Está em Extinção a Arte de Alfaiate



A profissão de alfaiate sempre foi exercida por mestres idóneos que executavam obras com perfeição porque o mercado dispunha de material apropriado como máquinas de costura, agulhas, tesouras linhas de qualidade, botões. Os clientes procuravam o mestre ideal para a confecção de uma peça de vestuário que prendia a atenção por ser bonita e bem confeccionada.

Os alfaiates eram profissionais respeitados no meio onde residiam. Muitos criavam alfaiatarias onde os clientes afluíam para estarem vestidos sempre segundo o último grito da moda.
No populoso bairro do Chingo, arredores da cidade do Sumbe, está localizado o principal mercado informal, conhecido por “mercado da feira” onde se vende tudo e há muitas barracas especializadas na venda de roupa usada. Os clientes aproveitam para comprar a preços baixos peças de roupa que se fossem compradas a um alfaiate eram muito mais caras.

Profissão de alfaiate está a perder o valor

Manuel Eduardo Panguila, de 67 anos disse ao Jornal de Angola que exerce a profissão de alfaiate desde 1961 e é considerado no Sumbe o alfaiate mais antigo. A sua casa noutros tempos registou muita afluência de clientes devido à perfeição das obras que executa. O mestre não tinha mãos a medir e muitos clientes ficam pacientemente à espera da sua vez porque queriam uma peça de roupa confeccionada com cuidado e gosto.
O mestre Panguila disse que no passado granjeou respeito junto da sociedade e tinha entre os seus clientes entidades públicas, funcionários, famílias inteiras. No tempo das calças “ boca-de-sino” centenas de jovens procuravam a sua alfaiataria porque em Angola ninguém confeccionava aquele modelo como ele. Na época das calças “cintura baixa” a juventude do Sumbe desfilou pela sua loja para lhe encomendar peças bem recortadas e bem confeccionadas.
No tempo colonial, cada comerciante tinha um alfaiate que confeccionava calças, camisas, quimonos e outras peças com o tecido adquirido na loja. Mas nos tempos que correm isso acabou. Os balões de roupa usada, outrora chamados “fardos”, invadiram o mercado e os mestres alfaiates ficaram sem trabalho.
Mestre Panguila assegurou que actualmente ser alfaiate é difícil, porque o que se ganha mal chega para a alimentação da família, visto que a maioria da população prefere usar peças pronto-a-vestir e roupa de fardo.
A alternativa é arranjar roupa. “Às vezes vem um cliente que me encomenda um fato para homem ou senhora. Por cada fato cobro dez mil kwanzas.

Batas e aventais

Emília Manico, portadora de deficiência física em serviço no centro da terceira idade do Sumbe, exerce desde 1978 a profissão de modista e antigamente fazia batas para os utentes do centro infantil, trabalhadores de diferentes instituições, toalhas, cortinas, aventais e outros trabalhos.
Alfaiates e modistas do Sumbe trabalham bem, são mesmo mestres, artistas de verdade, mas estão em vias de extinção porque têm poucos clientes. O pouco que ganham vem de pequenos arranjos e raramente aparece alguém a encomendar um fato, um vestido ou uma camisa de corte à italiana. As confecções industriais mataram o estilo exclusivo das modistas e dos alfaiates.
“Todos os dias são injectados no mercado mais balões de roupa usada. O fardo está mesmo a matar a nossa profissão. Hoje já é uma arte pouco rentável porque os clientes preferem adquirir roupa pronto-a-vestir e de fardo”, disse Emília Manico.
Amélia Cassova, uma das clientes assíduas do “mercado da feira” disse que prefere comprar roupa de fardo porque as peças das boutiques são muito caras e nem sequer têm mais qualidade.
Na ronda efectuada pelos os alfaiates e costureiras do Sumbe, todos apontam como principais dificuldades a falta de máquinas de costura, linhas de qualidade e agulhas. Sem bons materiais é impossível fazer uma obra perfeita de alfaiataria.

Sapateiros sem obras

À semelhança dos alfaiates e modistas, os profissionais de sapataria que se encontram nos mercados locais registam falta de clientes por causa das grandes quantidades de sapatos no mercado nacional. Hoje é possível encontrar em qualquer mercado um par de sapatos a preços mais baixos do que custa um remendo ou umas solas num par de sapatos usados.
Paulino Joaquim, desmobilizado, portador de deficiência física, disse que optou pela arte de sapateiro para não permanecer em casa “sem fazer nada”.
O seu dia-a-dia no mercado onde partilha a barraca com outros três companheiros, também desmobilizados, resume-se a pequenos arranjos do calçado dos clientes. Fazer sapatos à mão é a sua arte, mas Paulino Joaquim diz que “no mercado falta sola, cabedal, tacões, linhas e protectores, por essa razão tem registado poucos pedidos para confeccionar calçado à mão.
“Só fazemos pequenos arranjos no calçado, por isso os nossos rendimentos são muito baixos”, afirma Paulino Joaquim. Mas ficou satisfeito quando a Direcção Provincial de Assistência e Reinserção Social lhe ofereceu ferramentas e materiais para montar a sua oficina de sapateiro.

Jornal de Angola


Malange Tem Nova Rede de Energia Eléctrica


A construção, reabilitação e ampliação da nova rede de média e baixa tensão de energia eléctrica da cidade de Malange e arredores custou ao Executivo central um montante avaliado em 30,8 milhões de dólares norte-americanos.

O facto foi revelado no sábado, na cidade de Malange, pelo administrador executivo para a área de distribuição e comercialização da Empresa Nacional de Electricidade (ENE), Job Vilinga, durante a inauguração da rede urbana de média e baixa tensão e iluminação pública do casco urbano e parte da periferia de Malange.
O responsável precisou que o valor serviu igualmente para a ampliação da subestação da Capopa, cujos trabalhos se consubstanciaram no aumento da potência de cinco mega volts amperes (Mva), para dez Mva, colocação de transformadores, iluminação, entre outros equipamentos.
Com a inauguração da nova rede eléctrica de média e baixa tensão fica resolvido o problema das restrições de energia que se verificava no passado, uma vez que a rede antiga se encontrava obsoleta. “Temos uma rede segura e sã, que vai permitir que a energia chegue aos consumidores sem constrangimentos”, disse o administrador, realçando que o próximo passo consiste em continuar a expandir a rede eléctrica conforme a cidade vai crescendo.
Acrescentou que a empresa está já a pensar em investir na linha de transporte, com vista a aumentar a potência dos transformadores no início das linhas de transformação. Por seu turno, o director provincial da e mpresa nacional de el ectricidade (ENE), Manuel Bernardo, explicou que na zona urbana, a energia chega apenas às portinholas colocadas fora das residências, daí que cada cliente tenha a necessidade de comprar um cabo de três milímetros, para posteriormente os técnicos da empresa fazerem a ligação ao domicílio.
Revelou que já foram adquiridos sete mil contadores eléctricos, que em breve chegarão à província para posteriormente serem instalados nos edifícios.

Jornal de Angola


Começou Requalificação do Sambizanga


A zona da Marconi, comuna do Ngola Kiluanje, que vai albergar 9.300 pessoas no âmbito da requalificação do município do Sambizanga, começa a ser nivelada e compactada soube a Angop da administração municipal local.
O administrador municipal adjunto, Agostinho da Silva, disse que estão contemplados, numa primeira fase, 20 hectares de áreas disponíveis para a promoção de habitação social.

Consta igualmente do projecto, lançado oficialmente este mês pelo Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, a construção de escolas, creches, infra-estruturas comerciais e administrativas, postos de polícia, instalações médicas, desportivas e recreativas, arruamentos, redes eléctricas, de abastecimento de água e valas de drenagem de águas residuais.
Agostinho da Silva reafirmou que o principal objectivo da modernização urbana do município é melhorar as condições de habitabilidade, com a introdução de comunidades devidamente planeadas, com densidades apropriadas, respeitando os padrões urbanos e paisagísticos.
A requalificação do Sambizanga abrange as comunas Sambizanga, Bairro Operário e Ngola Kiluanje, foi elaborada em 2004, para melhorar as condições de vida dos moradores das áreas.

Jornal de Angola


Concertos de Variedades Promovidos Por Músicos Angolanos da Nova Geração

Trienal de Luanda tem criado espaço de actuação
musical para a nova geração
Fotografia: Santos Pedro


O Cine Nacional acolheu no passado sábado, um espectáculo musical que reuniu uma variedade de géneros musicais interpretados por artistas da nova geração com destaque para C4 Pedro, Júlio Gil, Hézio e Nádia Pimentel. Surpreso pela positiva com a novidade dos músicos em palco, o público vibrou com os diferentes géneros.

Do tradicional Semba ao samba, fado, rap, kuassa kuassa, à trova e finalmente ao gospel. Com a sala quase cheia, não fossem a enxurrada que nesse dia tentaram demover os fãs que entretanto se mantiveram fiéis ao espectáculo.
Segundo Agnela Barros formada em crítica de Teatro na especialidade de artes performativas, os eventos culturais actualmente passam a ter novas designações quando reunirem diferentes atractivos ou géneros musicais e de teatro.
Na prespectiva da mesma, passariam a chamar-se “espectáculos de entretenimento” ao invés da tradicional denominação de “espectáculos culturais” – pelo facto do primeiro ser mais abrangente e, ser igualmente a terminologia em uso nos países desenvolvidos, sem exclusão do aspecto cultural inerente a essas manifestações artísticas. Para o promotor musical Analtino Santos, da Associação dos Amigos do Reggae que realça a actuação de C4 Pedro, a noite foi agradável. Por seu turno, Júlio Gil intérprete de temas em kikongo com notória influência da música congolesa, fez dançar os presentes, lembrando ainda o género musical “Tata Nkembo” do saudoso Teta Lando. Já na recta final, o gospel fez-se ouvir pelos TDC que variaram, entre ritmos africanos e latino-americanos. No final o grupo Queima Roupa demonstrou que a música rap ainda guarda muitos fãs.
Em referência à cantora Nádia Pimentel, Núncia Kangue que pela primeira vez participa nas actividades da Trienal opina “ela interpreta muito bem artistas como o Paulo Flores” – para em conclusão admitir que “A Trienal de Luanda teve o mérito de descobrir jovens talentos e de motivar novos desafios”.

Francisco Pedro/Jornal de Angola


Novo Impulso no Combate á Malária


Um projecto comunitário para o combate à malária está a ser desenvolvido, no município de Caconda, 236 quilómetros a norte da cidade do Lubango, com vista a reduzir os índices de mortalidade.
O lançamento do projecto, que é uma iniciativa da Organização Não Governamental Africare, em parceria com a Administração Municipal, foi na quinta-feira, numa cerimónia que serviu para esclarecer os objectivos da intenção às autoridades tradicionais.

Para o êxito do projecto, autoridades tradicionais, líderes comunitários, quadros das administrações municipais e comunais e membros de igrejas estão a ser formados nos procedimentos de prevenção e tratamento da doença.
O projecto, que deve servir de modelo para os restantes municípios da província da Huíla, tem a duração de um ano e prevê a formação de técnicos e promotores de saúde em diagnóstico e tratamento da malária.
O coordenador do projecto, Wirsiy Peter, disse que a acção visa melhorar a situação sanitária das comunidades rurais no município, introduzindo um sistema de assistência sanitária básica com a participação dos utentes.
O projecto, que está orçado em 500 mil dólares, é financiado pela Esso Angola, informou o responsável da Afrocare e serve para aumentar o volume de informações relacionadas com o combate à malária no seio das comunidades rurais.
Nas acções de informação, sensibilização e mobilização, os activistas devem passar mensagens sobre a importância do uso do mosquiteiro impregnado com insecticida, lavar as mãos antes e depois de comer ou sair da retrete, combater o lixo e procurar imediatamente os serviços sanitários quando alguém sinta os principais sintomas e sinais da doença: febre, tosse, dores de cabeça e do corpo e gripe.
“Os técnicos de saúde têm um pacote especial de formação na área de combate à malária, administração dos medicamentos, análises laboratoriais, tratamento intermitente e assistência integrada a doenças da infância”, disse Wirsiy Peter.
O administrador municipal de Caconda, Adão César, agradeceu à ONG pela escolha da localidade que dirige para o lançamento do projecto, que considerou fundamental no combate à malária, uma enfermidade causadora de centenas de óbitos na zona.
O administrador garantiu que tudo vai ser feito para que os objectivos sejam alcançados no município. As autoridades tradicionais de Caconda também garantiram apoio ao projecto, principalmente nas acções de sensibilização das comunidades sobre as medidas preventivas contra a malária, disse o regedor local, José Amaro.
O regedor, que participou na formação inicial de voluntários, disse estar disponível para dar toda a colaboração na transmissão dos conhecimentos que adquiriu aos outros membros da comunidade.
José Amaro afirmou que o projecto chegou em boa hora, porque as populações têm poucas informações sobre as medidas preventivas e de combate às doenças, incluindo a malária.
O soba da comuna do Waba, Fernando Camute, vai ajudar a levar a mensagem às populações, na língua umbundu.

André Amaro/Jornal de Angola