Trânsito Caótico na Zona de São Paulo-Luanda

A zona do São Paulo é uma das mais críticas quando se fala do trânsito em Luanda. As ruas esburacadas estão constantemente congestionadas, independentemente da hora. Quer de dia, quer de noite, é habitual verem-se longas filas de viaturas em marcha demasiado lenta, com paragens constantes.
As buzinas confundem-se com o pregão das zungueiras, que anunciam os seus negócios com a intenção de atrair clientes. Os automobilistas partilham a estrada com as vendedoras ambulantes e com os chamados roboteiros, indivíduos que, com carros manuais de madeira, transportam os produtos dos clientes.

Além do mau estado das vias, algumas das quais interditas para obras, a dificuldade do trânsito no São Paulo reside no facto de a rua Cónego Manuel das Neves estar transformada num autêntico mercado. As zungueiras fazem os seus negócios à beira da estrada, ignorando o perigo que isso representa.
A Polícia de Trânsito sente-se a maior parte das vezes impotente para regular a circulação rodoviária, conforme admitiu o agente Walter Costa, que trabalha no local há seis meses e considera o período das sete às nove horas como o mais crítico.Justificou que os engarrafamentos no São Paulo têm a ver com os buracos da via, avarias constantes das viaturas e o fluxo exagerado de peões causado pelas zungueiras.
“A Polícia de Trânsito tem sabido cumprir o seu papel, mas não é possível regular bem o tráfego quando existem problemas de buracos nas estradas, porque os carros têm de andar mais devagar, pois ninguém quer pôr em risco a sua viatura”, reforçou.
O taxista Bruno Domingos, que normalmente faz o percurso São Paulo-Rocha Pinto, lamentou o estado caótico das estradas, sublinhando que só aos domingos se pode circular à vontade naquela área.
“O tempo que perdemos nos engarrafamentos tem uma influência negativa no nosso trabalho e às vezes não conseguimos concluir a conta do patrão. O governo da província de Luanda não deve apenas cobrar licença aos taxistas, também se deve preocupar com o estado das estradas” disse o jovem taxista.O cenário que se vive no São Paulo cria problemas não só à circulação rodoviária como também propicia o aumento da criminalidade, como admite a Polícia Nacional, que para controlar a criminalidade montou no local um posto móvel.

“A maior parte dos crimes que aqui acontecem são consequência do consumo de bebidas alcoólicas. Os jovens bebem e ficam inspirados para fazer assaltos. O combate a estes crimes só será possível com a proibição efectiva dos vendedores ambulantes. Infelizmente, os fiscais não conseguem impedi-las sem a ajuda da Polícia”, disse o chefe do posto policial, José Joaquim. Acrescentou que a maioria dos crimes tem a ver com o roubo de telemóveis e fios de ouro.
A socióloga Fátima Veigas considera que a situação que se vive no bairro do São Paulo é desconfortável, não apenas pela venda ambulante naquele local, mas também pela insegurança dos cidadãos.
“A venda em locais públicos abertos constitui grande perigo para as próprias vendedeiras e para os demais cidadãos. Elas podem ser vítimas de atropelamento, já que com esta prática são obrigadas a correr de um lado para o outro fugindo dos fiscais.
Existe ainda o desconforto do consumidor que faz compras num local sem higiene, onde há muito lixo, facto que constitui um mau ambiente para todos”, disse a socióloga.
Fátima Veigas defendeu que o governo deve criar mais espaços condignos para a venda, para evitar situações como a que se vive no São Paulo”, referiu.Joice Domingos é moradora do bairro Sambizanga e vende pregos de aço no São Paulo há oito anos. Confessou que diariamente corre de um sítio para o outro fugindo dos fiscais, mas não desiste de vender na rua, justificando que é o único meio de sobrevivência.
“Comecei a vender aqui aos 12 anos de idade para poder pagar os meus estudos. Fui criada pela minha avô. Ela está com 85 anos de idade e não tem recursos para me sustentar, por isso, vendo aqui para a ajudar”, explicou a jovem vendedeira.Sumbu António Vunge é gerente de uma loja de roupas situada na rua Cónego Manuel das Neves.
Referiu que as vendas ilegais praticadas pelas zungueiras em frente à sua loja têm prejudicado significativamente o seu negócio, dificultando a entrada de clientes na loja.

Edvaldo Cristóvão/Jornal de Angola

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