Quatro Décadas da Província do Cunene

O Cunene assinalou, no dia 10, o 41º aniversário da separação da Huíla, ascendendo à categoria de distrito, hoje província.
Para comemorar a data, decorreram em todas as sedes municipais actividades comemorativas, com realce para as feiras comerciais, mas sem faltarem espaços de comes e bebes e outros atractivos, como partidas de futebol e manifestações culturais.
As jornadas foram abertas no dia 1, pelo governador da província, que, na ocasião, defendeu a promoção de acções para a construção de mais escolas, postos e centros de saúde, estradas, sistemas de fornecimento de energia e de água, entre outros serviços sociais indispensáveis ao bem-estar das populações.

Todas as sedes municipais e comunais, incluindo as aldeias e as localidades mais populosas, referiu António Didalelwa, têm estabelecimentos de ensino e de saúde e equipamentos de abastecimento de água e de energia eléctrica, o que permitiu reduzir as grandes distâncias que muitas populações tinham de percorrer para acederem àqueles serviços.
Ondjiva, principal centro populacional, por exemplo, frisou, regista um crescimento notável, com ruas melhoradas, hospital provincial ampliado, um aeroporto moderno, duas instituições do ensino médio e uma do ensino superior e o aumento do número de salas no nível básico, o que garante mais vagas nas escolas.


Estradas e água

No domínio das estradas estão a ser reabilitadas as vias que ligam Ondjiva à sede do município do Cuvelai, 166 quilómetros, e a Santa Clara, 40 quilómetros.
As obras da primeira empreitada têm os prazos vencidos e os da segunda terminam no final de 2012.
Nos últimos tempos, disse, os esforços do governo têm sido direccionados para a execução de projectos de abastecimento de água potável a Ondjiva e é neste contexto que está em marcha um grandioso projecto de construção de uma conduta, de 145 quilómetros, a partir do rio Cunene, em Xangongo.
O objectivo é levar água potável à cidade capital da província e a zonas no perímetro da linha entre as sedes comunais da Môngua e de Hanhanga.
A construção desta grande obra começou em finais de 2010 e tem a duração de dois anos. As obras estão paradas devido ao atraso na chegada de alguns equipamentos.
Outra obra em execução é a do projecto “Água Oipembe”, muito adiantada, que assenta na reactivação dos furos da localidade de Oipembe, arredores de Ondjiva, para abastecer um conjunto de chafarizes instalados em alguns pontos da cidade.


Energia eléctrica

No capítulo da energia eléctrica, o fornecimento às populações do Cunene continua, ainda, muito dependente da Namíbia, através de uma linha de média tensão que transporta perto de seis megawatts, que abastece Santa Clara, a vila de Namacunde e a cidade de Ondjiva.
As restantes sedes municipais e comunais são abastecidas por grupos geradores.
Em carteira há construção de uma barragem hidroeléctrica, no rio Cunene, um projecto conjunto de Angola e Namíbia, avaliado em 1,1 mil milhões de dólares, que tem como finalidade reduzir o défice de fornecimento de energia que se regista, nos últimos anos, na província e naquele país vizinho.
O projecto, denominado Baynes, tem o início previsto para 2013 e conclusão em 2017. Não está determinada a capacidade de produção, mas o objectivo é gerar energia suficiente para abastecer o território namibiano e a província do Cunene, com financiamento repartido em partes iguais pelos dois países.
O governador Didalelwa lembrou que a província é atingida, desde há três anos, por uma vaga de inundações, que tem prejudicado a execução de muitos projectos de impacto social e económico do governo e a vida das populações.
“Acerca desta calamidade, o Executivo tem sabido dar respostas, visando a melhoria das condições de vida da população”, salientou.

Expo-Cunene

O grande destaque das comemorações do aniversário da província é a habitual feira agro-pecuária, comercial e industrial, a “Expo-Cunene 2011”, que decorre, em Ondjiva, de 14 até ao dia 23, com a participação de expositores de empresas nacionais e estrangeiras.
A sexta edição da Expo-Cunene 2011 vai contribuir para a consolidação das relações comerciais entre empresários de Angola e da Namíbia e criar oportunidades para o estabelecimento de parecerias entre homens de negócios dos dois países, disse o presidente da Câmara do Comércio e Indústria do Cunene.
Francisco Boleth, que é também o director da Expo-Cunene 2011, afirmou que a realização da feira é uma oportunidade para realizar grandes negócios e para a troca de experiências entre empresários dos dois países, principalmente nos sectores da indústria, do comércio e da agro-pecuária.
“Com a abertura da Expo-Cunene surgem novas oportunidades para o estabelecimento de parcerias, visando a entrada de produtos namibianos em Angola e vice-versa e contribuir para integração e o engrandecimento da economia na região”, referiu.
Para a presente edição, anunciou, estão inscritos mais de 200 expositores distribuídos por pavilhões de produtos imobiliários, pecuários, industriais e de engenharia de construção civil. A feira tem reservado, também, um espaço para a instalação de cerca de 250 barracas de comes e bebes e de salões de beleza.
A feira reserva ainda outros atractivos, como espectáculos musicais, além da oportunidade que é dada a cada município de mostrar as potencialidades nos diferentes domínios.
As comemorações, que decorrem até ao final do mês, contemplam a realização de debates radiofónicos sobre o desenvolvimento da região e inaugurações de empreendimentos sociais e económicos nos municípios de Ombadja, Cuvelai e Namacunde, como naves hospitalares, escolas, casas veterinárias, residências para administradores, sistemas de energia e água e entrega de tractores, alfaias e carrinhas às cooperativas agrícolas de Calueque e do Cuvelai.
O programa de actividades reserva ainda a inauguração da rádio comunitária, os sinais da TPA 1 e TPA 2 e sistemas de água e energia no município do Cuvelai.


Situação geográfica

A província do Cunene tem 77.213 quilómetros quadrados e uma faixa fronteiriça com a Namíbia de 460 quilómetros, dos quais 120 correspondem ao troço internacional do rio Cunene, desde as quedas do Monte Negro às do Ruacaná, seguindo para Este, numa extensão de 340 quilómetros, até ao marco-55.
A divisão político-administrativa compreende 273 aldeias, 20 comunas e seis municípios, Kwanhama, Ombadja, Kahama, Namakunde, Cuvelai e Curoca.
Os principais grupos étnico-linguísticos são os ovakwanyama, ovambadya, nyaneka-nkhumbi, mundimba, muhimba, herero, muhakavona e ovakwanghala (bushman), cujas principais actividades são a agricultura, criação de gado, exploração de madeira e pesca artesanal.
A língua oshikwanyama é predominante nos municípios do Kwanhama e Namakunde, enquanto que nos de Ombadja, Cuvelai, Kahama e Curoca predominam o oshimbadja, nkhumbi, handa, mundimba, muhimba, herero, muhakavona, cokwe nganguela.
Muitas das línguas faladas no Cunene também o são na vizinha República da Namíbia. Muitos cidadãos dos dois países, sobretudo nas zonas fronteiriças, têm laços de consanguinidade.

Domingos Calucipa e Elautério Silipuleni/Jornal de Angola


Fome Ameaça Mais de 11 Milhões de Pessoas Espalhadas por 5 Países da África do Leste.

Os responsáveis das Nações Unidas admitem que se pode estar perante o maior desastre humanitário actualmente no mundo. A fome ameaça mais de 11 milhões de pessoas espalhadas por 5 países da África do Leste.
Em declarações à TSF, Thandie Mwape, responsável pela Coordenação dos Assuntos Humanitários das Nações Unidas no Quénia revelou que, nos últimos dias, foi a alguns campos de refugiados e encontrou uma situação devastadora.

«Visitámos hospitais e foi uma imagem perturbadora. Vimos crianças extremamente mal nutridas, mães que têm quatro filhos e que têm de dividir o seu tempo com uns no hospital e que deixam os outros com amigos ou familiares em condições deploráveis em campos de refugiados lotados», afirmou.

A Coordenação dos Assuntos Humanitários da ONU explica que faltam 700 milhões de euros para responder à fome.

Ao Quénia, segundo a responsável, chegaram nas últimas semanas milhares de refugiados, que fogem às consequências da maior seca dos ultimos 60 anos: falta água, comida e serviços de saúde.

A ONU mostra-se cada vez mais preocupada, alertando que secas como estão a repetir-se com maior frequência por causa das alterações climáticas.

TSF

Milhões de Pessoas Afectadas Pela Grave Seca no Corno de África

A situação de milhões de pessoas afectadas pela grave seca no Corno de África vai deteriorar-se ainda mais, com a ausência de chuvas e colheitas tardias, alertou a UNICEF.
Nos dois últimos anos, ou não houve chuvas ou estas foram pouco abundantes, situação que obrigou milhares de somalis a deixar o país e afectou milhões de pessoas no Quénia, na Etiópia e Djibuti.
«Vamos provavelmente ter uma verdadeira catástrofe nos próximos meses… Vamos fazer o possível para melhorar a situação», indicou à AFP o director da UNICEF, Anthony Lake, antes de partir para o norte do Quénia, particularmente afectado pela seca.

Para este alto responsável das Nações Unidas, «a situação é muito má» e não haverá «grandes colheitas antes do próximo ano», o que faz com que «os próximos meses sejam muito difíceis».

O chefe da UNICEF vai passar por Turkana, uma das regiões do Quénia mais duramente atingidas.

O Quénia tem actualmente o maior campo de refugiados do mundo, que acolhe centenas de milhares de somalis que fugiram dos conflitos e ao qual chegam todo os dias milhares de outros que fogem da seca.

O campo de Dadaab foi construído em 1991 para receber 90 mil pessoas e actualmente tem mais de 380 mil, 59 mil dos quais vivem no exterior do campo, segundo um porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados.
Os países doadores, ocidentais e outros, prometeram milhões de dólares, mas segundo o responsável da ONU, não será o suficiente para cobrir todas as necessidades.

A UNICEF afirmou na semana passada que são precisos 31,8 milhões de dólares (22,48 milhões de euros) para ajudar, nos próximos três meses milhões de mulheres e crianças em risco.
O governo alemão anunciou este sábado uma ajuda urgente de cinco milhões de euros para combater a seca na região.

TSF

Angola e o Seu Desenvolvimento Agrícola

O declínio da produção agro-pecuária angolana parece ter finalmente estancado. De 1975 a 1992, mercê da guerra, o país perdeu a sua posição de grande produtor mundial e passou de exportador a importador da maioria dos alimentos que consome. A contribuição da agricultura para o PIB estava então nos 8% e, com a estabilidade político-militar alcançada em 2002, passou para 10%. Hoje, a economia rural, que engloba a agricultura e agro-pecuária, já é o segundo maior sector produtivo depois do petróleo. O mérito do desenvolvimento agrícola não se mede apenas pelo potencial económico, mas, sobretudo, pelo emprego que absorve — 60% a 70%, ou seja dois terços da população.

Devido à sua inegável importância para o futuro do país, a questão da inovação e desenvolvimento agrícola foi objecto de um seminário organizado pelo Ministério da tutela e a empresa Agromundo.

Marcos Nhunga, director-geral do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA), defendeu que o modelo de desenvolvimento do sector deve ser centrado na agricultura familiar e no apoio às comunidades rurais, do qual fazem parte cerca de 2,6 milhões de famílias. Acrescentou que “a agricultura contribui para a eliminação da fome e da pobreza das populações rurais e promove a sua integração no desenvolvimento socioe-?conómico do país”. Em Angola, contudo, ainda é uma actividade de subsistência que gera uma produção limitada de excedentes para comercialização.

Apoio à produção e comercialização

“Quem produz e não consegue vender, não volta a produzir mais”, alerta Afonso Canga, ministro da Agricultura
O IDA, segundo o responsável, tem desempenhado um papel importante no apoio aos pequenos produtores. Marcos Nhunga recordou que, desde 2009, o IDA distribui às explorações agrícolas familiares adubadores e semeadores manuais, que visam a modernização do trabalho no campo.

Para o futuro, o desafio a vencer passa pela promoção e reforço da assistência técnica e, sobretudo, da comercialização dos produtos agro-pecuários. “O objectivo principal é o de interligar a cadeia produtiva com os mercados, de modo a facilitar o escoamento dos produtos. A proposta é que os técnicos possam descer dos municípios para as comunas de maneira a interagir melhor com as populações”, disse.

Para cumprir esse objectivo, o responsável garantiu que além dos quadros que foram recrutados este ano para o Ministério de tutela, serão contratados mais técnicos para reforçar os sistemas de rega nos municípios.

Na sua intervenção de abertura, Afonso Pedro Canga, ministro da Agricultura do Desenvolvimento Rural e das Pescas, já tinha colocado a tónica na questão da distribuição. “Quem produz e não consegue vender não volta a produzir mais.”

Além do programa aprovado pelo Governo (que está a ser conduzido pelo Ministério do Comércio) para colmatar os problemas de escoamento da produção, o ministro também chamou a atenção para a importância das obras de reabilitação rodoviária que avançam no âmbito do Programa de Reabilitação de Infra-estruturas Rodoviárias (PRIR).

Parcerias com especialistas mundiais

O ministro reconheceu igualmente que para além do forte engajamento do Executivo em melhorar as práticas de cultivo, a modernização da agricultura exige uma forte troca de experiência com empresas estrangeiras. “Não basta o país ter muita terra e água. É igualmente necessário adoptar novas tecnologias de exploração dos recursos naturais e as melhores práticas mundiais de preparação de terras, sementeira, regadio, colheita e comercialização da produção”, admite, adiantando que “o país se encontra numa fase crítica, pois existe a necessidade de alimentar milhões de pessoas”.

Em consequência, Afonso Canga incentivou as empresas estrangeiras a investirem mais no país e anunciou que o executivo criará novas parcerias público-privadas no sector, com o apoio institucional e técnico dos institutos de Investigação Agronómica e Pesqueiro. Jorge Jover, director da Agromundo, aproveitou a oportunidade para justificar que um dos objectivos do evento — onde participaram especialistas como a Lonagro, Seedco, Bauer, Plaaske, Syngenta, Afrinet e NWK — foi justamente o de apresentar à tutela algumas empresas estrangeiras capazes de ajudar o Executivo a aproveitar as potencialidades da agricultura angolana. Caso para dizer, oxalá esta semente possa vir a dar frutos.

Por: Adão Gil- Exame Angola


Desenvolvimento dos Países Africanos

Ann Bernstein dirige o Centro para Desenvolvimento e Empresas (CDE), com sede em Joanesburgo, na África do Sul, um dos mais importantes do país. O foco do centro é discutir questões vitais para o desenvolvimento dos países africanos
, como o crescimento económico e a consolidação democrática. Em 2010, publicou o livro The Case for Business in Developing Economies (Em Defesa dos Negócios em Economias em Desenvolvimento). Eis o essencial da entrevista à EXAME.


O que a motivou a escrever o livro?

Sempre trabalhei em instituições de investigação académica financiadas por empresas privadas e percebi, ao longo do tempo, que havia um certo preconceito. De vez em quando, tinha de explicar aos colegas porque trabalhava para o “império do mal”. Isso fez-me concluir que as empresas são mal vistas nos países em desenvolvimento, o que não deixa de ser chocante, dado o enorme “bem” que a iniciativa privada faz para as cidades e as regiões desses países.

No livro escreve que o que faz a diferença na África do Sul são as empresas. O que mais explica o sucesso do país

Durante o regime do apartheid, o Estado era muito discriminatório, algo que é absolutamente condenável. Mas, noutras áreas, esse mesmo Estado era muito eficiente. Usava, por exemplo, as receitas geradas pelos impostos para ajudar a desenvolver as infra-estruturas, algo raro, nessa altura, entre os países do continente.

Porque é que outros países em ?África não têm igual desempenho?

África ainda tem poucas empresas com dimensão global. Mas todos os governos do continente sabem o que é preciso ser feito. É necessário investir em infra-estruturas, eliminar a burocracia e criar um sistema legislativo que funcione. Paul Kagame, Presidente do Ruanda, abriu o país, chamou as empresas e a iniciativa privada está a funcionar. E disso que a Africa precisa, não de ajuda externa.

Porque é que diz ser contra a responsabilidade social?

As empresas precisam de parar de pedir desculpas pela sua existência. Se a empresa é bem-sucedida, lucrativa e cumpre as leis locais, ela é boa para a sociedade e é essencial para o desenvolvimento. Isso porque paga impostos, gera empregos e estimula a inovação. Isso é o principal. Tendo atingido esses objectivos, então ela pode conversar sobre o que mais pode fazer pela sociedade.

Hoje diz-se que as empresas mais lucrativas ?são também as mais responsáveis socialmente?

Você acredita nisso?

A senhora não?

Se uma empresa melhora a sua eficiência energética e o valor da conta de luz cai 30%, não é responsabilidade social. É inteligência.

A África do Sul tem um programa para incentivar os negros a assumir posições de liderança. O programa funciona?

É sempre positiva a ideia de acabar com as descriminações. Mas o programa funciona mal porque não estimula o empreendedorismo. Muitas vezes, há pessoas que chegam à liderança não pelo seu mérito, mas apenas por causa da cor da pele. Não posso pensar em nada pior para construir uma sociedade. Sou a favor de uma sociedade construída com base na igualdade de oportunidades. O objectivo deve ser uma educação de alto nível para todos.

Ann Bernstein, Presidente do CDE (Centre for Development and Enterprise) na África do Sul e autora do livro The Case for Business in Developing Economies
Por: Ann Bernstein
Exame/Angola