O Fantástico Rio Kwanza

O Rio Kwanza é o maior rio exclusivamente angolano. O rio Kwanza nasce em Mumbué, município do Chitembo, Bié, no Planalto Central de Angola. O seu curso de 960 quilómetros (Km) desenha uma grande curva para Norte e para Oeste, antes de desaguar no Oceano Atlântico, na Barra do Kwanza, a sul de Luanda.
Com uma bacia hidrográfica de 152.570 quilómetros quadrados (km²), o Kwanza é navegável por 258 quilómetros desde a foz até ao Dondo. As barragens de Cambambe e de Capanda produzem grande parte da energia eléctrica consumida em Luanda.
As barragens também fornecem água para irrigação de plantações de cana-de-açúcar e outras culturas no vale do Kwanza.
É no maior afluente do Kwanza, o rio Lucala, que estão as grandes Quedas de Kalandula. Junto da foz do rio fica o Parque Nacional da Quiçama.
O rio Kwanza foi o berço do antigo Reino do Ndongo, tendo também sido uma das vias de penetração dos portugueses em Angola no século XVI.

O rio dá o seu nome a duas províncias de Angola — Kwanza-Norte, na sua margem norte, e Kwanza-Sul, na margem oposta. Desde 1977 que dá também o nome à unidade monetária nacional, o kwanza.


A Nova Mediateca Para o Lubango

O terreno sobre o qual se situará o edifício corresponde a uma parcela localizada em Lubango, Avenida Agostinho Neto. De forma rectangular, encontra-se situada nas imediações de uma área desportiva, limitando a fachada Norte com um campo de futebol denominado Mandume, próximo do Liceu com o mesmo nome,

apresentando uma dimensão aproximada de 122,58 m. Delimitada na sua lateral Sul pela via Avenida Agostinho Neto, faz frente com um comprimento de 120,45m e tem por vizinhos na sua lateral Este o liceu de Mandume e o ISCED (traçado de 81,36m). Na face Oeste, encontra-se uma via rodoviária bastante transitada, com um comprimento de 70,75m.

Em frente à parcela na lateral Sudeste, do outro lado da Avenida Agostinho Neto situa-se um edifício de obras públicas. Actualmente a parcela dispõe de um vala perímetral que a separa das parcelas que a rodeiam.

Também vale a pena destacar a localização da cafetaria, que lhe permite funcionar de forma independente do restante edifício, e com ligação possível ao liceu e ao instituto, como a sua relação directa com o vestíbulo da mediateca, que potencia a possibilidade de realizar cocktails dentro do equipamento.

As zonas privadas e públicas encontram-se perfeitamente delimitadas e cotadas (a primeira situa-se no volume regular exposto), realizando-se as ligações precisas sem provocar a interrupção ou interferência das diferentes circulações: pública, privada, mercadorias, acontecimentos “fora de horários” de abertura da mediateca, crianças, adultos… Desta forma, toda a parte pública do programa encontra-se voltada para a praça verde situada ao redor do edifício, levando luz ao interior do edifício e oferecendo espaços de qualidade à mediateca.

Informação Adicional
* Área (m2): 2309
* Número de Salas: 30
* Ligação à internet: Satélite
* Localização: Lubango
A apresentação das três mediatecas, projectadas pela Impulso Portugal e pela Impulso Angola, foi efectuada pelo Director de Engenharia e Arquitectura, arq. Jorge Suárez, no passado dia 30 de Setembro numa acção convocada pela Associação REMA (Rede de Mediatecas de Angola) sob a direcção do Vice-ministro Pedro S. Teta e perante mais de 70 pessoas, entre autoridades nacionais e regionais (Ministros, Vice-ministros, Governadores, Vice-governadores, Secretaria do Presidente da República para os Assuntos Sociais) e meios de comunicação social nacionais e internacionais, para além dos principais responsáveis da Impulso e Impulso Angola.

Na apresentação dos seus projectos, Jorge Suárez abordou o tema das mediatecas e o seu significado desde o ponto de vista tecnológico, social e cultural numa primeira aproximação de carácter filosófico e conceptual passando a descrever cada uma delas e suas características principais. Colocou especial ênfase na identidade das mediatecas como local no qual se inserem tendo em conta os condicionalismos ambientais, geográficos e culturais.

Posteriormente, em colóquio aberto, o Director de Engenharia e Arquitectura de Impulso teve a oportunidade de prestar esclarecimentos quanto a temas respeitantes a acessibilidades, fachadas, sustentabilidade, número de pontos de informação, capacidade e questões ambientais em geral.


Imagens da Sempre Bela Luanda

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Ritek e os Festivais Internacionais de Jazz

António Cristóvão nasceu no Huambo, a guerra obrigou-o a vir para Luanda (com os pais e mais sete irmãos) e acabou por fazer os estudos na Cidade do Cabo. Nessa altura já gostava de jazz. “A minha família sempre foi apreciadora do estilo, e eu, como mais novo, fui influenciado por eles.”
Infelizmente, nunca conseguiu assistir ao vivo ao festival da Cidade do Cabo, o quarto maior do mundo (famoso por combinar o jazz com outros estilos de música que apelam a várias gerações de espectadores. “Na altura era estudante e não tinha dinheiro suficiente. Limitava-me a ver pela televisão.” Talvez, por isso, assim que teve oportunidade, resolveu criar o seu próprio festival. E ela surgiu em 2009 quando, durante uma viagem a Maputo, conheceu o director da EspAfrika que organiza o festival da Cidade do Cabo (em Abril) e eventos similares no Botsuana (em Setembro) e Porto Elizabeth (em Dezembro).
A conversa correu tão bem que resolveram assinar um contrato de parceria de cinco anos ao abrigo do qual a empresa sul-africana se compromete a apoiar a Ritek na organização do Festival de Jazz de Luanda, em particular nas áreas mais técnicas da produção e logística. Uma das vertentes principais do acordo é a transferência de know-how. “Os nossos técnicos fazem estágios ao longo do ano em todos os festivais organizados pela EspAfrika”, diz.

Também em resultado dessa parceria a Ritek é o principal patrocinador do festival da Cidade do Cabo, possuindo um stand logo à entrada do pavilhão principal. Em Agosto, vai patrocinar, pela primeira vez, o “histórico” Festival de Paredes de Coura, no Norte de Portugal. “Os festivais são uma excelente forma de apresentação da Ritek nesses mercados”, justifica.

Fruto da união de esforços entre a Ritek e a EspAfrika, hoje o Festival de Jazz de Luanda é, segundo António Cristóvão, o maior evento cultural do país e o segundo maior festival de jazz de África (logo após o da Cidade do Cabo, no qual actuam 40 artistas). O orçamento previsto para edição deste ano (a terceira) é de 3,5 milhões de dólares, dos quais o pagamento aos artistas (cachets, viagens e estada) representa 55% a 60% do total. O aluguer do espaço é outro custo importante dado que é preciso montar o material com, duas semanas de antecedência. A reserva de artistas precisa de ainda mais tempo. “Já estamos a agendar para os próximos três anos”, revela.
Mais bilhetes a preços menores

A selecção cuidada dos artistas é um dos principais trunfos do festival. Na edição deste ano, está confirmada a presença de uma grande senhora do jazz — Dee Dee Bridgewaters — e de outros músicos de nomeada, como o português Rui Veloso ou os DJ sul-africanos Liquideep e Black Coffee. Mas até ao fecho desta edição da EXAME, a lista final ainda não estava fechada. “Até ao dia da abertura (28 de Julho) ainda vamos revelar mais nomes sonantes que ainda não confirmaram.”

Em consequência, este ano vão ser emitidos mais bilhetes (6 mil versus os 4500 do ano anterior) cujo preço diário será de 11 500 kwanzas (mais barato do que os 15 200 da última edição). Ao contrário do que sucedeu no primeiro festival (onde a Ritek assumiu a totalidade das despesas) esta edição tem vários patrocinadores (caso do BPC e Internet Technologies) cujas receitas totalizaram cerca de 600 mil a 800 mil dólares. O valor é quase o do dobro do ano anterior, mas ainda assim insuficiente para amortizar o orçamento de 3,5 milhões de dólares (versus 3,7 milhões, em 2010, e 1,7 milhões, em 2009).

António Cristóvão destaca ainda a ajuda de outras entidades prestadoras de serviços como, por exemplo, o Hotel de Talatona oferece um desconto na estada dos artistas.

Ambição de chegar ao top mundial

É aliás para lá que António Cristóvão deseja transferir o festival no futuro de modo a albergar mais pessoas, o que, segundo prevê, fará o orçamento disparar para 5 milhões de dólares. “Só não o fizemos já este ano porque esperámos até ao prazo limite pela resposta favorável dos patrocinadores, algo que só chegou posteriormente.” Uma das inovações deste ano é a criação, em paralelo, de uma exposição fotográfica dedicada ao jazz que será inaugurada antes do festival, no Centro Cultural Português. A exposição irá homenagear a figura de Jerónimo Belo, o grande divulgador do jazz em Angola, e será baseada no arquivo fotográfico do próprio assim como de outros artistas angolanos (o denominador comum são as fotos a preto e branco).

As metas para o futuro são ainda mais ambiciosas. “Na quinta edição do festival queremos oferecer 30 artistas e chegar às 6 mil pessoas por dia. Quero que num prazo de cinco a dez anos o nosso festival esteja a rivalizar com os melhores do mundo.” No que diz respeito a artistas confessa que sonhava trazer, um dia, nomes como Carlos Santana ou Sting. “Por enquanto, os cachets deles são incomportáveis. Santana pede 1 milhão de dólares e Sting 3 milhões”, justifica.

Sobre o que correu melhor nos anos anteriores, o empresário destaca a qualidade dos artistas (alguns dos quais ficaram seus amigos pessoais) e a receptividade do público. “Muitos tinham dúvidas sobre a organização de um festival deste tipo em Luanda, onde a maioria das pessoas não tinha uma grande cultura de jazz. A verdade é que o apoio do público vem crescendo de ano para ano e tem superado todas as expectativas”, diz. O mais importante, no entanto, é a do festival ajudar a melhorar a imagem do país. “Muitos artistas tinham medo de actuar em Angola. Muitos julgavam que ainda era um país em guerra.” António Cristóvão recorda o caso de George Benson, a “estrela” da edição anterior, que recusou o convite duas vezes, assustado com o que acontecera com a selecção do Togo, em Cabinda, durante o CAN. O empresário só contornou o problema quando falou pessoalmente com George Benson, na Cidade do Cabo. As suas famílias acabaram por desenvolver uma relação de amizade e o artista decidiu cancelar os espectáculos agendados para Itália de modo a marcar presença em Luanda. “Hoje, felizmente esse problema já não existe. Os agentes falam uns com outros e já não recusam Luanda. Temos inclusivamente artistas, como Cole Taylor, que já nos pediram para repetir a experiência.”

No entanto, ainda existem muitas dificuldades a contornar. O problema mais grave, segundo o organizador, são os vistos de entrada. “No ano passado, houve uma banda que ficou retida na Holanda e tivemos alguns artistas que foram obrigados a esperar no aeroporto de Luanda pela chegada do visto. A situação só se resolveu devido à intervenção do Ministério da Cultura.” Igualmente penosa é a dificuldade para se desalfandegar o material de som e os instrumentos. Há ainda situações, que depois de resolvidas até chegam a ser divertidas, tais como as exigências dos músicos. “George Benson, por exemplo, pediu-nos para ficar numa suite presidencial, com rosas brancas e um prato de marisco, pescado na hora”, recorda.

Um negócio que desperta paixões

António Cristóvão gosta realmente do que faz. “Preparar o festival é um stresse terrível ,mas é algo que faço por paixão. Não só porque adoro jazz, mas também porque vivi muitos anos fora de Angola e entristecia-me ver a imagem negativa que os outros tinham do meu país. Agrada-me contribuir para mudar essa imagem.” É também com esse propósito que o empresário tem incentivado a presença de artistas angolanos nos festivais internacionais. “Há dois anos tivemos o Paulo Flores na Cidade do Cabo, este ano foi a vez de Sandra Cordeiro. Ambos foram muito bem recebidos pelo público e tiveram criticas elogiosas na imprensa.” Agora, o empresário pretende levar Afrikanita ao Festival de Paredes de Coura, em Portugal (do qual a Ritek é um dos sponsors).

Outra aposta consiste em apoiar jovens talentos nacionais. É o caso de Emanuel Kanda, de apenas 25 anos, cujo lançamento do primeiro CD foi apoiado pela Ritek. “Queremos levá-lo a outros festivais como o do Botsuana. Além de Sandra Cordeiro e Afrikanita cremos que há outros artistas angolanos que embora não sejam tipicamente de jazz têm um estilo exportável. É o caso, por exemplo, do Toto, do Gabriel Tchiema e do Kizua Gourgel.”

A aposta do grupo familiar no jazz é um excelente cartão-de-visita para os outros negócios do grupo Ritek. A aventura empresarial em Angola começou em 2007. João e Adriano, irmãos mais velhos, vivem em Portugal e Espanha, onde já detinham uma empresa de intermediação de negócios (consultoria e apoio aos empresários que desejam investir em Angola).

Coube a António a gestão das operações da Ritek Angola cujo negócio mais representativo é o rent-a-car, onde é um dos líderes de mercado. A empresa tem hoje uma frota de 120 viaturas — desde autocarros turísticos, minibus, carrinhas, veículos todo-o-terreno, viaturas protocolares, camiões e maquinaria para a construção civil — e três balcões de atendimento — dois em Luanda e um em Cabinda (próximos destinos serão: Lubango, Soyo e Namibe). A Ritek quer continuar a crescer nesta área de negócio. “Este ano, vamos gastar 2 milhões de dólares na renovação da frota e, já em Agosto, irá ser inaugurada a oficina central, no Morro Bento, que além de cuidar dos nossos veículos, prestará serviços a terceiros”, diz. A empresa tem igualmente uma estação de lavagem e limpeza de viaturas, no bairro Rangel, em Luanda.

Do turismo à restauração e tecnologia

Em 2008, foi inaugurada a pastelaria e panificadora Flamingo, em Benguela. E na mesma cidade será erguido, em 2012, o Hotel Umosi, de três estrelas. Um pouco mais a sul, na praia da Caotinha (famosa pelas suas águas transparentes, popularizada nos romances de Pepetela) nascerá o projecto mais sonante: um resort turístico cujo projecto de arquitectura já está concluído. O grupo também tem alguns terrenos em Maputo, capital de Moçambique, onde tenciona construir empreendimentos turísticos. “Tivemos uma má experiência na escolha do parceiro local e perdemos muito dinheiro. Mas Maputo, tal como a Cidade do Cabo, continuam nos nossos horizontes de expansão.” Em Luanda, o grupo pretende inaugurar um restaurante temático dedicado ao jazz, em Maio de 2012.

No Sul de Angola, o grupo tem uma empresa de agro-pecuária, em parceria com espanhóis, e uma consultora em construção civil e fiscalização de obras públicas.

Outro projecto em perspectiva chama-se Welwitschia — em homenagem à famosa planta endémica do deserto do Namibe — local onde a Ritek tenciona edificar casas sociais ao abrigo do projecto governamental “Meu Sonho, Minha Casa” (que visa construir 1 milhão de casas). A próxima grande aposta do grupo será a representação de uma marca internacional de tecnologia, uma parceria que será anunciada oficialmente no final deste mês, no decurso do Festival de Jazz de Luanda.


Aposta na formação contínua

O grupo Ritek, como se vê, cresce a bom ritmo. “Os projectos só não estão a andar mais depressa porque 2009 e 2010 foram anos difíceis para nós. Até agora, todos os projectos têm sido financiados por capitais próprios, mas, pela primeira vez, vamos recorrer a um empréstimo bancário para terminar o projecto do hotel e do resort.”

Apesar de ter de dividir o seu tempo por múltiplas actividades, António Cristóvão ainda tem algum para apostar na sua valorização profissional. “Como não estudei Gestão, julguei ser importante fazê-lo agora.” Depois dos estudos na Cidade do Cabo (onde se licenciou em Ciência Política e fez um mestrado em Relações Internacionais) e em Tóquio (fez uma pós-graduação em Cooperação e Desenvolvimento, durante cinco meses), António Cristóvão concluiu, no ano passado, o Programa de Alta Direcção Empresarial, realizado em Angola pelo Facide (em parceria com a AESE) e vai inscrever-se no Advance Management Course, da Universidade Católica, cuja aulas vão ter lugar em Luanda, Lisboa e Chicago (parceria com a Kellogs).

Questionado sobre qual é afinal o negócio com que o empresário realmente se identifica, a resposta surge imediatamente: “O festival de jazz, sem dúvida. É uma forma de libertar do stresse da vida empresarial. Gosto de estar perto dos artistas e de ver as pessoas felizes com os espectáculos. No ano passado, cheguei a ficar emocionado quando vi a alegria e a receptividade do público. Provámos que afinal os angolanos também gostam de jazz.” Nós também gostamos. A EXAME decerto marcará presença na primeira fila do festival.

António Cristóvão

Idade 39 anos, casado, pai de 3 filhos

Naturalidade Huambo

Cargo Director-geral da Ritek (fundada com os irmãos João, 48 anos e Adriano, 46)

Formação académica Licenciado em Ciências Politicas, mestrado em Relações Internacionais (Cape Town, África do Sul), pós-graduação em Cooperação e Desenvolvimento pela Universidade das Nações Unidas (Tóquio, Japão) e Programa de Alta Direcção de Empresas (Angola)

Experiência profissional Após a licenciatura trabalhou no Ministério de Relações Exteriores como coordenador do Instituto de Relações Internacionais, assumiu a direcção da Ritek desde a sua fundação em 2007

CINE ATLÂNTICO: Palco do Festival de Jazz Luanda

3º Festival Internacional de Jazz de Luanda

Datas 29 a 31 de Julho

Local Cine Atlântico

Abertura 21h30 (sexta-feira), 19h30 (sábado); 18h30 (domingo)

Preços 8 mil kwanzas (sexta-feira) e 11 500 kwanzas por dia (sábado ?e domingo)

Line up (*) Banda Maravilha, Emanuel Kanda, Simons Massini, Yami e Kizua Gourgel (Angola); Liquideep, Black Coffee e Jonathan Butler (África do Sul); Mayra Andrade (Cabo Verde); Dee Dee Bridgewaters ?e Spyro Gyra (Estados Unidos); Rui Veloso (Portugal); Moreira Chonguiça (Moçambique); Ismael Lô (Senegal)

Organização Ritek (parceria com EspAfrika)

Orçamento ?3,5 milhões de dólares ?(3,7 milhões, em 2010 ?e 1,7 milhões, em 2009)

Principais sponsors BPC e Internet Technologies Angola

Exame Angola


Malange-Preservação da Palanca Negra Gigante

Trabalho do Dr.Pedro Vaz Pinto, sobre a defesa da Palanca Negra Gigante.

01. 1º Semestre Relatório Palanca

Caros amigos,

Começo por me desculpar pelo longo interregno sem informação. Esta época chuvosa foi particularmente intensa na Cangandala, fazendo transbordar os rios e cortando os acessos por estrada para o parque, e em resultado disso acabei por passar vários meses sem visitar o parque. Para além disso, a primeira viagem foi um pouco decepcionante e achei que faria mais sentido incluir mais umas visitas e fazer então um relatório semestral.

A primeira visita foi de facto frustrante. Esperávamos passar alguns dias a observar o macho, as suas senhoras (esperávamos que a fêmea magoada ainda estivesse viva, e a nona tinha desaparecido há mais de um ano), e a sua prole. E talvez novas crias? Localizar a manada não deveria ser problemático, com três animais marcados com coleiras rádio… Contudo, a Luísa – mãe da segunda cria, tinha uma coleira VHF/GSM e estas supostamente duram metade das típicas VHF (2 anos em vez de 4), e claro está, as baterias estavam já mortas em Maio. A segunda coleira estava a funcionar bem mas era da Quitéria, a tal fêmea que coxeava, e neste caso era ela que estava morta! A coleira levou-nos directamente ao seu esqueleto (Fotos 01, 02) e este foi naturalmente um momento triste, mesmo que não totalmente inesperado. Ela teria morrido pelo menos um mês atrás. Não se encontrou causa óbvia de morte, mas podemos assumir que terá estado relacionada com a lesão que a fazia coxear há tanto tempo.

Como se isso não fosse suficiente, nos dias seguintes não conseguimos detectar o sinal da terceira coleira (VHF), aquela que estava no macho dominante. Isto já foi totalmente inesperado já que nesta coleira as pilhas ainda deveriam estar a cerca de metade da sua vida útil. Em cima disto, e como é habitual na época do cacimbo, os arbustos e capim estavam sobre-desenvolvidos, tornando impossível conduzir a “corta-mato” e encontrar os animais de forma realista. Fez-nos especular se o macho não teria passado por debaixo da vedação e escapado para fora do santuário… havia muitos rastos frescos dentro, e o macho não largaria as suas meninas, pois não? Mas mesmo assim, como poderíamos ter a certeza? Encontrámos um bom local e colocámos lá uma câmara oculta, mas teríamos ainda de esperar algumas semanas pelo resultado…

Na segunda vedação localizámos a manada híbrida, ou pelo menos a nossa fêmea “Judas” já que a sua coleira ainda funciona perfeitamente, mas já a outra coleira, na Úrsula, sendo GSM/VHF também já não se encontrava activa. De qualquer forma não foi possível observar a manada devido ao longo capim, mas também não valia a pena forçar as coisas.

O registo das câmaras ocultas desde meados de Dezembro de 2010 (Fotos 51 – 86) revelou sequências muito interessantes, e confirmou que a manada híbrida estava em boas condições físicas e ainda junta. Mas a grande surpresa foi detectada fora das vedações, onde apareceu uma fêmea pura isolada. Não foi possível identificar na sua primeira aparição em Dezembro, mas subsequentemente tornou-se claro que se tratava da fêmea perdida, a Joana. Ela tinha conseguido escapar do santuário há mais de um ano sem deixar rasto?! Pelo menos não estava morta. Deve ter passado por baixo da vedação, abandonando a manada… Interessante verificar que ela tinha sido a primeira fêmea capturada na Cangandala em 2009 precisamente porque foi a primeira a largar a manada aquando da perseguição com o helicóptero, e é também uma mãe confirmada de um híbrido (o dna provou que foi ela que gerou a nossa “Judas” em 2004). Então, esta sempre foi rebelde! Uma alma romântica poderá ser tentado a acreditar que ela fugiu em busca do seu único e verdadeiro amor… o macho de palanca vermelha!!! Certamente que não… mas esperemos que não venhamos a encontrá-la em breve com um novo bastardinho!

Em Junho começámos a construir uma terceira vedação que terá 450 hectares (Fotos 10, 11, 12) e é para aqui que em breve esperamos passar todos os híbridos.

Em visitas seguintes conseguimos seguir e encontrar a manada pura, e desta forma confirmar que o macho (Fotos 22, 23)

continuava manso como sempre, e forte e saudável, e que o seu rádio estava de facto inoperacional. Mas as melhor notícia foi verificar no registo da câmara oculta que tinha sido colocada dentro do santuário, que tinha nascido a primeira cria de 2011. As duas do ano anterior pareciam saudáveis e bem desenvolvidas e foi agora possível determinar o sexo de todas elas. São macho – fêmea – macho por ordem de nascimento. Três crias (e apenas uma fêmea) em ano e meio de criação é sem dúvida um resultado modesto, mas 2011 ainda vai a meio e esperamos que com a expansão do santuário que faremos este ano, possamos então inverter a tendência e aumentar significativamente o sucesso reprodutivo.

Já na segunda vedação, continuámos a monitorizar a manada de híbridos, e até conseguimos uma míseras fotos (Foto 21) quando o grupo fugia.

Numa breve visita ao Luando, reunimos com os pastores para planificar em detalhe os próximos dois meses que serão cruciais. Para já, as notícias e perspectivas são animadoras. Um dia passado no rio deu para fazer boa observação de aves e para desfrutar e explorar um pouco a área (Fotos 28 – 46),

e até nos foi mostrado um grupo de cinco hipopótamos (Fotos 36 – 38).

No mês seguinte estaremos bastante ocupados, pois tentaremos concretizar uma nova e ambiciosa operação de capturas. Pretendemos transportar todos os híbridos para dentro da terceira vedação, constituir um novo núcleo reprodutor na Cangandala com palancas capturadas e trazidas do Luando, fazer uma prospecção aérea nalgumas das áreas mais remotas da reserva, marcarmos até 20 animais com coleiras, talvez capturar outras espécies, e fazer algumas intervenções anti-furtivo. De forma ainda mais forte que em 2009, a Força Aérea Nacional desempenhará um papel decisivo na operação.

Bem, chega por agora, e se tudo correr bem o próximo relatório será sumarento.

Cumprimentos,

Pedro