Contorcionistas de Angola

<em>Seja qual for o local, as suas exibições chamam a atenção de quem quer que seja. Entre manobras arrojadas e muita vezes arriscadas, os seis jovens, do Grupo Contorção de Angola, apresentam-se com muita perícia e agilidade.Contorcer-se por cima de doze latas é uma das habilidades do grupo que na “procura de um lugar ao sol” abandonaram a província que os viu nascer e se deslocaram a Luanda, com o objectivo de tornar o seu trabalho reconhecido à nível nacional e, quiçá, internacional. Jornal O PaísEstêvão, Israel, Luís (irmãos), Mabuata, Carlos e Geremias saíram há dois anos da província de Cabinda, sem o consentimento dos pais e hoje apresentam-se em programas televisivos e nos locais mais concorridos de Luanda.A primeira apresentação oficial dos jovens acrobatas deu-se através do convite da produção do programa televisivo Tchilar abrindo-lhes assim a “porta” ao sucesso.E surgiram outros convites entre os quais o do restaurante Lookal, Elinga Teatro, Cine Atlântico, Casa da Juventude, Estádio 11 de Novembro e nos programas televisivos Hora Quente, Jovem Mania e Zimbando da Tv Zimbo pelo que viram-se obrigados a estipular um preço para cada apresentação.As demonstrações variam entre dois tipos de coreografias, sendo que a primeira tem duração de vinte minutos e a outra mais complexa tem o tempo aproximado de uma hora.Sobre a receptividade do público ao seu trabalho o grupo afirma ser positiva, pelo que a cada dia que passa vão aumentado os contactos para contratos. Fazendo jus ao nome, o grupo faz as suas apresentações baseando-se no movimento irregular dos corpos onde cada um dos integrante o molda atribuindo-o um formato antagónico. Ensaios diáriosA performance do grupo é de impressionar qualquer plateia. Corpo atlético e muito bem definido. Condição adquirida com muito esforço, dedicação, prática diária.“Para praticar desse tipo de exercício é necessário muita agilidade e só é possível  adquirir toda essa flexibilidade com ensaios diários”, explicou Mabuata Deus.Aos seis elementos foi atribuído um local de ensaio no bairro em que residem, onde passam parte do tempo a ensaiar novas técnicas e a aperfeiçoar as já existentes.“Por sorte, o coordenador do bairro, ofereceu-se em apoiar o nosso grupo e cedeu-nos o espaço da discoteca que ocupamos durante todo o dia”, disse.Sobre dietas, Mabuata Deus realçou que os seis elementos do grupo não se submetem a nenhum tipo de restrição alimentar, pelo que comem de tudo um pouco, “a forma física apresentada é resultado de muito treino”Segundo ainda o responsável, o consumo de álcool é expressamente proibido entre os membros do grupo Contorção de Angola.Em relação aos acidente durante as apresentações, afirmou que “todo o cuidado é pouco para esse tipo de ginástica. Já houve acidente nas horas de treino mas nunca nas apresentações do grupo”.Para quem queira fazer o mesmo tipo de ginástica, o responsável afirmou que a prática diária é condição imprescindível. E em relação a idade esclareceu que “quanto mais cedo começar, melhor. Por sua vez, um adulto sempre pode praticar, desde que tenha muita força de vontade e claro treino diário”.Sobre a possibilidade de expandir o grupo o responsável afirmou que será para uma segunda fase, pelo que antes existe a necessidade de se afirmarem.Uma peripécia em Luanda Nas ruas da cidade de Cabinda, o grupo foi se tornado cada vez mais conhecido. Apresentavam-se de município em município até que foram aconselhados a tentar à sorte na capital do país.“Numa das exibições, um amigo sugeriu que nos expandíssemos ao resto do país e Luanda era a chave”, disse.Após concertação, o grupo decidiu embarcar para Luanda. Mas a notícia foi recebida com pouco agrado pelos seus encarregados de educação, que prontamente negaram.Disposto, o grupo decidiu enfrentar os pais e às escondidas arriscaram a tão almejada viajem a Luanda.“Sentíamos a necessidade de expandir as nossas apresentações e em Cabinda já não tínhamos muito para dar e nem para receber”, justificou. Chegados à capital e postos no aeroporto doméstico, o grupo não sabia o que fazer, nem para onde ir pelo que decidiram mesmo ali apresentar os seus truques, o que chamou a atenção do público. “Por sorte, durante a nossa primeira apresentação em Luanda fomos acolhidos por um senhor chamado Joel, que assistia ao espectáculo e simpatizou-se connosco,” disse.Terminada a apresentação, os seis foram levados ao Cazenga e ficaram sob tutela do Joel, onde permaneceram durante algum tempo, até conseguirem algum dinheiro e alugarem a sua própria casa no bairro Calemba II.E tudo começou asssim…

Há seis anos, um grupo de adolescentes da província de Cabinda foi convidado pelo Mestre Luís a fazer parte da sua academia, na intenção de praticarem um tipo de ginástica fora do comum.
Com o passar do tempo, os jovens foram se aperfeiçoando, tanto que receberam um convite para uma temporada de shows na República da Alemaha. Mas para tristeza dos petizes, os seus encarregados de educação negaram a proposta, porque temiam pela segurança do grupo.
Triste com a decisão dos pais, Mabuata Deus, integrante do grupo decidiu começar a ganhar dinheiro com aparições públicas.
“Fui o primeiro integrante do grupo a ter coragem de sair da academia e apresentar os nossos trabalhos em locais públicos. Em troca de algum dinheiro”, explicou Mabuata Deus responsável pelo Grupo Contorção de Angola.
À principio os seus companheiros resistiram ao convite, mas com o passar do tempo juntaram-se à iniciativa e decidiram também apresentar-se para além da academia em locais públicos, festas e eventos.

Desalento da família

Por detrás de todo o sucesso que o grupo foi conquistando durante os primeiros meses em Luanda, havia uma certa apatia, porquanto no seio dos seus familiares as coisas não corriam às mil maravilhas.
O facto de terem saído da sua terra natal, sem autorização dos pais, o sucesso conquistado em Luanda parecia não ser completo.
“Sentíamos a necessidade estar bem com os nossos familiares”, disse.
A maior pressão era por parte da família Bungue, pelo que haviam “perdido” três membros o Luís, Israel e o Estêvão Bungue. Desapontados os familiares pediam-lhes diariamente que regressassem a Cabinda.
“Os primeiros meses foram de muita pressão por parte dos nossos familiares, pelo que tudo faziam para que voltássemos à nossa terra natal”, explicou
Apesar da insatisfação dos familiares, os integrantes do grupo Contorção de Angola resistiram e tudo fizeram para se manter em Luanda
 “Foi difícil resistirmos, mas a dedicação que sentimos pela arte que praticamos foi mais forte e fez com que persistíssemos”, disse Israel.
Passados dois anos após a viagem a Luanda, a relação entre o grupo e os familiares em Cabinda voltou a estabilizar, pelo que “conformaram-se que nada nem ninguém conseguirá desviar o grupo do seu principal objectivo: expandir a Contorção de Angola, à nível nacional”, concluiu. 
Waldney Oliveira

 


Reunião da CPLP em Lisboa

A 12ª Reunião dos Pontos Focais de Cooperação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) começa hoje, em Lisboa, sob a coordenação da representante de Angola, a embaixadora Isabel Godinho.
A reunião congrega as unidades responsáveis nos Estados-membros pela cooperação no âmbito da CPLP, e os trabalhos, que terminam quarta-feira e decorrem na sede da comunidade, contam com a presença de delegações de todos os países que a integram.
O encontro vai ser marcado pela assinatura de um protocolo de cooperação do projecto de apoio ao desenvolvimento da produção de artesanato em São Tomé e Príncipe, Fases I e II.
  Jornal de Angola
A reunião é coordenada pelo representante do Estado-membro que detém a Presidência da Comunidade e o Acordo Geral de Cooperação estabelece que “os Estados-membros designem um ponto focal como órgão coordenador nacional de programas e projectos a serem desenvolvidos” no seu âmbito.
Compete à Reunião dos Pontos Focais de Cooperação, como órgão da CPLP, assessorar as demais estruturas da comunidade em todos os assuntos relativos à cooperação para o desenvolvimento. A reunião ordinária acontece duas vezes por ano e, extraordinariamente, quando solicitada por dois terços dos Estados-membros. Angola assumiu em Julho do ano passado a presidência rotativa da organização, por um período de dois anos, com inúmeros desafios por enfrentar. Entre os desafios, destaque para o estatuto do cidadão lusófono, a revisão da carta magna da comunidade e o acordo ortográfico, este último já em implementação em todos os países, a excepção de Angola e Moçambique. Analistas políticos consideram que Angola pode desempenhar um papel preponderante no fluxo dos cidadãos dos países membros da comunidade, nos quais a supressão de vistos é um dos pontos mais candentes, carecendo de acertos diplomáticos de acordo com os interesses de cada país membro.
Analistas consideram que ao assumir a presidência da organização, Angola demonstra a sua disposição em contribuir para que a CPLP seja mais actuante e activa, no contexto internacional.


“Castle” Compra Fábrica “Cuca”

A fábrica “Cuca” de Luanda e a Unidade de Produção Kuito foram privatizadas, no quadro do processo de privatizações de unidades públicas aprovado pelo Executivo. Foram signatários das escrituras de compra e venda os responsáveis das duas empresas privadas e o presidente do Instituto para o Sector Empresarial Público (ISEP), Henda Inglês. A fábrica “Cuca” foi comprada pela empresa Castle.
O presidente do ISEP revelou estarem em curso 43 processos de privatização avançados à espera da realização da assinatura de outorga das escrituras de compra e venda
. Jornal de Angola
Henda Inglês considerou a concretização da assinatura de venda um passo significativo, mas sublinhou que ainda é muito baixo para o nível de privatização que se quer alcançar.
“De 2001 a 2005, tínhamos 93 empresas para privatizar. Neste momento estão preparados 43 processos, mas ainda consideramos a taxa muito reduzida”, afirmou Henda Inglês.
O administrador delegado do grupo Castle, Philippe Frederic, informou que o processo de gestão da cervejeira Cuca teve início em 1994 e o contrato de privatização começou em 2006. “Desde que assumimos a gestão da fábrica, a produção, que se fixava a 200 mil hectolitros por ano, passou para 300 mil hectolitros por ano e durante este ano foram investidos cerca de 200 milhões de dólares”, precisou.
Philippe Frederic garantiu que a fábrica beneficia de uma tecnologia avançada, com máquinas de enchimento com capacidade de 50 mil garrafas por hora e acrescentou que a empresa, que em 1994 tinha apenas 500 trabalhadores, hoje tem 1.600 trabalhadores.
A fábrica de cerveja Cuca, além de Luanda, está implantada no Lobito. No ano passado foi inaugurada uma nova linha de enchimento da cerveja Cuca na Companhia de Bebidas do Bom Jesus (Cobeje). A linha de produção está avaliada em cerca de 30 milhões de dólares com capacidade para 145 mil hectolitros de cerveja por mês, contra os 110 mil hectolitros anteriores. A linha de produção tem os últimos modelos de equipamentos tecnológicos da indústria cervejeira mundial. Os vasilhames, reformáveis ou descartáveis, são fornecidos pela VIDRUL.
A Companhia União de Cervejas de Angola (Cuca) está localizada no município do Cazenga e foi fundada a 26 de Abril de 1952 por Manuel Vinhas. Produziu as cervejas “Cuca”, “Cuca Especial”, “Skol”, “Sagres” e “Cuca Preta”.
Com a actual gerência do Grupo Castel, a empresa começou a registar uma gradual subida da produção anual, devido aos factores de estabilidade e facilidade de aquisição dos bens de produção e fornecimento regular de água e energia eléctrica.
O objectivo principal da Cuca é satisfazer o mercado nacional e atingir os mais variados recantos de consumo nacional. O grupo Castle pretende investir na construção de novas fabricas em áreas estratégicas.


Luta Contra a Pobreza em Quibaxe

O município de Quibaxe, na província do Bengo, é uma referência na produção de café, uma das principais culturas da região. O desafio das autoridades para este ano é o combate à pobreza, disse Kito Domingos Fula, administrador municipal.
Dembos Quibaxe, como também é conhecido, tem quatro comunas: a sede, Coxi, Paredes e Piri, numa extensão de 1.444 quilómetros quadrados e 18.546 habitantes. No início do ano arrancou um programa municipal integrado de desenvolvimento rural e combate à pobreza.
Jornal de Angola
“ Temos para Quibaxe um pacote de projectos sociais e vamos empenhar-nos a fundo para a sua materialização. Água, saúde e educação estão na primeira linha de conta. Temos o plano de aquisição de dois geradores, um de 100 KVA e outro de 60, para a estação de captação e tratamento de água. Com isto vamos melhorar a rede de extensão e tratamento, construir chafarizes, lavandarias e balneários”, garantiu à nossa reportagem o administrador municipal.
O município de Quibaxe beneficia também do Programa “Água para Todos”, um projecto de âmbito nacional, em execução.
No sector da Saúde as autoridades locais vão construir instalações junto ao Hospital Regional para acomodar as famílias dos doentes: “temos ainda o programa de educação sobre doenças transmissíveis nas aldeias e a formação de 60 agentes sanitários e 100 parteiras tradicionais”, disse o administrador Kito Domingos Fula.
O Executivo disponibilizou fundos para os programas de saúde em Quibaxe que foram aplicados “na aquisição de três ambulâncias para evacuação de doentes, reabilitação de infra-estruturas, recuperação de meios de transporte e abastecimento em medicamentos”, afirma Kito Domingos Fula.
Quibaxe tem um hospital regional, três centros de saúde e seis postos médicos. O pessoal clínico e de apoio, segundo Kito Domingos Fula, é exíguo, pois conta somente com quatro médicos, um técnico superior, 18 técnicos médios, 60 básicos e pessoal de apoio. “No saneamento básico o pacote prevê a aquisição de um damper, contentores de lixo, carros de recolha, carros de mão, vassouras e pás”.No sector da educação o município conta com o ensino do primeiro nível, primeiro e segundo ciclos de ensino. Em 2010, foram matriculados 2.151 alunos, dos quais 1.292 aprovados e 529 desistências, sobretudo meninas grávidas e alunos que vivem distante das escolas.
O sector conta com 321 professores: “o presente ano lectivo arrancou com 6.437 alunos, sendo 4.305 regulares e 1932 no ensino de adultos”, disse Kito Domingos Fula.
O programa de alfabetização tem muitos aderentes. De 1.816 inscritos chegaram ao fim 1.118 e ficaram aprovados 727. Quibaxe, conforme informação do administrador municipal, tem ainda um centro de formação profissional no Piri, para serralheiros, pedreiros, carpinteiros e informáticos.


Sector da agricultura

O município de Kibaxi tem um potencial agrícola de invejar. A mandioca, a banana, o milho, ginguba, batata-doce e feijão são produzidos em grandes quantidades suficientes para a alimentação da população local e para abastecer diversos mercados.
No ano passado, a população camponesa preparou manualmente 9.976 hectares de terras para sementeira. Tudo fruto do empenho de 28 associações de 1.334 camponeses e nove cooperativas com 361 membros. Os pequenos agricultores são os mais fortes, os que mais produzem.
Para o corrente ano, vai arrancar uma experiência piloto para o repovoamento do gado caprino, com 200 cabeças, nas aldeias de Ki Menga, no Koxi e Kipalo. A produção de mandioca foi prejudicada pelas chuvas irregulares. Quanto à produção da banana na região dos Dembos é uma fonte importante de rendimento. “Temos alguns problemas no que toca ao escoamento de produtos. As vias que ligam Kimuenga, Ngombe de Quibaxe, Piri antigo, Ngombe do Piri, carecem de intervenção para que possamos usufruir da sua produção agrícola”, disse Kito Domingos Fula.
O sector privado também dá o seu contributo ao desenvolvimento da agricultura em Quibaxe. “Temos registadas 154 fazendas de café, mas apenas oito produziram, o que é uma gota de água no oceano. O café jogou um papel importante no passado, pois com os seus rendimentos foi possível construir vilas e cidades em toda a Angola e era a base de rendimento dos Dembos”, assegura Kito Domingos Fula.
“Os fazendeiros têm vontade de produzir. Em 2010, 18 fazendeiros criaram um viveiro com 8800 plantas de café. Mas a colheita foi aquém das expectativas. Só conseguimos 157 sacos e isto para nós são números insignificantes”, referiu o administrador de Kibaxi.

Energia de geradores

O município de Kibaxi é abastecido de energia eléctrica com um sistema de geradores. “Temos instalado o sistema de energia pública que abastece a sede e bairros vizinhos. Temos energia das seis às 23 horas, o que permite o ensino nocturno. A nossa central é impotente, mas a sua manutenção é irregular e consomem 225 litros de gasóleo por hora”, disse Kito Domingos Fula.
Este ano está prevista a reabilitação e ampliação da linha de energia de Quibaxe à Aldeia da Missão e a aquisição de mais um gerador de 500 KVA. Esta é a solução enquanto se aguarda pela conclusão da linha de alta tensão a partir das Mabubas, para abastecer o município com energia de rede”, disse o administrador.


Estrada e turismo

Paisagens bonitas, verdejantes, com montes e montanhas cercam o município de Kibaxi. Mas esta riqueza é pouco apreciada “porque os empresários da área do turismo ainda não descobriram a beleza deste lugar. Precisamos de investidores para podermos caminhar e aproveitar as potencialidades que Quibaxe tem para oferecer”, disse Kito Domingos Fula.
Mas o município também precisa de melhorar a sua rede viária, condição essencial para que os turistas frequentem a região.
Os telefones funcionam em Quibaxe: “daqui podemos falar para qualquer parte do mundo. Temos dificuldades na escuta da Rádio Nacional de Angola e para ver a TPA porque aqui chove muito, há relâmpagos e perdemos o sinal”, lembra o administrador municipal.
Kibaxi tem falta de quadros técnicos. Kito Domingos Fula refere que “os Dembos têm dificuldades a nível municipal e comunal. Está prevista a realização de um concurso público para resolvermos o problema da carência de quadros. Temos muitos jovens formados mas não têm empregos.
Temos que promover o primeiro emprego. É necessário que as empresas se instalem aqui”.
Nos Dembos há 360 jovens que transitaram do ensino médio para o superior. Mas no município não podem estudar, o que provoca uma fuga de quadros.
Os jovens que partem para prosseguir os estudos, dificilmente regressam.
Guimarães Silva e Alfredo Ferreira


Os Anos 60

por Mirian Fávaro
“A Terra é azul!”, disse Yuri Gagarin, o cosmonauta russo, primeiro homem a

olhá-la do espaço, em 1961. E assim acrescentou mais uma cor ao imaginário de milhares de jovens de um planeta que, visto do chão, parecia ser apenas branco e preto. Lugar onde não havia espaço para nuances. Um mundo maniqueísta, no qual ou você era comunista e comia criancinhas (sem qualquer conotação sexual) ou era capitalista e defendia a democracia e o liberalismo. Era moça de família ou pervertida, rapaz bem-comportado ou rebelde, heterossexual ou degenerado, roqueiro ou músico de verdade e assim por diante.


A frase de Gagarin ajudou a instigar a cabeça dos jovens que, no início da década de 60, sonhavam com um mundo novo, bem diferente daquele que tinham herdado. E que demonstraram isso através de uma rebeldia ainda ingênua, inspirada pelo rock dos bem-comportados Beatles em início de carreira. Mas que com o correr do tempo perceberam que as mudanças não eram tão iminentes ou simples assim.

O álbum “Sgt. Pepper’s Lonnely Hearts Club Band”, dos Beatles

Mal começou a década de 60 e a Guerra Fria só se intensificou, com o estabelecimento de uma espécie de “equilíbrio do terror” entre o bloco comunista e o capitalista. O maior símbolo físico e ideológico da divisão política entre o comunismo e o capitalismo foi a construção do Muro de Berlim em 1961. E as coisas continuaram a piorar. O jovem e carismático presidente americano, John Fitzgerald Kennedy, que inflamava multidões com seus discursos sobre um mundo próspero e melhor, foi assassinado em 1963. Dois anos depois, os Estados Unidos enviaram tropas para a Guerra do Vietnã a fim de evitar o avanço comunista. Intervenção que, com o tempo, revelou-se desastrosa.

Martin Luther King Jr e outros líderes políticos

Acontecimentos que fizeram os jovens adotarem uma postura bem menos romântica e inocente na segunda metade da década. Surgiu assim, em 1967, na Califórnia, a contracultura hippie. Uma revolução que tinha como lema a paz e o amor a serem conquistados através de muito sexo, drogas e rock’n’roll. Manifestação que logo ganhou a adesão de jovens de todo o mundo e se somou aos protestos estudantis de maio de 1968, na Europa. Eventos que trouxeram, pela primeira vez, a juventude para o palco central da história. E apesar de várias bandeiras políticas erguidas pelos jovens daquela época não terem sido conquistadas (como o fim das guerras, do racismo, do capitalismo, do imperialismo, do preconceito contra homossexuais, entre outras coisas), os efeitos daquela revolução comportamental e cultural foram inegáveis.

O capitão Kirk (William Shatner) na série televisiva “Guerra nas Estrelas”

Muita coisa mudou na moda, na pintura, no cinema, na música, na forma de encarar a sexualidade, no relacionamento humano, nas questões de diversidade racial, entre inúmeros outros territórios. Definitivamente, depois dos anos 60, o mundo se tornou muito mais colorido.
…………………………..Continue Lendo

Do Blogue Como Tudo Funciona