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Cuango Tem a Imagem de Uma Aldeia em Ruínas


Com o fim da exploração artesanal e ilegal de diamantes, o Cuango, na Lunda Norte está a cair aos bocados como se costuma dizer na gíria. À excepção da venda da “pedra preciosa” oficializada pelas autoridades, a vila do Cuango denota faltar quase tudo um pouco para satisfazer as prementes necessidades das suas populações e dos viajantes que por aí escalam a caminho de outras localidades da província. A carência sente-se a partir da falta da água potável, energia eléctrica, saneamento básico, transportes públicos, locais de lazer e outros.
Cuango tem a imagem de uma aldeia em ruínas, cuja degradação está a acentuar-se a cada dia que passa.

Numa curta ronda feita por O PAÍS deu para perceber que esta pequena localidade que já teve tempos de glória há uns anos, por causa da extracção e venda ilegal dos diamantes está a sucumbir lentamente.

Para lá da pobreza que é visível no rosto da suas populações que viviam à base da comercialização de diamantes, hoje, por forças de circunstâncias, dedicam-se à pratica de agricultura de subsistência num solo aparentemente pouco arável, para a plantação de muitas culturas, o Cuango necessita de uma metamorfose para sair da letargia em que se encontra.

Para elucidar uma ideia de conjunto da inércia que caracteriza esta localidade, as ruas estão em ritmo acelerado de deterioração, reclamando intervenção urgente.

Se não houver a intervenção, a situação tende a piorar num curto espaço de tempo, numa altura em que as chuvas começam já a cair. Mas, segundo apurou este jornal de fonte próxima à Administração Municipal, nenhum plano director foi feito para resolver o problema da vila do Cuango e dos outros bairros periféricos que se encontram incrustados em montanhas que circundam este pobre burgo.

Tanto quanto soubemos de populares que falaram no anonimato, por temer eventuais represálias da Administração, dizem, viver no Cuango actual é um calvário se se recordar o que foi outrora esta região, que já foi uma das mais bem sucedidas na exploração dos diamantes que a província possui no seu vasto subsolo. Para os munícipes, a vida fica mais fácil em Cafunfu, uma das comunas deste município, onde é possível obter de tudo o que há na sede municipal.

Durante a nossa curta estadia no Cuango, constatámos a presença significativa de estrangeiros de origem oeste-africana, os mesmos que dominam o pequeno comércio através de cantinas espalhadas por alguns cantos desta velha vila.

Aportados há vários anos, alguns com mais de dez anos, em busca de melhores condições de vida, estes estão virados também para a venda de diamantes, embora hoje este negócio não tenha tanta saída como antes, por causa da crise financeira internacional.

Por imperativo da fraca comercialização dos diamantes, alguns destes optaram por fazer negócios diversificados numa concorrência desenfreada com os nativos que anteriormente tinham as opções somente viradas à exploração de diamantes na rica bacia hidrográfica do Cuango. A realidade actual é diferente, pois tradicionalmente o cidadão lunda dedica-se mais aos diamantes do que propriamente a agricultura ou pecuária.

Crianças fora do sistema de ensino

Ao longo do percurso Luanda-Cuango, passando por Dondo, Ndalatando, Lucala, Malanje, Caculama, XáMuteba, a bordo de um turismo de marca kia, percorrendo mais de 700 quilómetros, foi notória, a partir deste último município, várias crianças em idade escolar a deambular de um lugar para outro, nas horas normais de expediente. Em conversa com O PAÍS justificaram que a falta de professores nas suas áreas de residência faz com que ficassem sem aprender o Abc, e a situação já persiste há muitos anos. A vontade não lhes falta para frequentarem à escola, mas o corpo docente não está presente, alega falta de condições de trabalho que consistem num bom salário, residência e outras regalias sociais, segundo conversa mantida com Mateus Capembe, 15 anos, quando este aguardava por uma viatura que o transportasse de Xá-Muteba para Cafunfu. Aliás, aqui a circulação de pessoas e bens é ainda tímida, não é que haja impedimento, mas não existem transportes públicos.

Para se deslocar de um lugar para o outro, os munícipes fazem-no de táxis privados, ou seja, os famosos candongueiros que cobram mil e quinhentos Kwanzas por passageiro que pretenda sair do Cuango a Cafunfu e daí para Xá Muteba. Do Cuango a Luanda, a viagem custa cem dólares americanos, ou o equivalente em Kwanzas e pode gastar oito horas, dependendo da marcha do condutor.

Allioune, um jovem de 32 anos, é um dos muitos motoristas que por semana faz duas a três viagens a capital do país, e diz que não obstante ser enfadonho, o percurso é mais rentável do que fazer as rotas no interior da província. “ Prefiro fazer CuangoLuanda e vice-versa porque é mais rentável do que ficar aqui todos os dias, porque nem sempre fazemos o mesmo montante”, revelou.

Ravinas

Um outro problema que está a enfrentar esta região é a existência grandes de quantidades de ravinas derivadas das escavações deixadas a céu aberto nas principais zonas de produção de diamantes e até do garimpo, durante o período de guerra e mesmo no pós-guerra. São notórias quase um pouco em toda a extensão do Cuango, ou da Lunda Norte, de um modo geral. Contam-se aos milhares, e segundo populares o alastramento das mesmas vai de mal a pior, e algumas estão a atingir perímetros de lavoura.

Segundo apurou este jornal, nenhum programa foi traçado por quem de direito para conter este perigo que continua a inquietar a população, que, para além das suas lavras, as vias de comunicação secundárias e terciárias estão a ser também carcomidas por estas densas valas. Fala-se em pequenas aldeias que estão sob risco permanente de serem afectadas, se não houver uma intervenção para conter a fúria destas barrocas.

Populares contactados por este jornal dizem que a situação é antiga, o que tem sido feito até agora são serviços paliativos para conter as investidas destas, mas sem sucesso, porque requerem uma intervenção mais séria, sobretudo nesta época chuvosa em que as quedas pluviométricas se abatem com intensidade em toda Lunda. A contenção do alastramento das ravinas não tem sido bem sucedida por falta de meios próprios e capazes para resolver a situação.

A realização da promessa das autoridades de estancar este mal continua a ser aguardada, há já algum tempo, ainda na época em que o governador era Gomes Maiato. Mas, apesar da sua substituição por Ernesto Muangala tudo continua na mesma, o que tem estado a criar um mal-estar entre os milhares de cidadãos que clamam por uma ajuda de emergência.

Revelaram que as autoridades só se preocupam quando acontece o pior, mas quanto à prevenção parecem menos interessados.

Imigração ilegal

Apesar dos esforços dos Serviços de Migração e Estrangeiros (SME) terem a situação controlada, dos estrangeiros na região, o nosso jornal apurou que o número de ilegais tende a aumentar, a maior parte que vem entra sorrateiramente com a conivência de alguns populares a troco de um valor monetário que a nossa fonte não revelou. Reforçou que a entrada é feita geralmente na calada da noite. Entre os ilegais que volta e meia conseguem legalizar-se clandestinamente com o pagamento de um valor que varia entre os cinco mil dólares em diante, são cidadãos de nacionalidades maliana, congolesa, senegalesa e mauritaniana, sendo esta em menor escala. Embora aportem em menor número, segundo apurou O PAÍS a tendência da maioria é atingir Luanda, mas alguns encontram dificuldades na via para chegarem a capital do país.

Por causa da extensa fronteira que o nosso país partilha com a República Democrática do Congo (RDC), a cobertura total não é possível aliada à questão material e humana, segundo revelou a nossa fonte, um antigo quadro das extintas Tropas de Guarda Fronteira de Angola (TGFA), hoje transformada em Polícia de Guarda Fronteira. Especialista em serviços de migração e fronteira, a fonte realçou que a situação da fronteiriça não será resolvida tão cedo, se não houver mais meios humanos e materiais, porque não tem sido fácil recrutar homens para reforçar está área, por se tratar de uma especialidade de aquartelamento permanente. Os poucos que aderem são cidadãos recrutados geralmente nas mesmas áreas em que vão trabalhar.

A fonte reforçou que “o trabalho da polícia fronteiriça requer muito sacrifício, empenho e dedicação e não é qualquer indivíduo que aceita abandonar, por exemplo, a capital duma província e ir trabalhar num local que dista 500 quilómetros da sua residência, deixando a mulher, os filhos, os amigos e o resto”. Avançou que na medida em que se vai recrutando novo pessoal, a situação tenderá melhorar para conter a imigração ilegal, opinando que deva haver a colaboração de todos ao invés de ajudar a entrada.

Contra todas as expectativas, a nossa fonte deplorou que em vez dos populares denunciarem os imigrantes ilegais, ajudam-no a entrar, o que prejudica todo um trabalho que tem sido feito por aqueles que têm a missão de proteger as fronteiras do nosso país. “ Infelizmente alguns populares não denunciam, mas ajudam a colaborar na entrada ilegal de estrangeiros e alguns deles com tendências maléficas”, concluiu.

Jornal O País


Na Huila Projecto Habitacional Vai Criar 6 Mil Postos de Trabalho


O projecto habitacional “Casa Fácil”, apresentado no sábado, na província da Huíla, vai proporcionar seis mil postos de trabalho.
Segundo o seu promotor, Baptista Tchiloia, o projecto vai ser implementado nas províncias de Luanda, Cabinda, Benguela, Huambo, Namibe, Kuando-Kubango e Cunene, devendo ser entregue uma média de mil casas a cada 90 dias.


De acordo com o mesmo responsável, o projecto propõe a construção de casas, oferecendo aos candidatos oportunidades de decisão da tipologia e modelos para as próprias moradias, de acordo com as suas disponibilidades financeiras.

Em seu entender, a capacidade tecnológica e de construção dos parceiros deve constituir um potencial capaz de facultar a projecção, urbanização e edificação de obras de grande dimensão, passíveis de contribuir para o Programa Nacional de Habitação.

“O interesse manifestado pelos funcionários e a desburocratização dos métodos de participação, previstos na lei de bases do fomento habitacional, encorajam os intervenientes no projecto”, acrescentou a fonte.

A Casa Fácil inscreveu, em quatro dias de promoção, mais de 190 candidatos, entre os quais funcionários públicos, efectivos das Forças Armadas, da Polícia Nacional, bancários e antigos combatentes.

Jornal de Angola


Teta Lando Vai Ser Recordado Por Fãs

O programa Muzongué da Tradição de Outubro, que se realiza, no domingo, em Luanda, no Centro Cultural e Recreativo Kilamba, vai homenagear Teta Lando.
“Recordar Teta Lando é o nosso objectivo. Vamos fazer com que o público possa passar algumas horas ouvindo o que de melhor existe no repertório de Teta Lando, um dos melhores intérpretes do país”, disse, à Angop, o gestor do espaço, Estêvão Costa.
Os temas vão ser interpretados por Teta Lágrimas, irmão do homenageado, Carlos Lamartine e Augusto Chacaia, acompanhados pela Banda Movimento.
Teta Lando, natural de Mbanza Congo, compôs a primeira canção em kimbundo, “Kinguibanza”, em 1964. A partir de 2006, até praticamente à morte, foi presidente da União Nacional dos Artistas e Compositores.
O Muzongué da Tradição é um programa que se realiza no primeiro domingo de cada mês.

Jornal de Angola


Pacientes “Congelados” Para Realizar Cirurgia Cardíaca


Médicos nos Estados Unidos estão a usar uma técnica revolucionária que congela os pacientes até um grau em que podem ser considerados mortos, para depois os submeter a cirurgias cardíacas complicadas.
A técnica, usada no Hospital New Haven da Universidade de Yale, em Connecticut, induz a hipotermia, reduzindo a temperatura do corpo do paciente dos 37 ºC normais para apenas 18 ºC.

“O corpo fica em real estado de animação suspensa, sem pulso, sem pressão, sem sinais de actividade cerebral”, explica o médico John Elefteriades.
A baixa temperatura do corpo permite que os cirurgiões tenham tempo para realizar a operação reduzindo o risco de danos cerebrais e outros órgãos e diminuindo a necessidade do uso de anestésicos e máquinas.
Após a operação, o corpo do paciente é lentamente aquecido e o seu coração estimulado com um desfibrilador.

Recuperação milagrosa

Em medicina, surgem frequentemente técnicas revolucionárias após acidentes. Há 11 anos, Anna Bagenholme, uma esquiadora de 29 anos, caiu dentro de um buraco no gelo, na Noruega e sobreviveu a uma paragem cardíaca de mais de três horas com a temperatura do corpo a 13,7 ºC. Esta foi a mais longa paragem cardíaca da história, e também a com temperatura mais baixa jamais registada.
Anna Bagenholme parecia morta, mas os médicos que a atenderam sabiam que o frio que originou a paragem do seu coração poderia ter preservado o seu cérebro e decidiram seguir com a reanimação, começando a aquecê-la le

Hipotermia como alternativa

Após algum tempo, o coração da esquiadora voltou a bater e, três semanas mais tarde, ela abriu os olhos pela primeira vez, dando início a uma recuperação lenta e gradual.
O facto de ela ter sobrevivido sem sequelas alterou o conceito de vida e morte e permitiu que os médicos tentassem manipular esse processo para salvar outros pacientes.
Em circunstâncias normais, quando há necessidade de parar o coração para a realização de uma cirurgia, os médicos usam uma máquina coração-pulmão para substituir as funções do órgão durante a operação. Mas, em alguns casos, o uso dessa máquina não é possível e a técnica de hipotermia é a prova de que é uma boa alternativa.

Jornal de Angola