O Renascer do Turismo em Kalandula

A pequena vila do Cota, a escassos oito quilómetros da comuna do Lombe, em Cacuso, funciona como uma espécie de portão para aqueles que pretendem entrar no município de Kalandula, local onde está situada a segunda maior queda de água do continente africano, depois de Vitoria Falls, no Zimbabwe.
Os antigos edifícios, muitos dos quais ainda com os sinais de balas cravadas nas suas paredes, continuam aí, ao lado dos novos construídos após o fim do conflito armado.
Estes últimos vieram em forma de hospitais, escolas e outras repartições públicas que emprestam uma nova imagem à primeira comuna de Kalundula, isto para quem vem da estrada nacional 230.
As antenas das duas operadoras de telefonia móvel, no alto da montanha, chamam sempre a atenção daqueles que vislumbram as primeiras residências situadas na sede do município que completou dia 2 de Setembro, 82 anos de existência.

E poucos minutos depois de se ultrapassar a comuna do Côta, cortando o rio Lucala, aparece à frente uma pequena vila cujas quedas atraem inúmeros turistas nacionais e estrangeiros. E assim o seu nome vai chegando aos quatro cantos do mundo, uma missão que contou em tempos com o apoio das Gingas do Maculusso (fundada por Rosa Pegado, uma cidadã originária de Malanje), que numa das suas músicas eternizou o município.
Das ruas limpas e estradas asfaltadas sobressaem igualmente os imóveis em reparação. Alguns deram lugar às residências dos administradores municipal, seu adjunto e ainda a repartição municipal onde ambos funcionam.
Os tempos parecem ser de progresso neste município com aproximadamente 100 mil habitantes, maioritariamente dedicados a agricultura. Produzem mandioca, feijão, milho, ginguba e batata-doce.
Uma pequena parte enveredou para o pequeno comércio, vendendo em pequenas cantinas. A existência de uma agência do Banco de Poupança e Crédito (BPC) serve de alento para os futuros voos dos pequenos comerciantes aí estacionados, esperançosos de que a entrada em cena de outras instituições financeiras, como o Banco de Fomento de Angola (BFA) e o Banco Internacional de Crédito (BIC), possa estimular o desenvolvimento da região turística.

Até já se fala mesmo na possibilidade da abertura de uma rádio comunitária do grupo Radiodifusão Nacional de Angola (RNA) em breve.
O espaço para o projecto está preparado e a qualquer momento podem começar as obras de construção das infra-estruturas.
À semelhança de outros municípios do país, o Programa Municipal de Combate à Pobreza, que a administração local está a implementar, promete revitalizar a vida dos seus munícipes. Inicialmente estão a ser garantidos os serviços básicos como a saúde, educação, fornecimento de água e energia eléctrica.

“Estamos muito avançados no sector da saúde. Estamos a reabilitar todos os postos e centros de saúde, a construir um centro materno-infantil e a reabilitar uma residência para os médicos”, explicou o administrador municipal de Kalandula, Manuel Campos.
A falta de uma residência para os médicos faz com que as quase cem mil pessoas estejam desprovidas dos serviços destes especialistas, muitos dos quais disponíveis para trabalhar.
O administrador local recebeu estas garantias da vice-ministra da Saúde, Evelize Frestas, e da directora Provincial de Malanje deste sector.
As duas entidades asseguraram que médicos cubanos pretendem trabalhar naquela localidade e prestar assistência aos populares que vivem nas áreas mais longínquas.

Assiste-se também a escassez de professores no sector da educação, tudo por culpa das 464 aldeias existentes. Mas apesar destas contrariedades, lecciona-se o primeiro e segundo ciclos e o ensino pré-universitário. Os professores abandonam os seus postos de trabalhos, sobretudo quando calham em aldeias distantes. Alegam problemas de saúde para serem transferidos temporariamente para outras localidades. E quando assim acontece, já não regressam ao sítio de partida.

Há quem pense mesmo que se o Ministério da Educação concedesse autonomia às suas repartições municipais para trabalharem directamente com os professores e as escolas localizadas nas referidas áreas de jurisdição, poder-se-ia criar alternativas para se travar a fuga de professores.

A evasão, que já causou um défice de 250 professores, leva o administrador Manuel Campos a defender que os filhos das próprias comunidades sejam instruídos para posteriormente transmitirem conhecimentos aos seus conterrâneos. Um sonho que só seria possível com a introdução de uma escola de formação de professores, que funcionaria em regime de internato.

De qualquer modo, a Administração Municipal projecta a construção de uma escola do género no próximo ano, através das verbas que lhe são alocadas. Anualmente recebem perto de quatro milhões de dólares, segundo Manuel Campos, repartidos em duodécimos de 12 tranches que chegam ao longo do ano. Enquanto esperam, as autoridades distribuíram materiais de construção e chapas de zinco para que as próprias comunidades construam escolas e residências para os docentes. É a forma encontrada para se inserir as mais de quatro mil crianças que estão fora do sistema de ensino, principalmente na comuna do Kuale, onde perto de três mil crianças não estudam.
As escolas construídas com matérias locais serão depois inseridas no leque das outras 11, erguidas dentro do Programa de Investimentos Públicos traçado pelo Governo Provincial de Malanje.
Outros jovens estão empregados nas empresas de construção que reabilitam as estradas, depois de terem passado pelos cursos ministrados pela representação do INEFOP.

Dani Costa e Teixeira Cândido/Jornal O País

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