Toyota Projecta Fábrica de Adubos em Angola

Foto:Pedro Miguel

O director executivo da Toyota Corporation disse, ontem, em Luanda, à Lusa, que a empresa projecta construir uma fábrica de adubos em Angola, avaliada em mais de mil milhões de dólares.
Takeshi Matsushita adiantou que está também prevista a venda de gás natural ao Japão e à Europa. O responsável da Toyota integra uma missão liderada pelo Banco do Japão para a Cooperação Internacional (JBIC), que se encontra em Luanda para estudar a possibilidade de empresas nipónicas investirem em Angola.


Takeshi Matsushita declarou que, para concretizar os investimentos, a Toyota conta com o apoio do JBIC, considerado um dos maiores bancos de cooperação ao nível mundial.
Fumio Hoshi, director do JBIC, referiu que a conclusão do Acordo de Promoção e Protecção Recíproca de Investimentos entre Angola e o Japão, em negociação desde Novembro de 2009, vai impulsionar a participação de companhias nipónicas no crescimento económico angolano.
A reabilitação da fábrica têxtil Textang II e a participação de empresas japonesas em projectos agrícolas e de telecomunicações, anunciou, estão na agenda de contactos com as autoridades angolanas. O JBIC, disse, aprovou uma estratégia de financiamento a empresas japonesas em África, com montantes não inferiores a 2,5 milhões de dólares e Angola está nas prioridades de negócios do banco. A delegação nipónica é constituída por 21 representantes de empresas, entre as quais a Toyota, Sumitomo Corporation, Mitsubishi, Toyo Engineering Corporation, Sojitz Corporation, Marubeni Corporation e Itochu Corporation. Angola e o Japão estabeleceram relações diplomáticas em 1976 e cooperam nos sectores dos transportes, obras públicas, saúde, desminagem e reinserção social.


Huila-Melhoramentos na Fenda da Tundavala

Foto:Arimateia Baptista

A imagem do centro turístico da Tundavala, na cidade do Lubango, está a ser melhorada pelo Governo Provincial da Huíla, com vista a atrair mais turistas nacionais e estrangeiros e arrecadar receitas para os cofres do Estado.
Os 20 quilómetros da estrada que liga o centro da cidade do Lubango à Tundavala vão ser asfaltados e no largo da fenda o chão é pavimentado com cubos de granito e ornamentado com plantas.

A asfaltagem começa no entroncamento entre o complexo da Nossa Senhora do Monte e zona da Casa Verde, passa pelo bairro da Mapunda, fábrica de cerveja Ngola, barragem da Tundavala e termina na fenda. A empreitada está orçada em 30 milhões de dólares, financiados pelo Governo Provincial da Huíla. O encarregado das obras, João Delgado, esclareceu que os trabalhos decorrem a bom ritmo e devem ficar concluídos em Agosto do próximo ano. Sublinhou que a obra contempla também a colocação de sinalização vertical e horizontal, instalação de equipamento de segurança e construção de passagens hidráulicas para preservação do tapete asfáltico, referiu
João Delgado explicou que a faixa de rodagem da estrada está ser ampliada de seis para nove metros, enquanto as bermas têm dois metros da largura.

Água da Tundavala

Água consumida pelos munícipes da cidade do Lubango, proveniente da fonte de captação da Tundavala, vai melhorar em qualidade e quantidade, na sequência das obras de reabilitação e modernização que a conduta de transporte está a beneficiar.
A empreiteira Omatapalo é responsável pela execução dos trabalhos que começaram segunda-feira, com a substituição da conduta antiga, com mais de 30 anos.
O director provincial das Águas na Huíla, Abel da Costa, disse que as obras vão permitir aumentar a capacidade de 100 para 200 litros por segundo e contemplar zonas onde a água não corre nas torneiras há muitos anos. Esta intervenção, sublinhou, vai permitir melhorar a fluidez, evitar desperdício na rede, melhorar a qualidade do produto, aumentar o número de consumidores de 500 mil para 700 mil. As fábricas da Coca-Cola e da cerveja, Ngola, quando terminarem as obras na conduta, vão poder consumir mais água e com melhor qualidade, referiu Abel da Costa.
O responsável provincial das Águas esclareceu que a empreitada está orçada em 2, 40 milhões de dólares dos quais 1, 5 foram comparticipados pela empresa Ngola.
O Governo Provincial da Huíla tem elaborado um plano director para o sector das águas orçado em 245 milhões de dólares que aguada pela aprovação do Conselho de Ministros, “mas enquanto isso não acontece vamos fazendo intervenções pontuais”, disse Abel da Costa.

 
Jornal de Angola/André Amaro

Colheita de Café no Negage


AngopCerca de 500 toneladas de café cereja poderão ser colhidas, até finais de Agosto, no município do Negage, pelos cafeicultores locais, disse hoje (sexta-feira), à Angop o chefe da sub-estação experimental de café, Eduardo Bunga.
Segundo informou, 300 toneladas de café cereja estão já expostos nos terreiros de cafeicultores, controlados pela sub – estação do Negage.
O responsável assegurou que a sub-estação experimental de café vai apoiar os cafeicultores na aquisição de sacos.
No município do Negage existem mais de 100 cafeicultores.


Mais Um Hotel No Kuito

Kuito – O município do Kuito, na província do Bié, conta a partir de hoje, sexta-feira, com mais uma unidade hoteleira, construída de raiz no bairro Nazaré, arredores da capital biena.O complexo denominado “Camarcos” comporta dezoito quartos do tipo suite totalmente apetrechados e climatizados, uma sala de informática com seis computadores conectados à internet, restaurante, boutique, salão de beleza, entre outras áreas.
Armando Calei Marcos, proprietário do empreendimento. Disse à Angop que o estabelecimento foi erguido por conta própria dando emprego a pelo menos trinta cidadãos nacionais na sua maioria jovens formados no ramo da hotelaria.
Contudo referiu que o número de trabalhadores ainda é insuficiente para responder a demanda, não tendo revelado os montantes financeiros empregues na obra.
Entretanto, o director em exercício da direcção provincial do comércio, Domingos Óscar, sublinhou a importância daquela unidade hoteleira para a província pois, segundo ele, vai contribuir no descongestionamento dos demais hotéis e pensões que o Kuito tem actualmente.

Por seu turno, o administrador do município do Kuito, José Américo Katchipaco, que inaugurou a referida infra-estrutura, enalteceu a iniciativa singular do proprietário.Apelou ainda aos restantes empresários entre locais e estrangeiros a não hesitarem em investir naquela parcela do país.

Angop


Deolinda Rodrigues e Martin Luther King


Deolinda Rodrigues entrou para a História de Angola como mártir da luta armada de libertação nacional. Mas até à sua morte ela foi uma combatente da liberdade, dirigente do movimento revolucionário angolano e uma activista incansável dos direitos humanos. Esteve sempre na primeira linha no terreno da luta ao lado dos seus camaradas angolanos e teve contactos com figuras de relevo mundial, como o grande líder negro da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos.

A grande líder revolucionária trocou correspondência com Martin Luther King no final dos anos 50, altura em que ele liderava no Alabama a luta contra a segregação racial e pelos direitos civis dos negros americanos. Na carta que a seguir publicamos, Luther King faz afirmações premonitórias. Sobretudo no que se refere à “vitória certa” dos angolanos, assim que tivessem um líder a quem seguir. Esse líder na altura da troca de correspondência estava preso. Era o jovem médico Agostinho Neto que apenas três anos depois guiou o povo angolano pelo “caminho das estrelas” até à liberdade e a independência nacional.
No dia 21 de Julho de 1959, da cidade de Montgmoery, no Alabama, Martin Luther King escrevia à heroína angolana:
Senhorita Deolinda Rodrigues
Muito lhe agradeço pela sua muito amável carta, de data recente. Li cada linha que me escreveu com grande interesse. É realmente encorajador saber do seu interesse na libertação do povo do seu país. Estou bastante contente em receber informação em primeira-mão sobre a situação em Angola. Tive notícias a partir de outras pessoas que vivem fora do país, mas não há nada melhor do que receber notícia em primeira-mão.
Parece que os portugueses são as pessoas mais lentas a largar mão das suas possessões em territórios estrangeiros. É lamentável que lhes falte a visão para se aperceberem do que está traçado para esses territórios. É sempre trágico ver um indivíduo ou uma nação tentando impedir ou parar uma irresistível onda.

Criar uma liderança

Não sei se posso dar-lhe alguma sugestão concreta sobre o que fazer na vossa particular situação, pois muitas vezes é necessário ver com os próprios olhos antes de poder dar uma resposta definitiva. Direi, contudo, que o primeiro passo para corrigir a situação é criar uma verdadeira liderança no seu País. Alguma entidade ou algumas poucas entidades devem posicionar-se como símbolos do vosso movimento para a independência.
Logo que tal símbolo seja encontrado não é difícil conseguir que as pessoas o sigam e quanto mais o opressor procurar deter e derrotar esse símbolo, tanto mais ele consolidará o movimento. Seria maravilhoso regressar ao seu país com esta ideia na mente A liberdade nunca é alcançada sem sofrimento e sacrifício. Só se conquista com trabalho persistente e incansáveis esforços de pessoas dedicadas.
A senhorita Deolinda Rodrigues deve também saber que aquilo que vem acontecendo noutros países de África terá inevitavelmente repercussões no seu país. Será impossível Angola permanecer em África, sem ser afectada por aquilo que acontece na Nigéria, no Quénia e na Rodésia (referia-se à Zâmbia, então chamada Rodésia do Norte). Portanto, a vossa verdadeira esperança reside no facto de que a independência será uma realidade em toda a África, dentro dos próximos anos.
Dirijo à senhorita Deolinda Rodrigues as minhas orações e os melhores votos de bênçãos de Deus, em tudo o que estiverem a fazer. Espero que os seus estudos continuem de maneira a serem frutíferos e compensadores.
Em encomenda separada envio-lhe um exemplar do meu livro “Stride Toward Freedom”. Queira aceitá-lo como oferta minha. Espero que lhe venha a ser útil este meu humilde trabalho.
Muito sinceramente, me subscrevo
Martin Luther King, Jr.

Visão política

O reverendo Martin Luther King revela nesta carta uma visão política fora do comum. Tudo o que afirmou a Deolinda Rodrigues, então ainda jovem estudante no exílio, aconteceu. As independências nas antigas colónias de África sucederam-se em alta velocidade e, na verdade, só ficaram para o fim as antigas colónias portuguesas, porque uma ditadura feroz se convenceu de que era possível travar a imparável onde de liberdade que varreu o continente africano.
– Esta carta de Martin Luther King a Deolinda Rodrigues foi “descoberta” por Loide Ana Santos e o embaixador Ismael Martins, que a fizeram chegar à família através do deputado Roberto de Almeida, vice-presidente do MPLA.

Jornal de Angola