Sete Igrejas Históricas de Luanda


Em 1575, Paulo Dias de Novais desembarcou na Ilha do Cabo, com 700 pessoas. O local estava habitado por uma população numerosa. A ilha era o único território ocupado pelos bakongo. Um ano depois da chegada, Paulo Dias de Novais decidiu fundar a vila de São Paulo de Loanda, na terra firme. O primeiro passo foi colocar a primeira pedra para a construção de uma igreja na “cidade alta”, onde é hoje o Museu das Forças Armadas (antiga fortaleza de São Miguel). Conheça sete igrejas históricas da capital.

1. Igreja da Nossa Senhora do Cabo

Fundada em 1575/1669 Quando Paulo Dias de Novais chegou à Ilha de Luanda, foi informado de que já havia uma pequena igreja, construída por comerciantes portugueses. Foi ali que assistiu à sua primeira Missa. Os portugueses chamavam aos habitantes da Ilha, “Axiluandas” (homens do mar), porque quando lhes perguntavam qual o seu ofício, respondiam em kikongo: “Uwanda”, que designava o seu trabalho específico com as redes de pesca. O nome Luanda deriva da associação entre“Lwanda”, o local mágico de práticas religiosas e o ritual “Wanga”.

A pequena igreja da Ilha foi dedicada à Nossa Senhora da Imaculada Concepção. Quando os lusitanos reconquistaram o território perdido aos holandeses, em 1648, foi erguida, no mesmo local, uma nova igreja, muito maior. As obras só terminaram em 1669. A igreja foi chamada de Nossa Senhora do Cabo.

2. Igreja de Nossa Senhora da Conceição

Fundada em 1583/1590 A primeira paróquia de Luanda foi dedicada à Nossa Senhora da Imaculada Concepção. Começou a ser construída em 1583, feita de lama, gesso, pilares de madeira e com um tecto de colmo. Em 1653, o padre da paróquia, sugeriu que se edificasse uma igreja mais digna. Assim se transformou essa igreja na Sé Catedral, algo que perdurou até 1818, data em que o honroso título de Sé passou para a Igreja do Convento de São José. Desta segunda igreja, construída em 1653, resta apenas uma torre, razão pela qual o local foi transformado, em 1881, no Observatório Meteorológico João Capelo.
3. Igreja da Misericórdia

Fundada em 1621/1624 A Rainha Leonor de Portugal ordenou que a construção da Igreja da Misericórdia e de um hospital para tratar doentes militares e civis decorresse de 1621 a 1624.

As obras tiveram lugar no sítio que hoje conhecemos como Cidade Alta e só terminaram em 1679. Depois de ter passado por um período de degradação, a igreja foi recentemente restaurada e é usada para eventos culturais.
4. Igreja de Jesus

Fundada em 1612/1636 Pensa-se que a Igreja de Jesus e o Colégio de Jesus nasceram em 1612. O então Governador Paulo Dias de Novais deu as terras aos padres jesuítas pelos serviços prestados. O local é a Praça da Feira, hoje chamado Largo do Palácio. Em 1620, a construção ainda estava inacabada. Mas como o Papa, em Roma, realizava a beatificação de São Inácio de Loyola (fundador dos Jesuítas) e de São Francisco Xavier (padre jesuíta e o primeiro grande missionário na Índia), os festejos foram realizados nessa igreja por terminar. O estilo é barroco e a igreja foi considerada na época “a estrutura mais grandiosa do hemisfério Sul”.

Com a ocupação holandesa em 1641, o colégio foi transformado em residência do governador e a igreja serviu de Parlamento e Conselho Governamental. Com a reconquista pelos portugueses em 1648, voltou a ser igreja. Em 1953, foi iniciada a reconstrução e, em 1958, foi reaberta. Em 1978, tornou-se na Sé Catedral da Arquidocese de Luanda.

5. Igreja de Nossa Senhora da Nazaré

Fundada em 1664/1965 A pequena igreja da Nossa Senhora da Nazaré foi construída em 1664, quase sobre a água. A fachada ficava em frente à baía e à Igreja da Nossa Senhora do Cabo.

O Governador André Vidal de Negreiros, um dos heróis da libertação do Brasil do jugo holandês, construiu a capela para agradecer a Deus ter sido salvo de um naufrágio, numa viagem do Brasil para Angola. A cabeça do Rei do Congo, Garcia II, capturado na batalha de Ambuíla, foi enterrada na Igreja da Nossa Senhora da Nazaré. Depois de uma Missa de Corpo Presente, na Igreja da Misericórdia, a cabeça do rei foi colocada num caixão e conduzida numa procissão solene à Igreja da Nazaré, onde foi enterrada. Em 1922 a Igreja foi considerada como monumento nacional. Trata-se de uma réplica da Nossa Senhora da Nazaré, uma pitoresca praia piscatória de Portugal, repleta de azulejos que contam histórias e milagres. No interior há uma imagem negra de Santa Ifigénia da Etiópia. Hoje é a Igreja da paróquia e um santuário. Foi restaurada recentemente.

6. Igreja da Nossa Senhora dos Remédios

Fundada em 1655/1679 Esta igreja foi construída para substituir as duas pequenas capelas que existiam no mesmo local: a do Espírito Santo e a do Corpo Santo. Nas ruínas dos dois edifícios, surgiu esta Igreja da Baixa, abençoada solenemente pelo Bispo Manuel da Natividade, em 1679. É daqui que partem as procissões solenes, na Festa do Corpo de Deus, para as principais ruas da cidade.

A igreja passou por uma fase de decadência: fechou em 1876 e, pouco depois, o telhado ruiu. As obras de restauro duraram até 1897. Aqui jazem os restos mortais do primeiro Arcebispo de Luanda e do último Bispo de Angola/Congo.

7. Igreja do Carmo

Fundada em 1660/1689 A Igreja pertence ao convento da Ordem das Carmelitas, reformada no final do século XVI por Santa Teresa e São João da Cruz. Os membros da Ordem das Carmelitas chegaram em 1659, e tiveram de se mudar, pouco depois, para uma zona de arredores da cidade (hoje Ingombota), onde adquiriram duas casas destinadas a servir de convento. As obras começaram em 1660 e só terminaram em 1689.

Como a igreja foi encomendada pela rainha, o exterior do edifício traz a sua coroa. No interior há uma escadaria larga, para que mulheres em vestidos compridos pudessem subir ao primeiro balcão. Em 1828, a igreja do Carmo ficou em ruínas. Foi restaurada e hoje é mantida por padres dominicanos, num ambiente de paz e silêncio.

*Este texto foi baseado nos apontamentos da Irmã Maria Amélia, traduzidos e adaptados por Géraldine Correia. Tais apontamentos foram gentilmente fornecidos pela autora e pelo Angola Field Group.

http://angolafieldgroup.wordpress.com/historic-tours.

A Irmã Maria Amélia, autora deste artigo, é uma freira franciscana que tem um doutoramento em Teologia pela Pontifical Georgian University de Roma e um Master’s Degree em Linguística e Línguas Modernas pela Universidada de Stanford. A Irmã Maria Amélia liderou recentemente uma visita histórica às igrejas mais antigas de Luanda, uma organização do Angola Field Group.

Jornal “O País”

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