueles que, por desconhecimento ou teimosia, insistem em mergulhar em zonas onde foram colocadas placas de proibição de nadar ou mergulhar.
Júlio Costa, de 40 anos, aproveita o domingo para passear com o filho na Ilha. Não resiste à água salgada e decide ensinar o filho a nadar, exactamente numa zona onde está afixado o sinal de proibição, pondo em perigo a sua vida e a do filho.
Júlio diz-nos que não tinha visto o sinal de proibição, até porque “há mais pessoas a frequentarem a zona. Talvez por isso, não tenha prestado atenção aos sinais à minha volta. Mas agora que me avisaram, vou-me retirar e não volto a mergulhar nesta zona”.
António Jacinto, que vê e tem sólidos conhecimentos dos sinais de proibição, mergulha teimosamente em zona proibida e diz que prefere fazê-lo ali, porque é mais próximo da sua casa e porque no lado oposto da costa não há tanta atracção.
“Hoje é domingo, dia de descanso, e vim só mesmo para dar uns mergulhos rápidos e recuperar as energias para aguentar a semana de trabalho. Como as praias da ilha estão mais próximas da cidade e deste lado da costa há mais gente, decidi ficar aqui com a minha família, e estou a controlar as crianças para não mergulharem mais fundo”, esclareceu.
De 35 anos, António Jacinto conta à nossa reportagem que a dificuldade em alcançar outros locais de lazer, particularmente devido à sua distância, faz com que muita gente prefira recorrer a estas áreas. “Sei do perigo que enfrento ao vir para esta zona proibida, porque aqui é fundo e tem lama. Mas é o local mais próximo e ir mais longe cansa. Então, prefiro ficar aqui e redobrar os cuidados.”


Universidade Lusíada de Angola Oferece Bolsas de Estudo ás Campeãs

As angolanas campeãs sénior femininas de basquetebol continuam a merecer carinho e reconhecimento de vários estratos da nossa sociedade. Desde a conquista do Afrobasket2011 no Mali, elas têm recebido distintas homenagens dignas de destaque. Deve-se salientar, no entanto, o facto da Universidade Lusíada de Angola, na voz do seu administrador, ter anunciado a oferta de bolsas de estudo às nossas meninas, um gesto sublime do qual Gente faz questão de referenciar aqui, através de fotografias, testemunho do que foi a cerimónia. Além desta grande valia que as jogadoras receberam para garantir a sua formação académica, também tiveram direito a diplomas de honra, uma bola autografada por Rui Mingas, muitos “ miminhos” e um brinde à tão suada taça. A equipa técnica da selecção, comandada por Aníbal Moreira, também mereceu atenção especial da Universidade e por conta disso vai beneficiar de um refrescamento em Portugal. A homenagem às campeãs aconteceu no início da semana no anfiteatro da Universidade Lusíada de Angola, em Luanda, e contou com a presença de membros do seu corpo directivo, da Federação Angolana de Basquetebol, convidados e obviamente das atletas, que foram as estrelas que mais brilharam.


Angola,Empresas Públicas Levam Cartões Vermelhos e Amarelos

Algo vai, muito mal mesmo, no reino das empresas públicas angolanas. A começar pela prestação de contas. Das seis empresas públicas que divulgaram publicamente relatórios e contas referentes ao exercício de 2009, quatro levaram cartão vermelho dos auditores externos independentes — Angola Telecom, Empresa do Caminho de Ferro de Luanda, EP, Empresa Pública das Água , EPAL, EP,  Porto de Luanda, EP — e duas foram amareladas — Sonangol e Banco Nacional de Angola.

No caso da Angola Telecom (veja Exame de Abril de 2011), Porto de Luanda e EPAL, a confusão na contabilidade é tal que as firmas especializadas que auditaram as contas respectivas recusaram dar opinião, apesar de terem sido contratadas e (supõe-se) pagas para o efeito. Já os auditores das contas da Empresa de Caminho de Ferro de Luanda chegaram a dar opinião… mas negativa. Sorte diferente tiveram a Sonangol e o BNA que passaram apesar das reservas levantadas pelas firmas auditoras (veja Exame de Julho de 2010 e Fevereiro de 2011).

A função dos auditores externos é expressar uma opinião profissional e independente sobre se as demonstrações financeiras apresentadas pelo conselho de administração são elaboradas de acordo com as normas contabilísticas vigentes e reflectem de forma verdadeira e apropriada a posição financeira da empresa. Cabe-lhes ainda verificar se a firma dispõe de sistemas de controlo interno adequados.

De acordo com a lei das empresas públicas que tem o n.º 9/95, de 15 de Setembro, as empresas públicas devem elaborar anual-
mente, até 31 de Março e com referência a 31 de Dezembro do ano anterior, o relatório de contas da empresa que deverá proporcionar uma compreensão clara da situação económica e financeira relativa ao exercício.

Após a sua homologação pelo órgão de tutela e se for caso disso, pelo ministro da Economia e Finanças (Ministério entretanto dividido em dois), o relatório e contas da empresa deve ser publicado num dos jornais de maior tiragem do país.

Apesar de estarem legalmente obrigadas a divulgar as contas, até ao momento apenas as seis empresas referidas publicaram os respectivos relatórios e contas… de 2009 e com um atraso considerável. Os primeiros a sair foram os do BNA e da Sonangol, por exigência do Fundo Monetário Internacional (FMI) que condicionou a aprovação da segunda tranche do empréstimo de ajuda à balança de pagamentos angolana à divulgação dos relatórios e contas das duas empresas públicas mais importantes do país. Angola Telecom, Empresa do Caminho de Ferro de Luanda, EPAL e Porto de Luanda só publicaram as contas de 2009… em Janeiro de 2011 no Jornal de Angola.


Sonhos e Realidades de Zungueira

Muitas jovens deixam as famílias nas províncias para tentarem a vida em Luanda, onde partilham, com mais cinco ou seis, o mesmo quarto, forma de poderem juntar algum do pouco que ganham na venda diária. Na maioria, são mães solteiras e sonham com uma vida que raramente encontram.
Um grupo de quatro raparigas, com menos de 18 anos, sem qualquer experiência de vida, deixa Benguela de carro à procura da sorte, que sonham encontrar em Luanda. Algumas, antes de partirem, juntam documentos que, pensam, lhes vão ser úteis para conseguirem o primeiro emprego.
Na bagagem, além de algumas peças de roupa, essas jovens trazem menos de cinco mil kwanzas. Na grande cidade, que apenas conhecem do que ouviram ou viram na televisão, recorrem a outras para arranjarem lugar onde dormir.
Não raro, abandonam a escola, levadas pela ilusão de irem ao encontro de uma vida melhor do que a terra natal lhes deu.
Adelaide Kawika, de 17 anos, disse, ao Jornal de Angola, que sempre acreditou que era mais fácil ganhar dinheiro em Luanda do que na província onde nasceu.
As jovens de Benguela têm um plano, trabalharem durante três meses e voltarem à terra para, pelo menos durante um mês, estarem com as suas famílias.
Anastácia Marta, 15 anos, é zungueira desde os 12, mesmo que não junte os 400 ou 500 dólares que estipulou para levar para os pais e os irmãos. É a forma que tem de recuperar forças e ânimo, que apenas consegue junto dos seus.Uma amiga de infância meteu-a na venda de fruta na rua. Quase em surdina, afirmou estar cansada da vida que tem, mas satisfeita por poder ajudar a família.