Huila



Chibia




Calulo



Instituto à Descoberta de Talentos Infantis

Foto de maistora
Sentada ao piano, Nelma Lourenço, uma menina de 8 anos, ouve com atenção as recomendações do professor de música, sobre os passos que deve seguir para aprender a tocar no instrumento. Rapidamente se adaptou ao piano.
Nelma Lourenço confessou que sempre teve curiosidade em aprender a tocar um instrumento musical e que também foi a primeira vez que lhe foi dada a oportunidade de tocar num piano. O primeiro teste correu bem. Se não parar, disse um dos professores de música, “daqui a alguns anos estaremos em presença de mais um talento”. Para os cinco professores presentes no local, o mais importante é ensinar.
Igualmente surpreendido com o talento de Nelma Lourenço estava o seu pai. “É a primeira vez que a minha filha toca u piano, e por isso estou a pensar matriculá-la numa escola de música. Tenho de elogiar a iniciativa da organização”, disse o pai de Nelma Lourenço.
O coordenador do projecto e professor de história musical, David Canga, disse que o objectivo é despertar nas crianças o interesse pela música e acima de tudo fornecer as bases essenciais desta arte.
Segundo explicou, nem todas as escolas de ensino estatal ou privado dispõem no seu programa a disciplina de educação musical, mesmo as escolas que dão aulas de música não reúnem as condições de trabalho que existem na Academia de Música. Apesar da adesão em massa das crianças ao piano, também houve “alunos” para aprender guitarra e as técnicas de canto.
Lucas Massoxi, um menino de 11 anos, ganha energia na voz para responder “sim” quando lhe perguntam se pretende enveredar pela carreira musical. É apreciador incondicional de dois estilos musicais da terra: semba e kuduro. “Vim aqui porque quero aprender a tocar guitarra e cantar como Paulo Flores, Yuri da Cunha e Agre G”, salientou. Lucas Massoxi pegou na guitarra de seis cordas e em 10 minutos, mostrou a sua habilidade.
Na tenda de artes, no espaço de quatro dias passaram pelo teste de música 210 crianças e adolescentes.

Artes plásticas e teatro

Além de aprenderem música, na oficina de arte montada no “Jardim do Livro Infantil”, as crianças aplicaram-se também no aperfeiçoamento do desenho e da encenação.
António Muhongo tem 13 anos e disse que nos tempos livres se dedica a escrever histórias. Acrescenta ainda que, por enquanto, vai continuar a escrever sobre colegas e amigos mas gostava de escrever para teatro.
Marina Afonso, professora de artes plásticas há dois anos, não escondia a satisfação pela inovação que foi a inclusão da disciplina de desenho na feira. À sua volta existem desenhos de casas, animais, rostos de pessoas e frutas, criadas pelas crianças, que encantam pela perfeição. Marina Afonso garante que existe talento nato em muitas crianças que passaram pela tenda de arte. “São talentos que aparecem de vez em quando, por isso, temos de estar preparados para moldar esses talentos que volta e meia nos aparecem”.
Para ela, mais do que força de vontade, tudo depende da oportunidade que é dada às crianças.

Aposta na formação

David Canga diz que a organização do “Jardim do Livro Infantil” deve levar a iniciativa a outras áreas da cidade de Luanda e do país, para que qualquer criança sem excepção, possa também tomar contacto com a arte. Saber tocar um instrumento é condição fundamental para quem tenciona seguir com sucesso os passos da música, afirma o professor.
“A nossa missão aqui é orientar as crianças sobre os passos que devem seguir para aprender música”, disse.
David Canga que também é sub-director administrativo da Escola Nacional de Música, explicou que a instituição se dedica também ao ensino da dança e do teatro. A prioridade é dada aos alunos que têm a nona classe concluída. David Canga entende que a capacidade de resposta das instituições é insuficiente para responder às potencialidades das crianças.
David Canga diz que da parte dos pais tem encontrado receptividade e grande interesse no trabalho que desempenha. Aulas de canto, piano e guitarra têm sido motivo de constantes solicitações.

Novas instalações

Para relançar a formação artística e cultural, o director administrativo da Academia de Música de Luanda saudou a construção, na comuna do Camama, no município do Kilamba Kiaxi, de um Instituto Médio de Artes.
Construído pelo Ministério da Cultura com apoio dos principais parceiros, indicou que as previsões apontam que a estrutura fica concluída em 2011.
David Canga é professor de música há 15 anos e conhece como poucos as dificuldades que o sector vive. Por isso, não tem dúvida que a entrada em funcionamento do Instituto Médio de Artes, vai permitir o ingresso na escola de novos talentos. As actuais instalações estão longe de satisfazer a procura.
“O novo instituto promete relançar a arte no país, porque vai ter mais as especialidades, capacidade de albergar maior número de alunos, e tem ainda um internato”, afirmou.
As novas instalações do Instituto Médio de Artes já estão em construção.

Adalberto Ceita-Jornal de Angola


Os Construtores de Angola


A minha palavra de hoje só faz sentido porque têm surgido declarações que põem em causa uma evidência indiscutível: Angola está a ser construída e reconstruída pelos angolanos. São os angolanos e mais ninguém, os construtores da grande nação angolana. São os angolanos que têm a última palavra na construção das bases do futuro deste grande país.

Isto não invalida que precisemos de ajuda, de apoios, de solidariedade, de massa crítica, para levarmos a cabo uma construção forte que aguente os grandes desafios do presente e os que já despontam nos horizontes que desvendam o futuro. Ninguém está sozinho neste mundo globalizado. E todos conhecemos os desfechos trágicos dos que se fecharam nas suas fronteiras e ficaram orgulhosamente sós a definhar e submersos na inevitável mediocridade que o isolamento criou. Há sobretudo a memória da aventura que arrastou a humanidade para a chamada II Guerra Mundial. Foram nacionalismos exacerbados, que suportavam uma falsa supremacia e superioridade, que provocaram milhões de mortos e a destruição de muitos países.
A Palavra do Director
José Ribeiro – Jornal de Angola

Em Angola nunca fechámos as fronteiras a ninguém e sempre lutámos pelos nossos sonhos com apoios firmes de outros povos e organizações internacionais. Sem esses apoios solidários teria sido impossível o triunfo da luta armada de libertação nacional. Mas quem dirigiu a luta foram os angolanos. Sempre. Quem tomou as decisões estratégicas foi a sua vanguarda. Nunca os dirigentes de então temeram que outros ocupassem os seus lugares. Pelo contrário. Eles sabiam que a solidariedade internacional para com a nossa causa solidificou e reforçou a luta e a sua liderança.

Foi assim na declaração da independência nacional. E continuou a ser durante os longos anos de guerra. Fomos sempre nós que conduzimos o processo, enfrentámos as agressões, defendemos a soberania nacional e a integridade territorial. Fomos nós que construímos os alicerces do regime democrático e fizemos a paz.

A reconstrução nacional é obra dos angolanos e para os angolanos. Continuamos a ser nós os construtores da Angola que desejamos para os nossos filhos.

Estamos a construir um país onde a maior riqueza não é o petróleo ou os diamantes. A incomensurável riqueza de Angola, são as nossas crianças e são os nossos jovens. Somos dos países mais ricos do mundo porque temos uma população muito jovem. Mas para se ver essa riqueza, temos de construir muitas escolas primárias, secundárias e universidades. Temos de contratar os melhores especialistas do mundo para ensinarem nas universidades. E mesmo com esses especialistas, ensinando em todas as escolas do país, somos nós os construtores da cultura, do saber, da massa crítica, da ciência.

Temos de chamar os melhores médicos, os melhores arquitectos, os melhores engenheiros, os melhores cientistas, os melhores jornalistas, os melhores técnicos de todas as especialidades. E se o conseguirmos, seremos ainda melhores construtores de uma Angola ainda melhor e que no futuro será ainda maior.