Dentro de 24 Meses a Província de Benguela Poderá voltar a Produzir Conservas de Peixe

A produção de peixe enlatado, na província de Benguela, actividade paralisada há mais de 30 anos, poderá ser retomada dentro de 24 meses com a intervenção de investidores privados, informou hoje, quarta-feira, o director local das Pescas, José da Silva.

Segundo o responsável, que falava em entrevista à Angop, existe um crescente interesse de investimentos na indústria de conservas, sobretudo de empresas estrangeiras, cujos processos seguem actualmente os trâmites legais para aprovação pelas autoridades.

Sem adiantar a proveniência dos investidores, nem os valores em causa, disse que, a julgar pelo volume de solicitações, se augura dias melhores para esse segmento de actividade económica que já foi bastante promissor, sobretudo no tempo colonial e nos primeiros anos de Angola independente.

Segundo José da Silva, a região tem peixe com a qualidade necessária para ser enlatada, como o atum, sardinha e outras, e disse acreditar que dentro de 24 meses as famílias benguelenses e não só poderão contar com a conserva de peixe nas suas mesas, tal como acontece actualmente na cidade costeira de Moçamedes, que já deu o primeiro passo com a instalação de uma unidade fabril do género.

Antes da sua paralisação, na década de 80, Benguela contou com unidades de produção de conservas do Capiandalo, Mampeza, Atlântica, entre outras, de caris estatal, mas todas ficaram desactivadas, devido a problemas de gestão.


No Segundo Trimestre Deste Ano Aumentou a Recessão da Economia Angolana

A economia angolana agravou o cenário de recessão no segundo trimestre, com uma queda de 7,4% no Produto Interno Bruto (PIB) face ao período homólogo de 2017, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística de Angola.

De acordo com a informação do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgada terça-feira (16), sobre a evolução do PIB (toda a riqueza produzida no país) angolano, com base em dados do Departamento de Contas Nacionais e Coordenação Estatística, este desempenho foi afetado sobretudo por setores como as pescas (-10,0%), indústria transformadora (-8,8%), extração e refinação de petróleo (-8,4%) e extração de diamantes e outros minerais (-6,1%).

Trata-se da terceira quebra homóloga (-7,4%) no PIB angolano mais acentuada no histórico disponibilizado pelo INE, desde 2010, apenas ultrapassada pela queda de 11,33% no quarto trimestre de 2015 e pela descida de 7,55% no terceiro trimestre de 2016.

É também o terceiro trimestre consecutivo de queda da economia angolana, que se mantém em recessão (pelo menos dois trimestres consecutivos em quebra).

No mesmo documento, a que a Lusa teve acesso, o INE agravou a previsão anterior de queda do PIB no primeiro trimestre de 2018, que passou dos -2,2% divulgados em agosto para os atuais -4,66%.


Em 22 Dias 29 Casos de Dengue em Luanda Causam Três Mortes

O hospital pediátrico David Bernardino, em Luanda, registou nos últimos 22 dias 29 casos de dengue, que provocaram três óbitos, informou fonte daquela unidade sanitária.

Os dados são referentes ao período entre 21 de Setembro e 12 de Outubro, segundo a médica pediátrica Joaquina Magalhães, a maioria provenientes do distrito da Maianga, dos municípios de Viana, Cacuaco e Cazenga.

Durante o período em referência, o hospital observou 31 crianças, das quais 29 foram confirmadas com dengue e 14 delas com manifestações hemorrágicas.

“Das 14 três culminaram em óbito e as outras têm tido uma evolução satisfatória. Atualmente, temos internados três casos de dengue no hospital”, explicou a médica.

No início deste mês, o Ministério da Saúde angolano anunciou o curso da epidemia, com duas mortes de um universo de oito novos casos registados no Hospital Pediátrico de Luanda, em pacientes dos três aos 13 anos.


Saída Forçada de Angola de Cerca de 200.000 Cidadãos da RD Congo Pode Criar Crise Humanitária

As Nações Unidas expressaram hoje preocupação sobre a alegada saída forçada de Angola de cerca de 200.000 cidadãos da vizinha República Democrática do Congo (RDCongo) nas duas últimas semanas, admitindo que a situação pode gerar uma crise humanitária.

A agência da ONU para os refugiados salientou que não está claramente apurado de quem partiu a ordem para que os congoleses, trabalhadores na indústria mineira, abandonassem Angola.

A ONU diz que as expulsões em massa são contrárias às obrigações da Carta Africana e exorta os Governos de Angola e da RDCongo a trabalharem juntos para garantirem um “movimento populacional” seguro.

Elementos das Nações Unidas recolheram alguns relatos de violência em Angola, enquanto agentes de segurança reforçavam a ordem que estabelecia o prazo de 15 de outubro para a saída dos congoleses.

Na segunda-feira, o Governo da RDCongo revelou que está a realizar “investigações” sobre esta expulsão em massa, sob acusações de violência, “alegações sérias”, de acordo com Kinshasa.


Medidas em Curso Afectam e Neutralizam Poderosos Interesses Instalados em Angola

O Presidente da República João Lourenço disse hoje que, em um ano do seu mandato, se tornou notório que o Executivo está empenhado em acabar com os principais entraves que impedem o país em avançar com celeridade e atingir os objectivos a que se propôs alcançar.

Falando no Parlamento por ocasião da abertura de mais um ano legislativo, João Lourenço disse ser prematuro, em um ano, fazer um balanço exaustivo mas afirmou ser claro que o seu governo realizou e tomou medidas essenciais para melhorar o que está mal.

O Presidente da República disse que este processo que vai levar algum tempo uma vez que uma das medidas em curso afectam ou neutralizam o que descreveu de “poderosos interesse instalados”. João Lourenço disse que algumas das acções que o seu governo desenvolveu até aqui atestam a celeridade e a firmeza com que o Executivo se propôs “contrariar uma tendência que se estava a instalar de aceitação e de banalização de práticas que não são saudáveis nem recomendáveis para a gestão da vida do país e que pela sua prática reiterada estavam a criar um sentimento de total impunidade”.

“Podemos já começar a pôr um freio e mesmo anular algumas práticas que mais lesavam o erário público e os interesses da grande maioria do nosso povo confirmando assim a promessa feita de que ninguém teria privilégios perante a Lei”, assegurou o Presidente da República.


Instituição Portuguesa em Loures Acolhe Crianças dos FALOP com Problemas Cardíacos

A Casa Damião, em Loures, Portugal, foi criada com apoio de uma congregação religiosa, e recebe crianças da África lusófona com problemas cardíacas.

O número 33, no Catujal, concelho de Loures, foi o espaço escolhido para acolher, tratar e acompanhar crianças dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) com problemas cardíacos, cujos tratamentos nos seus países de origem são limitados.

Em declarações à agência Lusa, Igor Rodrigues, responsável pela Casa Damião, explicou que a instituição surgiu através de “um coletivo de religiosos – a Congregação dos Sagrados Corações – que fundaram a Casa Damião” para dar “mais dignidade, segurança e conforto no acompanhamento destas crianças”.

O responsável pela Casa Damião assistiu ao surgimento, em abril de 2013, da instituição que realiza um acolhimento temporário, pré e pós-hospitalar, para crianças e jovens, com especial atenção para as crianças da Guiné-Bissau.

“No âmbito dos protocolos de colaboração na saúde entre o Estado português e os países africanos de língua oficial portuguesa, Guiné-Bissau é o país que apresenta maiores debilidades e fragilidades na saúde, daí o nosso foco ser estas crianças da Guiné-Bissau”, salientou.

Durante a visita pela casa, que tem capacidade para receber até sete crianças, Igor Rodrigues referiu que esta instituição acompanha as crianças desde que chegam, até ao regresso do seu país de origem, assegurando alojamento, alimentação, vestuário e educação durante o período em que estão em Portugal.


Diplomacia Económica Angolana Garantiu Este Ano 10 Mil Milhões de Euros Para Investimentos no País

O Presidente de Angola afirmou que a diplomacia económica realizada este ano já garantiu financiamentos no valor de 10 mil milhões (10 bilhões) de euros, o que permitirá recolher os frutos nos próximos anos para garantir o desenvolvimento do país.

João Lourenço discursava sobre o Estado da Nação, na abertura solene dos trabalhos da segunda sessão legislativa da IV Legislatura da Assembleia Nacional angolana, em que assumiu que Angola sofrerá este ano ainda as consequências e uma retração económica, mas que espera uma taxa de crescimento positiva já a partir de 2019.

Numa intervenção de quase uma hora, o chefe de Estado angolano assumiu também a retração do setor petrolífero, na casa dos 8%, e sublinhou que a economia não petrolífera possa compensar, já em 2019, a quebra de produção de crude, apesar de aumento dos preços internacionais.

No discurso, João Lourenço salientou que a diversificação económica é “um imperativo nacional” e lembrou que, nas visitas que efetuou ao estrangeiro, conseguiram-se garantias de investimento e de financiamento da economia angolana que, além do montante de 10 MMEuro, há que contar também com as “intenções” de apoio financeiro a investimentos no país.

“Fizemos uma verdadeira diplomacia económica”, resumiu o Presidente angolano, lembrando as visita a França, Alemanha e China e os apoios garantidos financeiros de Portugal e Reino Unido, além da disponibilidade de linhas de crédito de várias instituições bancárias internacionais.

Além disso, acrescentou, o programa de financiamento adicional solicitado ao Fundo Monetário Internacional (FMI), ainda em negociações, trará também credibilidade a Angola, facto que se torna ainda mais importante por não ter como garantia o petróleo.

João Lourenço sublinhou que, nas viagens e contactos internacionais, recolheu “opiniões favoráveis” sobre as reformas económica, política e social que impôs no país, destacando a nova lei do investimento privado e a lei da concorrência, o que vai permitir acabar com os monopólios e abrir o mercado aos privados.


Oposição Angolana Pede Esclarecimentos ao Presidente da República Sobre Dívida à China

A oposição espera que o Presidente da República, João Lourenço, esclareça, na segunda-feira, 15, no seu segundo discurso sobre o Estado da Nação, o endividamento de dois mil milhões de dólares que o Executivo fez, esta semana, à China.

O porta-voz da UNITA, Alcides Sakala, entende que a soberania do país está a ser hipotecada devido a estes empréstimos, pelo facto de a população desconhecer as condições do seu pagamento. “Este endivida- mento à China ainda não foi devida- mente esclarecido, e pelos montantes envolvidos, em certa medida, hipoteca a nossa soberania”, afirmou Alcides Sakala em declarações ao Novo Jornal, reiterando que “os deputados têm o direito de saber o que é que está em jogo”.

Ainda sobre a mensagem de João Lourenço à Nação, o presidente do Partido de Renovação Social (PRS), Benedito Daniel, espera que o estadista angolano explique aos cidadãos como está o processo de repatria- mento de capitais, cuja lei foi aprova- da em Maio. “A lei foi aprovada, e ainda não completámos os 180 dias.

Está quase. Portanto, esperamos que ele venha dizer se o processo está a correr bem ou se está a encontrar entraves”, disse o político.

 


Ministro das Finanças Angolano Informa Que do Novo Empréstimo da China Parte é Para Pagar Dívidas aos Credores Chineses

O ministro das Finanças de Angola, Archer Mangueira, garantiu, em Pequim, que “parte” dos 2.000 milhões de dólares que serão financiados pelo Governo da China “servirá para regularizar” a dívida com os credores chineses.

Em declarações à imprensa, a propósito dos acordos rubricados na terça-feira entre os governos de Angola e da China, Archer Mangueira, citado pela agência noticiosa Angop, disse ser pretensão das autoridades angolanas concorrer, com esse novo crédito, para a amortização da dívida, a médio e longo prazos.

A linha de crédito é parte de um acordo assinado entre o Ministério das Finanças de Angola e o Banco de Desenvolvimento da China, no quadro da visita oficial que o Presidente angolano, João Lourenço, terminou hoje na China.

Sem especificar a taxa de juro a aplicar no âmbito desta nova linha de crédito e os termos do reembolso, Archer Mangueira indicou que o novo financiamento da China também se destina à execução de projetos capazes de criar rendimentos para o país.

“Será destinado a financiar projetos que possam alavancar o setor produtivo de tal maneira que possam, a médio e longo prazos, aumentar o volume de receitas, principalmente as voltadas para a exportação”, sublinhou o ministro das Finanças angolano.


Operação “Transparência” Foram Apreendidos nas Lundas Perto de 2 Mil Quilates de Diamantes

Quase 2 mil quilates de um total de 24 mil e 456 pedras de diamantes foram apreendidos na decorrência da operação “Transparência”. O pré-balanço feito pelas autoridades mostra o quanto o país estava a ser delapidado.

Os congoleses democráticos constituem o maior número de estrangeiros envolvidos em negócios ilegais no país. Até ao início desta semana, a operação “Transparência” tinha interpelado e repatriado um total de 7 mil e 435, sendo 4 mil 399 do sexo masculino e 808 crianças em situação migratória ilegal. A este lote juntam-se os 180 mil 802 cidadãos daquele país que “decidiram regressar voluntariamente à terra de origem” através dos postos fronteiriços do Txumo, Chissanda, Furi, Nachir, Itanda e Fortuna e dos marcos 25 e 28. No meio desta mais de uma centena de milhares, 11 mil são crianças. Além dos congoleses democráticos, outras 15 nacionalidades estavam presentes preferencialmente no negócio do “garimpo” de diamantes no Leste do país.

Africanos provenientes da Guiné Conacri fazem o segundo maior lote de emigrantes ilegais detectados pela operação em curso. São até agora 35 cidadãos daquele país oeste africano. Seguem-se os mauritanianos (14) e os ivorienses (13). Para lá destes, estavam na mesma situação eritreus, serra-leoneses, gambianos, tchadianos, malianos, liberianos, sudaneses, ruandeses, congoleses (Brazzaville), somalis e zambianos. Qualquer coisa como quase um terço das restantes 53 diferentes nacionalidades do Continente Negro. Mas, quanto a nacionalidades não são apenas as de África que andam a delapidar os recursos angolanos através do “garimpo” ilegal de diamantes. A operação “Transparência” detectou igualmente 3 libaneses, 2 belgas e 1 alemão.