Padrão de São Jorge Colocado por Diogo Cão em 1482 Em Risco de Desaparecer

Soyo, cidade rica em petróleo, tem um potencial turístico invejável. Possui numerosos pontos e sítios históricos mas estão abandonados. A ilha da Ponta do Padrão é o local onde desembarcou Diogo Cão, em 1482, na foz do rio Zaire. O local perde a cada dia que passa a sua verdadeira identidade cultural e hoje apresenta uma imagem desoladora.
O Porto Rico e o porto do Mpinda são outros exemplos de degradação.
O Padrão de São Jorge ou Ponta do Padrão é o único monumento que beneficia de obras de manutenção, pela grandeza da sua História. Os trabalhos que têm sido realizados, não passam de operações de limpeza entre a entrada da ilha até ao Padrão. As autoridades tradicionais da comunidade do Bócolo, onde está localizado o monumento histórico, pedem uma intervenção urgente com vista a evitar o seu desaparecimento.

O coordenador da comunidade da Ilha do Bócolo, na Ponta do Padrão, Lúcio Nelumbi, disse à nossa reportagem que o estado actual do monumento preocupa toda a gente, porque há sérios riscos de desaparecimento, caso não forem contidas as erosões. Lúcio Nelumbi pede às autoridades governamentais para visitarem a ilha no sentido de constatarem a real situação.
“Se não for feito um trabalho de recuperação, o Padrão de São Jorge, colocado por Diogo Cão, em 1482, corre o risco de desaparecer em consequência da erosão resultante da escavação que a empresa Angola LNG está a efectuar ao longo do canal do Pululu”, afirmou.
Como consequência da erosão provocada pelas obras da empresa Angola LNG, dez casas da comunidade do Bócolo, foram já arrasadas pelas águas: “a erosão está a derrubar tudo, desde as casas, a culturas, coqueiros e palmeiras plantadas ao longo dos anos”.

CANAL DO PULULU

Os trabalhos de desassoreamento do canal do Pululu em curso na Ponta do Padrão, para criar condições de navegabilidade no âmbito da construção da fábrica de gás natural na região, estão a causar erosões na bacia da Ilha de Bócolo.
Para o coordenador da comunidade da ilha, Lúcio Nelumbi, caso a Ponta do Padrão desapareça por causa dos trabalhos de dragagem do canal do Pululu, a cidade do Soyo também corre riscos de ser engolida pelas águas.
A reportagem do Jornal de Angola soube junto da coordenação da comunidade que a empresa Angola LNG, proprietária da fábrica de gás, tem de evitar acidentes no canal. Para já, delimitou as zonas de pesca junto à Ilha, por causa da movimentação das dragas, que pode causar perigo aos pescadores da localidade do Bócolo.
Para garantir a sobrevivência aos habitantes da ilha, a Angola LNG entregou aos pescadores pequenas embarcações a motor e apetrechos de pesca, para que a actividade pesqueira seja exercida com segurança.

PORTO RICO

Os portos Rico e Mpinda, são outros dois monumentos históricos do município do Soyo, com valor turístico.
O Porto Rico está localizado na comuna do Sumba, 27 quilómetros a Nordeste da cidade do Soyo.
Os dois portos serviram no passado o comércio de escravos. O ancião André Mateus, conselheiro do soba da comunidade da aldeia de Nkumba, disse que “a nossa história está a desaparecer todos os anos. Eu estou a tentar escrever num caderno como surgiu Porto Rico e como serviu de ponto de embarque de escravos”, frisou.
Até à década de 80, Porto Rico evidenciava alguns vestígios históricos, nomeadamente, os pilares que sustentavam a doca, onde as embarcações atracavam para embarcar os escravos, disse.

PORTO DO MPINDA

O estado actual do antigo Porto do Mpinda também suscita preocupação. Na época, o bairro Mpinda era o local ideal para baptismos. O Porto do Mpinda está ao abandono absoluto. No local só existe hoje um matagal pantanoso, aproveitado por agricultores para o cultivo de horticulturas. A Igreja Católica tem realizado trabalhos de melhoramento na via de acesso, para preservar a tradição religiosa do Porto do Mpinda. Para o padre Eduardo Matumona, “o Porto do Mpinda precisa de trabalhos de restauro, com vista a preservar a sua história”.
Jaquelino Figueiredo/Jornal de Angola

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