O (BPC) de Angola Pode Precisar de 2 Mil Milhões de Dólares do Estado

Pensamos que a maior necessidade de capital provavelmente estará no BPC, que tem uma quota de mercado de 26%”, escrevem os analistas desta agência de ‘rating’.

Numa nota enviada aos clientes, e a que a Lusa teve acesso, a Fitch estima que “as necessidades de recapitalização deste banco sistémico podem chegar a 2 mil milhões de dólares”, mais de 1,8 mil milhões de euros, o que representa cerca de 2% do PIB de Angola.

“A Fitch antevê que a dívida pública suba para 83% do PIB no final deste ano e emitir dívida para recapitalizar o BPC elevaria ainda mais este valor, por isso esperamos que o banco central vá permitir alguma flexibilidade relativamente aos prazos de recapitalização” deste banco público.

O alerta surge numa nota sobre os prazos que o banco central angolano deu às entidades financeiras para corrigirem as necessidades de capital decorrentes de uma análise a 13 entidades financeiras, finalizada em setembro, mas cujos resultados não são ainda públicos.

“Não sabemos o tamanho da carência de capital descoberta ou se os valores vão ser divulgados, seja banco a banco, seja no agregado, mas encaramos a capitalização dos bancos como genericamente fraca, tendo em conta o volume de crédito malparado e a concentração de empréstimos em nome de uma só entidade”, escrevem os analistas.


A Morna, Género Musical Típico de Cabo Verde é Património Imaterial da Humanidade

A morna, género musical típico de Cabo Verde, foi proclamada hoje Património Imaterial Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

A decisão final sobre a ratificação da classificação, que já tinha recebido o aval da comissão de peritos em novembro, foi adotada hoje, na 14.ª reunião anual do Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial da UNESCO, que decorre desde segunda-feira no Centro de Congressos Agora, em Bogotá, Colômbia.

“Declaro a decisão adotada”, anunciou, cerca das 11:55 locais (16:55 em Lisboa), María Claudia López Sorzano, secretária para a Cultura, Lazer e Desporto da cidade de Bogotá e que preside a esta reunião anual do Comité, depois de questionar os delegados sobre eventuais adendas, alterações ou debate sobre a proposta de classificação, que não surgiram.

Além da morna de Cabo Verde, o comité está a analisar a ratificação de outras 39 candidaturas a Património Cultural Imaterial da UNESCO.

A cantora cabo-verdiana Nancy Vieira e o multi-instrumentista Manuel de Candinho acompanham o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, que lidera a comitiva de Cabo Verde em Bogotá, que comemorou a proclamação ainda na sala da reunião.

Reunido pela primeira vez na América Latina, este Comité Intergovernamental é atualmente composto por representantes da Arménia, Áustria, Azerbaijão, Camarões, China, Chipre, Colômbia, Cuba, Djibuti, Filipinas, Guatemala, Jamaica, Japão, Cazaquistão, Kuwait, Líbano, Maurícias, Holanda, Palestina, Polónia, Senegal, Sri Lanka, Togo e Zâmbia, sendo as decisões tomadas por unanimidade destes membros.


Não há Escola, Não Há Justiça, Não Há Saúde, Não Há Nada” na Guiné-Bissau

A situação dos Direitos Humanos na Guiné-Bissau é preocupante, queixam-se vários cidadãos ouvidos pela DW África, sobretudo porque tem havido recuos nos últimos tempos.

“Não há escola, não há justiça, não há saúde, não há nada”, resume uma enfermeira de Bissau. “Estamos no zero”.

As aulas nas escolas públicas guineenses têm sido constantemente interrompidas por causa das greves dos professores, há falta de hospitais, centros de saúde, técnicos e material sanitário, e a Justiça é vista como morosa e “corrupta”.

Um professor lamenta que a Justiça, ao nível da Guiné-Bissau, seja “um pouco coxa, porque a corrupção fala mais alto”.

Dificuldades para ir à escola

A inacessibilidade aos serviços básicos é ainda mais evidente no interior do país.

Bubacar Djaló, secretário executivo da Estrutura Comunitária de Animação e Sensibilização para o Desenvolvimento (ECASD), explica que nem todas as aldeias têm escola e isso faz com que muitas crianças tenham dificuldades em ir às aulas.

A organização não-governamental tem atuado nas regiões de Bafatá e Gabú, no leste do país, onde, muitas vezes, o acesso às escolas é “difícil”, não só pela distância “grande”, como também devido às “péssimas condições das estradas”.


5 Mil Euros Por Dia Exigidos Por Isabel dos Santos a Ana Gomes Ex Deputada Europeia

A ex-eurodeputada escreveu no Twitter que a angolana “lava que se farta”. Isabel dos Santos avançou para tribunal e quer 5.000 euros por cada dia em que os tweets de Ana Gomes continuem online.
 
Isabel dos Santos avançou com uma ação contra Ana Gomes por causa dos tweets onde a ex-eurodeputada acusou a empresária angolana de “lavar [dinheiro] que se farta”. Isabel dos Santos sente-se ofendida com o conteúdo das declarações de Ana Gomes, a quem exige 5.000 euros por dia se não apagar os posts que publicou na sua conta pessoal na rede social Twitter há cerca de dois meses. “De maneira nenhuma considero apagar esses tweets“, diz Ana Gomes ao ECO.
 
No dia 14 de outubro, Ana Gomes, reagindo a uma entrevista de Isabel dos Santos à Lusa, em que a filha do ex-Presidente de Angola disse que se endividava muito para investir, publicou no Twitter: “Isabel dos Santos endivida-se muito porque, ao liquidar as dívidas, “lava” que se farta! E os bancos querem ser ressarcidos, só em teoria cumprem #AMLD (Diretiva Anti-branqueamento de Capitais), de facto não querem saber a origem do dinheiro… E o ⁦Banco de Portugal⁩ não quer ver…”
 
Pouco tempo depois, Ana Gomes postou novo tweet sugerindo que Isabel dos Santos usa o banco EuroBic para esconder a origem do seu património, com o Banco de Portugal e o Banco Central Europeu a “assobiarem para o ar”.
 
Em reação, o banco anunciou que ia apresentar um procedimento judicial contra Ana Gomes, algo que ainda não terá feito — “Pelo menos ainda não fui notificada desse processo”, adianta a antiga diplomata ao ECO. No Twitter, disse estar ainda à espera desse processo, referindo-se ao EuroBic de “lavandaria”.
 
Quem já avançou contra Ana Gomes foi, entretanto, Isabel dos Santos. A angolana apresentou uma ação cível no tribunal de Sintra, exigindo que a ex-deputada portuguesa do Parlamento Europeu apague estes e outros tweets onde a acusa de lavagem de dinheiro. Ana Gomes já foi notificada da queixa e terá de comparecer no tribunal no próximo dia 17 de dezembro.


Ligações em Transporte Marítimo Entre ilhas do Arquipélago Será Aposta em Cabo Verde

Foto Fernando Pina-Lusa

O ministro dos Transportes cabo-verdiano assegurou que o novo modelo de transportes marítimos interilhas será uma alternativa em breve aos transportes aéreos, anunciando que o primeiro navio no âmbito da renovação da frota partiu hoje da Coreia do Sul.

O transporte marítimo entre ilhas, de passageiros e carga, foi assumido em agosto pela CV Interilhas, empresa liderada pela portuguesa Transinsular (grupo ETE), vencedora do concurso público internacional para a concessão, de 20 anos, lançado pelo Governo cabo-verdiano.

“Está muito melhor do que estava antes”, afirmou quinta-feira (5) o ministro José Gonçalves, questionado pelos jornalistas à margem do fórum económico “Mar e Inovação, ‘drivers’ da Economia Global”, organizado na capital cabo-verdiana pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e pela embaixada de Portugal.

Face aos resultados dos primeiros três meses de operação da CV Interilhas, o Governo de Cabo Verde admite que anualmente poderão ser transportados 600.000 passageiros (além de carga e viaturas) entre as ilhas do arquipélago, um máximo histórico e acima do pico de 480.000 passageiros que utilizaram as ligações aéreas, registado em 2018.

“E certamente vamos criar as condições para que os transportes marítimos venham a ser uma alternativa aos transportes aéreos, pela frequência, pela regularidade e pela previsibilidade”, enfatizou José Gonçalves, destacando que o novo modelo introduziu novas ligações marítimas, como para as ilhas do Sal e da Boavista.


Tômbwa, em Angola Aposta no Sector Turístico e Elabora um Plano Directório de Turismo

A administração municipal de Tômbwa, em Angola, tem como aposta o sector turístico, com a elaboração de um plano directório do turismo, como fonte de captação de receitas e desenvolvimento da região.

om os olhos postos na afirmação do turismo, o município do Tômbwa assinala este domingo 165 anos desde a sua fundação. Fundada a 8 de Dezembro de 1854, pelo major português Marcelino Norberto Rudzcki, com a designação de Angra das Aldeias, a cidade passou, em 1981, a chamar-se Tômbwa, nome derivado de uma das línguas nativas locais, expressão usada para designar a planta Welwitchia Mirabilis que se encontra espalha por todo o deserto deste município.

Com uma população estimada em mais de 50 mil habitantes, ostenta uma composição etnolinguística diferenciada, com particular realce para os Hereros, povos que têm como principal actividade a pesca artesanal, pecuária e agricultura de subsistência.

Promoção do turismo

A administração municipal tem como aposta o sector turístico, com a elaboração de um plano directório do turismo, como fonte de captação de receitas e desenvolvimento da região.

Alexandre Nyuka, o administrador municipal, afirmou, à ANGOP, que o turismo afigura-se como a actividade alternativa ao sector pesqueiro para a geração de emprego e renda para as populações do município.


Devido à Seca o Café de Cabo Verde Está em Risco

Nas encostas do Fogo, os solos vulcânicos escondem tesouros em risco de serem roubados. Nesta ilha de Cabo Verde, o café, outrora erguido a riqueza nacional, corre o risco de desaparecer devido à seca prolongada que se faz sentir no país.

Entre os 350 e os 1300 metros de altitude, sobrevivem as plantações da variedade arábica.

Há um século, os terrenos davam origem a 500 toneladas de café. Atualmente, a produção está abaixo das cem.

Aos 74 anos, Rosério Rodrigues gosta de se ver como “um continuador” da tradição familiar. Faz parte da quarta geração de produtores de café, mas teme que a produção que mantém seja uma herança que mais ninguém queira honrar. Os filhos parecem pouco interessados num negócio cada vez menos rentável.


Pelo Terceiro Ano Consecutivo Diminui a Emigração de Portugueses Para Angola

Há menos portugueses a emigrarem para Angola, naquela que é uma tendência que se mantém há três anos consecutivos. Os dados são dos consulados da República de Angola em Lisboa e no Porto e foram divulgados esta terça-feira, 3 de dezembro, pelo Observatório da Emigração.

De acordo com os números agora conhecidos, foram 1.910 os portugueses que entraram em Angola em 2018. No ano anterior, registaram-se 2.962 entradas.

A tendência de descida tem vindo a verificar-se desde 2015, quando o número de emigrantes portugueses para Angola atingiu um máximo de 6.715 entradas. Desde então, registou-se uma descida de 42% em 2016, de 24% em 2017 e, mais recentemente, de 36% em 2018.

“Tudo indica que aos efeitos da retoma económica em Portugal se tenham somado os efeitos recessivos da crise dos preços do petróleo sobre o mercado de trabalho angolano da imigração, sentidos com mais intensidade a partir de 2016”, de acordo com as conclusões publicadas esta terça-feira.

ANGONOTÍCIAS

 


Quatro em Cada Dez Angolanos São Pobres

A Universidade Católica de Angola estima que a taxa de pobreza no país ronda os 42% (a ONU fala em 52%), enquanto a da pobreza extrema se situa nos 20%. São números emblemáticos para demonstrar (mais uma vez) a incompetência dos governos – todos do MPLA – que estão no Poder desde 1975, ou seja há 44 anos.

O Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola (UCAN) estima que quatro em cada dez angolanos são pobres. Tomemos, embora não seja novidade, nota desta bandeira do Governo: 4 em cada 10 cidadãos angolanos são pobres.

Segundo o director do CEIC, Alves da Rocha, os números sinalizam a “degradação constante do nível de vida dos angolanos”, motivada pela crise que o país vive desde finais de 2014 e que mostrou que em matéria de competência e seriedade governativa Angola está entregue à bicharada. Bicharada que comeu tudo e não deixou nada, que mandou a diversificação da economia para as calendas criando, dessa forma, 20 milhões de pobres.

“Em 2015 a capacidade de crescimento da economia foi apenas de 0,5%”, notou o economista, que apresentou, em Luanda, o Relatório Económico de Angola 2018, salientando que “a partir daí, Angola entrou em processo de desaceleração económica, o que significa que, em cada ano, se produzem menos bens e serviços”. Desaceleração essa que, contudo, permitiu que mais uns tantos ficassem ainda mais ricos.


Em Angola Conseguirão Alguma Vez as Nossas Crianças Ser Gente?

Pelo menos cinco mil crianças foram vítimas de violência em Angola, de Janeiro a Outubro de 2019, com Luanda a liderar os casos, disse hoje fonte oficial, manifestando preocupação com a existência de “menores envolvidas na prostituição”. As crianças são gente? Às vezes, vezes a mais, parece que não.

Os dados que existem não são só de crianças, são de mulheres envolvidas e que no meio dessas senhoras há crianças, há menores. As menores envolvidas na prostituição existem e a situação é preocupante”, afirmou hoje à Lusa o director geral do Instituto Nacional da Criança (INAC) angolano, Paulo Kalesi.

Sem quantificar, o responsável deu conta que casos de crianças envolvidas na prostituição foram registados no distrito urbano do Zango, município de Viana, em Luanda, afirmando que na globalidade as “estatísticas de violência contra a criança aumentaram”.

Segundo explicou, “só no ano passado havia registo de 4.000 casos, agora só de Janeiro a Outubro de 2019 são já 5.000 casos” com Luanda com o maior registo seguida pelas províncias de Benguela, Huíla, Huambo e Cabinda.

Fuga à paternidade, abusos sexuais, queimaduras nos membros superiores ou inferiores, consumo de bebidas alcoólicas e inclusive mortes constam das tipificações de violência contra à criança em Angola, cenário que preocupa autoridades e sociedade civil.

Segundo Paulo Kalesi, para dar resposta aos casos, o INAC tem já elaborado um programa denominado Fluxograma de Resposta de Casos de Violência contra a Criança para “uniformizar os procedimentos para poder atender situações concretas que põem em causa o bem-estar da criança”.

“A nível dos municípios já há estruturas com esse fim e é nessa perspectiva que diria que há um acompanhamento permanente, e por isso é que esses casos vêm à tona”, adiantou.