Poetas Angolanos-Abreu Paxe

Abreu Castelo Vieira dos Paxe
Nasceu em 1969 no vale do Loge, município do Bembe província do Uíge, (Angola)
Licenciou-se no Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED), em Luanda, na especialidade de Língua Portuguesa. É docente de Literatura Angolana nesta mesma instituição.
É membro da União dos Escritores Angolanos (UEA)
Venceu o concurso Um Poema para África em 2000,
Foi animador do Cacimbo do Poeta na sua 3ª. edição, actividade organizada pela Alliance Française, por ocasião da dia da África.
Figura na Revista Internacional de Poesia “Dimensão n. 30 de 2000, na antologia dedicada à poesia contemporânea de Angola, editada em Uberaba, Brasil.
No Brasil, foi publicado nas revistas Dimensão (MG), Et Cetera (PR) e Comunità Italiana (RJ), Portugal, na antologia Os Rumos do Vento, (Câmara Municipal de Fundão).
Publicou:

A chave no repouso da porta (2003), que venceu o Prémio Literário António Jacinto.
O Vento fede de luz, Luanda: União dos Escritores Angolanos, 2007.

A câmara elemento da rasura

transmudar o monólogo obscuro emagrece
o tempo contrária plenitude imperfeita cai azeda palavra
há sempre limites para o exílio de textura vertical
penumbra os ângulos auroras de meia superfície
molham a relva tarde os papéis brancos infernos
ainda um corpo imperativa bainha defeito lençol
nascimentos esquecimentos descobrimentos
de rima relvado
poema fumaça da água viva conjunção os escombros
mastigado avesso árvores plana geometria parada
lança rasura a transparência devolve a montanha outra lavra

Abreu Paxe, in A CHAVE NO REPOUSO DA PORTA
Luanda: INIC, 2003. Colecção A Letra 29 Prémio Literário António Jacinto, 2003

O limão fruto do mês

no tópico a penumbra limita o céu
a deus a mesma paragem
passa em liberdade suave textura
a mulher tarde horizontal
de estrutura espessa o género substantiva camada
passa a boca espalhada pelo corpo
guarda todos os traços femininos empurram o limão
permanecem no caminho de frias letras
decifrada a edição é toda ampla pluma
os determinadores pernas no planeta as sedas
deixam de lado os factos contextuais
as luzes estendem-se até a nudez
a existência tão longa produção constrói estrelas
outro corpo
as trevas janelas inquilinos selando juro

Abreu Paxe in O VENTO FEDE DE LUZ Luanda: União dos Escritores Angolanos, 2007.

O Material o Andor das Paredes

todos os dias estas velas traziam alegóricas cidades.
mesma surpresa confidente pé
o céu todo dia sentado.
na terra o material das paredes empurra deitado
o meio-dia vestido inesquecível encantamento.
os olhos adiante lúcia na irrigação hoje primeiro dia
eram falas no sétimo mês inquieto discurso dentro dele
o céu todo dia de pé.
a terra material das paredes declarativos os espelhos
vidro fundo o sinal próximo acinzentado andor
este lugar se nada ocupa só dissolve
o possível sorriso na imutabilidade do tempo
De Certo Modo os Destroços Palavras
De igual modo as partículas invariáveis traços lábias
sempre há uma mulher no mal
por isso trepo meu olhar pelas paredes e pelo tecto
o último cruzar de pernas
zona prestigiada o eixo compreendia o acento de intensidade
junto todos os sentidos no modo algum tempo exacto
sem esquecer na via erudita expressão
o étimo uma mesa com o portal aberto
outro reino de certeza
a comunicação oficial adoptou o berço língua lençol
tanto tempo sonorizado
estava inscrito nas fronteiras este período
das alíneas funções sintácticas
diferenças dos pares vocabulares
nascem outras partículas variáveis destroços

Muma Ulunga da Brevíssima Existência

Sinto em mim oposto ao medo
– lá para dentro minha pedra (brevíssima existência) -,
o viver silenciado
como se desta vez a existência
abrisse a alma que o guia muna ulunga
a calma mas próxima função
conduz-me anunciando a sedução
a noite ganha razão
como ferida a glória no duro labirinto
muito perto do sofrer
morre em mim oposto a amargura
a doçura da vida espumas de luz lá para diante:
o fracasso, a desonra. que importa a vitória
talvez sobre os dias porque alguém me esmaga a cidade
pó só pó sobre os ombros da morte o vazio
efectivamente intervalo de noites a brevíssima,
inacreditável existência (a pedra) já nada seduz )Os Meus Agradecimentos ao BlogueLeia Também

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